segunda-feira, setembro 29, 2008

O mundo americano...

Excelente artigo de Miguel Sousa Tavares no Expresso sobre os EUA. Acho que esta é a última oportunidade dada pelo mundo aos americanos de escolherem alguém do seu agrado.

Europa e o problema americano

O presidente da Comissão Europeia, o 'nosso' Durão Barroso, descobriu agora os malefícios do "unilateralismo" americano no mundo de hoje. Arrependido, "ex officio", dos tempos do seu americanismo militante, quando se curvava em mesuras perante o "George" na cimeira das Lages, jurando a pés juntos que o seu "amigo George" era incapaz de mentir e que ia atacar o Iraque porque tinha provas das armas de destruição maciça de Saddam Hussein - que ele, Barroso, havia visto com os seus olhos - o comissário-chefe dessa coisa difusa a que insistimos em chamar Europa resolveu agora escrever um "dazibao" aos dois candidatos à próxima presidência dos Estados Unidos, dando-lhe conta dos sentimentos actuais de um europeu. A Europa, diz Durão Barroso, quer que o próximo Presidente americano perceba que não pode passar sem ela; que se renda ao "multilateralismo", deixando de se comportar como o único actor global; que aceite a reforma das instituições que a Administração Bush tratou de tornar obsoletas e inúteis, como a ONU, o FMI, o Banco Mundial; que aceite a presença de outros "players" emergentes na cena mundial, com direito a audição e participação nas decisões, que reconheça que há problemas sérios à escala planetária que não podem continuar dependentes da agenda doméstica de um Presidente dos Estados Unidos. Tudo coisas óbvias e consensuais e que agora são fáceis de dizer. Há uma década, a ex-secretária de Estado americana Madeleine Albright, classificava os Estados Unidos como "a nação indispensável". Oito anos de desastrada gestão de Bush encarregaram-se de nos ensinar amargamente que as coisas podiam mudar: os Estados Unidos tornaram-se hoje a nação dispensável - de bom grado dispensaríamos a contribuição que deram para o estado do mundo, nestes últimos tempos. Em oito anos, a nação que a dupla Clinton-Gore havia deixado na prosperidade e no caminho de uma efectiva e inteligente liderança mundial transformou-se num dos problemas do mundo, ao lado da Al-Qaeda e do fundamentalismo islâmico ou do aquecimento global. Os Estados Unidos que George W. Bush vai deixar em herança são o maior consumidor de energia e matérias-primas à escala global; o maior poluidor do planeta e o mais feroz adversário de todas as convenções e tentativas de inverter o caminho para o caos - tendo a Casa Branca chegado ao extremo de falsificar relatórios científicos para tentar provar que o aquecimento global não existia; são o principal factor de provocação do terrorismo islâmico e o maior destabilizador da paz no Médio Oriente, nos Balcãs, no Cáucaso; são o mais hipócrita defensor de um comércio global livre e justo, que defendem no papel e tratam de sabotar na prática, sempre que lhes dá jeito; e são, conforme se tornou agora exuberantemente exposto, o grande agente e exportador da crise económica mundial, graças à ganância dos amigos de Bush e à cumplicidade cooperante deste. Eis a herança do 'amigo George'. Não admira que até Durão Barroso seja agora capaz de negar três vezes que o conhece. E, todavia, só se deixou enganar quem quis. Os americanos, claro, e é por isso que a América é uma nação perigosa, porque tanto se podem entregar a um Roosevelt ou a um Clinton como a um Nixon ou a um Bush. Mas não só os americanos: também essa geração de dirigentes europeus enfatuados, que parecem desprovidos de pensamento próprio, mesmo quando se trata de questões que tocam muito mais de perto à Europa do que à América, como são os Balcãs, o Médio Oriente ou as relações com a Rússia. Toda a gente sabia que Bush era um completo ignorante em matéria de política externa, dotado daquela ignorância arrogante que se encontra no americano médio, que está convencido de que, fora dos Estados Unidos, nada mais conta e nada mais interessa, e que o mundo inteiro vive no desejo de poder imitar o estilo de vida e os 'valores' americanos - os únicos justos e conformes à vontade de Deus. Mas a ignorância é uma arma perigosa nas mãos de um homem poderoso, e dizem que o Presidente dos Estados Unidos é o homem mais poderoso do mundo. Foi a ignorância de Bush que conduziu os Estados Unidos ao caos e fez do mundo um lugar infinitamente mais perigoso. Tudo era por demais evidente que assim seria, mas a "intelligentsia" europeia que ditou moda nos últimos tempos havia decretado, qual "fatwa", que duvidar da infalibilidade americana era crime de "antiamericanismo primário" - uma doença mental de diletantes ou "órfãos do comunismo". Corremos o risco de ter mais do mesmo. A semana passada, durante uma entrevista à televisão espanhola, ficou a perceber-se que o candidato McCain - tido como um "especialista" em política externa - não sabia que Rodriguez Zapatero é primeiro-ministro de Espanha, o que equivale a dizer que não acha que a Espanha seja uma nação suficientemente importante para interessar um Presidente dos Estados Unidos. E a candidata a vice-presidente, a dona-de-casa do Alasca, Sarah Palin - que até ao ano passado nunca tinha pedido um passaporte para sair dos EUA - só terça-feira passada se encontrou pela primeira vez com um dirigente estrangeiro. Puseram-na nas mãos do 'guru' Kissinger para um "brain-storming" intensivo e trataram de introduzi-la à pressa ao resto do mundo, começando pelos amigos: os Presidentes da Geórgia, Ucrânia, Iraque e Afeganistão. Graças a uma indiscrição da CNN, cujo repórter se conseguiu aproximar da senhora mais do que os seguranças consentem, ficou a saber-se que, na quarta-feira, Kissinger tratava de lhe explicar quem era Sarkozy. A coisa promete... O que está errado na carta de Durão Barroso aos candidates às eleições americanas é o tom de pedido: a Europa pede aos Estados Unidos que a levem em conta. Dir-se-ia que a factura de Omaha Beach nunca mais está saldada... Mas venha Obama ou McCain, não há mais tempo a perder nem mais desculpas para que a direcção política europeia continue eternamente a resguardar-se nos interesses da 'Aliança Atlântica' para não assumir as suas responsabilidades. A Europa tem de ter uma política externa e uma política de defesa autónomas, que não dependam da NATO nem da ignorância geopolítica dos presidentes americanos. Tem de ter uma estratégia própria para as crises dentro das suas fronteiras e no seu perímetro. Uma estratégia própria para os Balcãs, para o Médio Oriente, para o Magrebe, para o Irão. E, claro, para a Rússia, que é um dos seus principais fornecedores de gás e petróleo e um parceiro indispensável para a manutenção da paz e para a resolução de crises regionais onde os interesses estratégicos americanos só atrapalham. A Europa não tem qualquer interesse em ver mísseis americanos a cercar a Rússia, nem em envolver-se, à sombra da NATO, em intervenções sem sentido e que, em última análise, apenas podem ressuscitar o espírito de guerra-fria sepultado em Berlim há quase vinte anos. Desgraçadamente, toda a gente parece concordar num ponto: não é com esta geração de políticos europeus que a Europa se conseguirá afirmar e construir. Precisamos de estadistas, de visionários, e só temos malabaristas da política e mestres da conjuntura e do vazio. Uma geração muda-se de cima para baixo, começando por mudar as opiniões públicas. É isso que se torna urgente fazer.


Assim vai o mundo...

sábado, setembro 27, 2008

O mundo do cinema...



Soube agora que morreu Paul Newman! A perda dos mais carismáticos olhos azuis do cinema americano...

Assim vai o mundo...

O mundo das revistas...

Fantástica a entrevista a Eduardo Lourenço na Ler deste mês.. É de facto alguém com uma visão muito à frente do seu tempo!

Assim vai o mundo...

O mundo americano...

Ontem no primeiro debate presidencial houve um empate técnico e um moderador miserável... Espera-se que comece a animar nos próximos debates...

Assim vai o mundo...

sexta-feira, setembro 26, 2008

O mundo dos filmes...

Esta semana de doença permitiu-me ver uns filmes...

Culpa Humana

Um elenco magnífico com Anthony Hopkins e Nicole Kidman à cabeça! Um belo filme com um argumento interessante sobre raça e escolhas de vida.



Relatório Kinsey

A história do estudo feito por Alfred Kinsey que alterou a forma como os norte-americanos viam o sexo.



Wanted

Um filme engraçado com tiros e a Angelina Jolie. A melhor parte é sem dúvida a banda sonora. Potente, estimula o sistema nervoso.



Assim vai o mundo...

terça-feira, setembro 23, 2008

O Mundo privado...

Já parti o braço, o pulso, tive dois pneumotorax, mas nunca senti uma dor tão aguda e prolongada como hoje! A razão foi uma crise renal, provavelmente causada por pedras no rim. Ora bem, estou melhor mas isto é dor chatinha... Vamos lá ver como corre...

Assim vai o mundo...

segunda-feira, setembro 22, 2008

O mundo dos jornais...

Já a semana passada disse que a revista Única do Expresso está muito boa... O tema desta semana é Aprender. Ainda estou a ler, mas desde já quero realçar as "Lições de Vida", onde dez grandes nomes (Ruy de Carvalho, Agustina Bessa-Luis, Argentina Santos, etc) oferecem-nos pérolas de sabedoria... Leiam porque são de facto lições de vida...

Assim vai o mundo...

O mundo da TV...

Ontem foi dia de Emmys! Não ganharam muitos dos meus favoritos, mas foi fantástico ver Don Rickles em forma e com um humor que só ele consegue proporcionar...



Assim vai o mundo...

sexta-feira, setembro 19, 2008

O Mundo em fim de semana...

Vou dar ali um salto a Ponte de Lima e volto Domingo...

Assim vai o mundo...

quinta-feira, setembro 18, 2008

O mundo da música...

Eu devo dizer que gostei deste regresso dos Metallica, com este The day that never comes...



Assim vai o mundo...

O mundo do humor...

Que saudades deste Herman...



Assim vai o mundo...

quarta-feira, setembro 17, 2008

O mundo dos jornais...

José Manuel dos Santos...

História real

Parecia desenhado a lápis leve na folha branca do dia. Uma fragilidade ascética e uma modéstia distraída sustentavam um conhecimento, uma disciplina e uma coragem. Os seus amigos em religião diziam-no (inspirando-se certamente no que Eça afirmou de Antero) "um sábio que era um santo". Nele, havia esse desprendimento de si que leva ao esquecimento de morrer. E existia uma curiosidade e um amor pelo saber que conduzem à amnésia de viver. Dizia-se que, com um livro na mão, muitas vezes se esquecia de comer.

O padre Manuel Antunes sabia tudo. Nada do que é divino lhe era distante e nada do que é humano lhe era alheio: filosofia e teologia, história e literatura, filologia e mitologia, psicologia e educação, política e sociologia, antropologia e arte. Professor, durante anos, da cadeira de História de Cultura Clássica, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, educou (a paideia era um dos seus grandes temas) milhares de alunos, que o lembravam com respeito e reconhecimento. Diz-se que o árduo trabalho docente lhe fez, da saúde, doença, e lhe tirou tempo para escrever uma obra menos ocasional. Mas o que deixou é vasto e variado. A Obra Completa, em publicação pela Fundação Calouste Gulbenkian, mostra um saber que corria como um rio de muitos afluentes. Aí se pode ver como ele conhecia o ortodoxo e o heterodoxo, o antigo e o contemporâneo. Costumava dizer: "Nada é menos actual do que o jornal desta manhã e nada mais actual do que a Odisseia de Homero". Gostava, socraticamente, de definir conceitos, aclarar palavras, dialogar com os homens e os livros de todos os tempos e todos os espaços. O rigor erudito não o privava do acerto poético e a informação não lhe impedia a imaginação. Falava muitas línguas, antigas e modernas. Religava: relacionava o que era diferente, aproximava o que era distante, revelava o que estava oculto. Analisava e sistematizava. Fazia genealogias e futurologias. Gostava de ideias e de palavras. O seu saber era missionário: fazia girar uma roda de muitos raios em torno de um eixo que era o da sua fé.

Jesuíta de formação tradicional, viveu e acompanhou, ao contrário de outros, a evolução da Companhia de Jesus na segunda metade do século XX. Nele, ficaram as marcas contrárias desse caminho. A voz, a atitude, o traje, o gesto eram clericais. As palavras eram abertas e civis. Mas, se as lermos bem, vemos que nunca se ausenta delas a fidelidade à doutrina e a convicção apologética. Isso estava sempre presente, mesmo nos juízos literários que, não raro, eram contaminados por critérios moralistas.

Vivia na casa da "Brotéria", na Lapa, num ambiente frio e feio (Sophia, sua amiga, fez esse reparo), mas parecia não dar por isso. A beleza que procurava era doutro mundo. Gostava de ter uma voz pública e o seu livro Repensar Portugal, publicado em 1979, no rescaldo do incêndio revolucionário, foi notado e anotado. Conheci-o nesses anos. Parecia ter um corpo sem corpo, apenas a suportar a bondade e o pensamento. Ao conversar-se com ele descobria-se um ângulo escondido das coisas. E tanto nos falava de Sófocles como de Joyce; de Fidias ou de Carpaccio; da Roma imperial como da China de Mao Tse Tung; de Marx ou de Jaeger, de Henri de Lubac ou de Foucault.

A história que conto passou-se nesses tempo. Eu participava na organização de um colóquio que, durante dois dias, falava de cultura e de política. Manuel Antunes era um dos convidados. Como ele, muito distraído, já mal conseguia ocupar-se da vida material (por exemplo, apanhar um táxi), arranjou-se um motorista para o ir buscar e levar, para o assistir e tomar conta dele. De nome Higino, era, como aliás convinha para a sua missão, um homem em tudo contrário ao padre: corpulento, enérgico, seguro, exuberante e decidido. De poucas letras, mas astuto. Desconfiado, de início, gostou depois da sua tarefa de protecção. Falava-me disso, entusiasmado, dizendo "o padre é porreiro". Percebi que aproveitava as viagens para lhe fazer perguntas e dar opiniões. O último dia do colóquio foi o da conferência de Manuel Antunes. Consultando umas notas breves, improvisava, com o seu fio de voz quase a partir-se, e deslumbrava. Referia Platão e Cícero, Montesquieu e Ortega, Espinosa e Hegel. Fazia de cor largas citações em grego e em latim, passando a seguir para o francês, o espanhol e o alemão. Havia na sala um silêncio sorridente e pasmado, sobretudo porque muitos não entendiam o que ele dizia na língua em que o dizia. De pé, eu assistia, fascinado, ao prodígio. Quando se atingia o auge, o Higino aproximou-se de mim, olhou o orador e murmurou-me ao ouvido: "O padre sabe umas coisas disto, mas de história pesca pouco. Ainda agora, no carro, dei-lhe cá uma abada em cognomes de reis...!"

Devo ter feito uma tal cara de espanto que ele a interpretou como de admiração pela sua sabedoria real: D. Afonso II, o Gordo; D. Sancho II, o Capelo; D. Fernando, o Formoso; D. Henrique, o Casto; D. Maria I, a Louca...
(in Expresso)

Assim vai o mundo...

terça-feira, setembro 16, 2008

O mundo dos jornais II...

A competente Raquel Carrilho traça, na Tabú do Sol de Sábado, o perfil de Ana Free. A cantora revelação que é um verdadeiro fenómeno no youtube. Deixo-vos aqui uns vídeos...







Assim vai o mundo...

O mundo dos jornais I...

Falei no grafismo da nova Única do Expresso. Agora venho dizer que em termos de conteúdo, assume-se como uma revista muito competente. O tema deste número foi a Mudança, e as histórias intituladas "Assim a minha vida mudou" são uma compilação de estórias fantásticas... Se puderem dêem uma vista de olhos...

Assim vai o mundo...

domingo, setembro 14, 2008

O mundo das revistas...

Por falar em publicações, o Courrier Internacional deste mês traz alguns belos artigos sobre Lisboa.. Confiram...

Assim vai o mundo...

O mundo dos jornais...

Muito bonito o grafismo da revista Única do Expresso. Quanto ao conteudo vou explora-lo..

Assim vai o mundo...

sexta-feira, setembro 12, 2008

O mundo da música...

Uma proposta diferente da música portuguesa! Os Deolinda...



Assim vai o mundo...

O mundo dos blogs...

Artigo de Carla Hilário Quevedo...

Irredutível
Li esta história no El País. Isabel Miranda, professora de 58 anos, mexicana, tinha um filho com trinta anos que foi sequestrado em 2005. A Polícia ignorou o desaparecimento, tal o número de casos semelhantes por resolver no país. Isabel deixou o trabalho e com a ajuda dos irmãos, sobrinhos e cunhados, começou a investigar. Primeiro, descobriu Hilda González, a rapariga usada como isco no rapto do filho. Em seguida, mandou o marido e a filha para o estrangeiro para não ter mais problemas. Entretanto, os sequestradores enviaram uma fotografia do filho e exigiram um resgate de 950 mil pesos. Isabel encontrou provas de que se tratava de um sequestro que correu mal, conseguindo por fim ajuda policial. No entanto, foi a própria Isabel que, com a ajuda do irmão, capturou o autor do crime: o namorado de Hilda. Isabel infiltrou-se ainda no grupo dos cúmplices, fazendo-se passar por secretária de uma empresa que pretendia contratar os seus serviços. Capturou mais quatro criminosos. Só falta apanhar um. Quanto ao filho, descobriu que foi morto no dia do sequestro e que o corpo foi esquartejado. Parece um filme mas não é. Toda a minha admiração para Isabel Miranda.

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 6-08-08


Assim vai o mundo...

O mundo da História..

É uma sensação estranha que este dia tenha sempre uma carga psicológica tão forte... Um dia em que o mundo mudou... Para sempre...

Assim vai o mundo...

quarta-feira, setembro 10, 2008

O mundo do youtube..

Há coisas sem explicação que apenas devemos ver...



Assim vai o mundo...

terça-feira, setembro 09, 2008

O mundo da música...

Gosto muito da onda de José Gonzalez...







Assim vai o mundo...

O mundo da Tv...

Foi com alguma nostalgia que vi hoje o regresso do programa Roda da Sorte! Um recuo no tempo, com um Herman à altura. Falta o Candido Mota...

Assim vai o mundo...

segunda-feira, setembro 08, 2008

O mundo português II...

Cresci a ter o CDS como um partido de Direita, à Direita do PSD e muito alicerçado em valores cristãos. Mas, apesar de não me identificar com algumas propostas, aprendi a respeitar sobretudo as figuras esclarecidas e democráticas de Freitas do Amaral, Lucas Pires, Adriano Moreira, etc. Figuras da política portuguesa que reuniam o respeito de maioria dos portugueses. A deriva popular (de CDS a PP) do partido retirou-lhe muito do apoio e, sobretudo, da credibilidade. Chega a ser penoso (depois da saída de algumas figuras notáveis) ver a deriva de Paulo Portas. Um partido pode ter um líder mas não pode ser só um líder. E se Paulo Portas, ou melhor o PP, não entender isso, acabará por desaparecer o 2º partido da Direita.

Assim vai o mundo...

domingo, setembro 07, 2008

O mundo português...

No Expresso (pág. 4):

- "Os alunos vão ter aulas ali? Pensava que fossem contentores para as obras." (José Socrates, preimiero-ministro, na visita à escola secundária Pedro Nunes, uma das 26 escolas «eleitas» para integrar o plano especial de modernização criado pelo governo)
- "São monoblocos para os alunos terem aulas, eles depois nem querem sair daqui." (Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação, justificando que os contentores «têm ar condicionado» e são melhores do que parecem)

Sem comentários...

Assim vai o mundo...

sexta-feira, setembro 05, 2008

O mundo dos jornais...

Mais uma crónica de José Manuel dos Santos...

Borda d'água

Era uma daquelas horas, entre a manhã e a tarde, em que não sabemos bem se, com o dia, ainda ascendemos ou já declinamos. Nessa altura, nas cidades, a "rua europeia" está cheia de gente que, entre o almoço rápido e o regresso lento ao trabalho, compra o que precisa e o que não precisa. As conversas são um vaivém entre o lamento pela vida cara e o júbilo pela compra barata. Então agora que os saldos ainda são mais saldos do que durante todo o ano em que já o são, as conversas escutadas por acaso são uma lista de produtos comprados ao preço da chuva, que, como se sabe, é baixo, porque ninguém a quer, embora faça falta. Eu até costumo afirmar que a chuva é muito keynesiana - investimento público climatérico, injectado para gerar empregos e apoiar a produção de produtos de primeira necessidade. A chuva, digo eu sem querer gerar controvérsia, é como o Estado português: todos dizem mal, mas todos aproveitam...

Num desses momentos em que eu escutava o que não me dizia respeito, mas que passou a fazer logo que o escutei, aquela imigrante veio até mim e, numa língua que era um português remoto ou futuro, pediu para lhe comprar o que me queria vender. Perante a minha indiferença apressada, insistiu, fez-se obstáculo ao meu caminho e começou um choro forçado com o qual falava da fome dos filhos. Nunca sabemos bem se, nestas ocasiões, devemos acreditar no que nos dizem e dar o que nos pedem. Mas eu, quando tenho uma dúvida, dou o benefício dela. Digo para comigo que, se for falso aquilo em que me esforço por acreditar, presto ao menos, com a compra ou com a dádiva, tributo ao talento do actor ou da actriz, arte que admiro por dar à vida uma mentira que a torna mais verdadeira.

A mulher, com um gesto mais exacto do que a voz, aproximava de mim o que queria vender, embora as suas palavras, mal pronunciadas na língua a que Camões deu o vigor da vastidão, não conseguissem ter clareza no que diziam. Nem era preciso! Assim que, parando o passo, acedi em ouvir a sua prece áspera, vi que ela tinha nas mãos, antiquíssimo e idêntico, "O Verdadeiro Almanaque Borda d'Água", agora na edição de 2009. Reconheci-o com a alegria de um reencontro. Paguei o que me pediu - e era mais do que aquilo que vem indicado na capa como preço. Mas não devemos levar o rigor ao ponto em que ele se torna escrúpulo. Sentei-me então num café, dos poucos onde ainda aceitam clientes com tempo, e, encantado, passei uma hora a ler e a desler o que lia. Lembrei-me até de um amigo que, quando estava perante alguém que presumia saber o que não sabia, aplicava um golpe de misericórdia na altiva e estreita auto-suficiência, atirando-lhe: "Tens uma cultura de 'Borda d'Água'."

Era justo, mas malévolo, o meu amigo! Quem nos dera que os ignorantes de hoje tivessem a sabedoria dos ignorantes de ontem, aquela que o almanaque transmite, desde há muitas décadas, no seu calendário de presságios, prevenções, previsões e prudências. Essa simples sabedoria, é-nos, como a terra dos hebreus, prometida logo na capa sob a fórmula eloquente: "Reportório útil a toda a gente contendo todos os dados astronómicos e religiosos e muitas indicações úteis de interesse geral." Assim é! Naquelas folhas lentas e minuciosas, de um design que já foi mau e, por ser o mesmo, agora é bom, se conhecem os feriados civis e religiosos, as festas, feiras e romarias, os oragos, padroeiros, protectores e patronos, as efemérides, lembranças e memórias. Ali, lemos aforismos, adágios, provérbios, rifões e anexins. E temos tudo sobre hortas, jardins e pomares. Ali, aprendemos o que devemos semear, plantar e colher. E quando devemos vacinar, castrar, tosquiar e fazer cobrir os animais. Ali, vemos a que horas o Sol nasce e se põe, qual é a vida da Lua, se há bom ou mau tempo, e qual é o movimento das marés. Ali, há astronomia, astrologia, meteorologia, religião, agronomia, etnografia, história, botânica, zoologia e filosofia para todos. Ali, citam-se Aristóteles, Oscar Wilde, Vinicius de Moraes e António Aleixo. Ali, aprendemos a ganhar o que nos faz falta e a poupar o que nos pode vir a fazer.

Não há viagem mais prevista e inesperada do que esta. Nela, passamos pelo que sabemos e pelo que ignoramos, por aquilo em que acreditamos e por aquilo de que duvidamos, pelo que nos interessa e pelo que nos é indiferente Sabendo que o conselho mais eficaz é o que damos a nós próprios, o almanaque cita Sócrates, acrescentando tratar-se do grego: "Não fiquem adormecidos no sono fácil das ideias feitas." Como a vida, o "Borda d'Água" atravessa os tempos e as alturas, da mais chã à mais elevada. Fala dos "dias vividos e dos dias a viver". Informa que "2009 será dominado por Júpiter e terá um Inverno temperado, uma Primavera ventosa, um Verão aprazível e um Outono chuvoso". Recomenda, para os jardins de Setembro, "semear amores-perfeitos, begónias, cravos, gipsófilas, margaridas, malmequeres, miosótis, papoilas. Plantar bolbos, jacintos, tulipas e narcisos". E afirma que os nativos de Leão, como eu, "no amor, são sedutores e conquistadores." Só por conhecer isto o meu coração se alegrou, na tarde que começava a ser minha...
(in Expresso)

Assim vai o mundo...

quarta-feira, setembro 03, 2008

O mundo de Obama...

Foi pedido aos dois candidatos à presidência dos EUA que escolhessem as dez canções favoritas! Até aqui prefiro Obama.

Ready or nor (Fugees)



What's going on (Marvin Gaye)



I'm on fire (Bruce Springsteen)



Gimme shelter (Rolling Stones)



Sinnerman (Nina Simone)



You'd be so easy to love (Frank Sinatra)



Think (Aretha Franklin)



City of blinding lights (U2)



Yes we can (will.i.am)



Assim vai o mundo...

segunda-feira, setembro 01, 2008

O mundo dos EUA...

Obama pode perder as eleições de Novembro. Porque são os americanos a votar. Leiam o texto de Miguel Monjardino...

'Yes, he can'

De quatro em quatro anos, os europeus têm durante o Verão um sonho americano. Durante este agradável sonho, os americanos elegem um presidente sofisticado, intelectual, progressista, educado nas melhores universidades do país, eloquente, curioso em relação às mais recentes políticas públicas e ao que se passa no estrangeiro. Nessas abençoadas semanas, os europeus acordam optimistas em relação ao futuro do Velho e Novo Continente.

O problema é que a seguir vem o Outono. E com o Outono vem o choque e o pavor. O presidente ardentemente desejado no Velho Continente perde para um candidato conservador, anti-intelectual, céptico em relação ao papel do governo federal, adepto do mercado, retrógrado em questões sociais, religiosas e judiciais, partidário da pena de morte e apologista das virtudes do poder militar americano. Será que este ano vamos ter uma enorme desilusão europeia em Novembro?

Eu sei, eu sei. A pergunta parece completamente ridícula. Para começar, George W. Bush, é um Presidente extremamente impopular. No mês passado, apenas 33% dos americanos apoiavam a maneira como Bush estava a exercer o seu mandato. 65%, a mais alta percentagem de sempre, tinham uma opinião negativa do seu Presidente. O preço dos combustíveis é extremamente elevado, as dúvidas sobre o sistema bancário e a economia são grandes e o cepticismo em relação ao estado do país e à sua influência internacional é geral. Os republicanos são tão impopulares que em Novembro os democratas têm uma excelente hipótese de aumentar a sua maioria na Câmara dos Representantes e de conseguir entre 56 e 60 lugares no Senado. Como o senador Charles Schumer (democrata/Nova Iorque) disse na quarta-feira à noite, em Denver, Novembro é uma oportunidade única para a coligação democrata. Com os republicanos claramente do lado errado da história, a possibilidade de Barack Obama perder para John McCain é praticamente nula. Certo?

As últimas semanas mostraram que a vitória de Obama não é inevitável. Por mais que custe a muitos europeus, a verdade é que a resposta à pergunta "Será que Obama pode perder?" é "Yes, he can!" A actual eurobamania está rodeada de grandes triunfos mas também de vulnerabilidades importantes. Os triunfos estão associados a questões políticas, sociais e organizacionais. A nomeação de Barack Obama como candidato presidencial dos democratas na quarta-feira à noite, na véspera do 45º aniversário do célebre discurso de Martin Luther King "I Have a Dream", no Lincoln Memorial em Washington, DC, foi um enorme momento político e social na história dos EUA. Há um ano, praticamente ninguém acreditava que Obama pudesse derrotar a poderosa e supostamente bem organizada campanha de Hillary Clinton. Joshua Green mostra no seu artigo 'The Front-Runner's Fall' ('Atlantic Monthly'/Setembro), como a campanha de Clinton se transformou rapidamente num caos tóxico. Uma gestão criteriosa da sua equipa, uma excelente organização, inovações ao nível do financiamento da sua campanha e uma retórica política de grande nível permitiram a Obama surpreender tudo e todos nas primárias dos democratas.

As vulnerabilidades têm a ver com as dúvidas dos americanos em relação a Obama. Para muitos europeus, o candidato presidencial dos democratas é extremamente bem conhecido e, obviamente, devia estar muito à frente nas sondagens. John McCain devia estar para lá do horizonte. Devia, mas não está. A meio da semana, praticamente todas as sondagens mostravam aquilo que para todos os efeitos é um empate entre McCain e Obama. Em termos de distribuição de votos no Colégio Eleitoral que elegerá o presidente, Obama tem uma vantagem de apenas dez votos. Peggy Noonan, uma astuta observadora da cena política americana, explica na sua coluna 'They're paying attention now' ('Wall Street Journal', 22 de Agosto) porque é que Obama não está claramente à frente de McCain.

"É difícil para a nossa classe política recordar que Obama só é famoso na América desde o Inverno de 2008. A América encontrou-o há apenas seis meses! A classe política entrevistou-o pela primeira vez ou leu a entrevista, em 2003 ou 2004, quando ele era uma estrela em ascensão. Eles conhecem-no. Todos os outros estão ainda a prestar atenção. Isto é o que eles vêem. Um homem atraente, inteligente, interessante mas... é difícil de categorizar. É o general Obama? Não, não tem passado militar. Brilhante homem de negócios Obama? Não, nunca trabalhou em negócios. Nome famoso Obama? Não, é um nome novo, um nome pouco usual. Governador durante muitos anos no Sul? Não. É um activista e gestor comunitário (o que é isso?), depois um advogado (búuu), depois um legislador estadual (e depois?, o meu primo também é), depois senador (há menos de quatro anos!). Não há nenhuma categoria pré-existente para ele".

Obama ainda não convenceu uma maioria clara dos americanos. Os próximos 68 dias prometem uma extraordinária campanha presidencial.
(in Expresso)

Assim vai o mundo...

domingo, agosto 31, 2008

O mundo do ventriloquismo...

Terry Fator foi o improvável vencedor do America's Got Talent! Uma combinação de ventriloquismo, música e imitações. Vejam...













Assim vai o mundo...

sábado, agosto 30, 2008

O mundo português nos Jogos Olímpicos...

Decidi deixar passar uma semana para a poeira assentar e as cabeças esfriarem quanto à participação portuguesa em Pequim... Muitos artigos (Daniel Oliveira, Henrique Raposo,António Pinto Leite, etc) mostraram o bom e sobretudo o mau!

Falemos já das declarações. Foram infelizes! Fosse como desculpa, como acusação, como auto-complacência. E nem Vicente Moura escapou. Um dirigente tão experiente já deveria conhecer a psique do público e dos atletas. Confiar na delegação, aumentar a auto-estima e apreço pela representação portuguesa só teria efeitos positivos; mas a promessa de resultados e medalhas só pode resultar em pressão e desilusão. E as justificações dos primeiros atletas que ficaram áquem das expectativas resultaram numa bola de neve de afirmações infelizes que nada dignificam quem as proferiu. O grande bode expiatório acabou por ser Marco Fortes quando disse "De manhã, só é bom na caminha, pelo menos comigo!". Lida assim só podemos pensar que é uma brincadeira. Mas por trás deste comentário jocoso está uma inadaptação clara ao fuso horário de Pequim e às implicações no treino desportivo. Podemos dizer que então fosse mais cedo! Mas Marco Fortes não tinha condições nem dinheiro para tal. Falarei mais à frente das bolsas, mas a título de exemplo ele recebeu do COP uma bolsa de 500 euros durante seis meses. Não é com certeza o maior gastador de dinheiro contribuinte. E podemos dar tanto mais razão à queixa do fuso horário de Marco, porque ele ficou a dois metros do seu próprio recorde. Ora isto só se explica com dificuldade física, não tanto psicológica. Já por exemplo a Naíde foi mais uma questão psicológica. OS dois primeiros saltos foram uma elegia ao desempenho físico, mas infelizmente nulos. O terceiro e último salto foi uma luta contra o medo de falhar. Por isso aqueles passinhos de indecisão perante uma eminente eliminação não permitiram que Naide passasse à final. Ela representa um país, mas acima de tudo representa uma vontade individual. Muitas horas de treino, muito sacrifício! Daí as palavras dela: "Estou parva, fiquei sem reacção. Tantos anos de trabalho, nem consigo chorar!". É o choque misturado com sinceridade. Nem o desgosto consegue passar a apatia. Uma das nossas maiores esperanças foi uma das maiores deilusões. Mas tal como Naide não conseguimos chorar...

Os resultados não foram os esperados. As expectativas eram 4 a 5 medalhas e 60 pontos. Acabamos nas duas medalhas e 28 pontos. Muito abaixo dos 44 de Atenas. Talvez a expectativa tivesse muito alta. Os numeros nunca deviam ter sido revelados. Pelos menos não publicamente. Devia ter havido uma responsabilização dos atletas mas não uma pressão mediática. Todos sabiamos que Telma Monteiro, João Neto, Francis Obikwelu, Naide Gomes, Gustavo Lima, João Costa, Vanessa Fernandes e Nélson Évora eram medalháveis. Dois deles conseguiram. Gustavo ficou em quarto. Houve muitas desilusões por esse mundo fora. Desde logo o favorito chinês Liu Xiang, a maior vedeta no seu país e que ficou de fora da final por causa de uma lesão. Aconteceu a todos. Não foi fado português. É o fado do desporto.

Falemos das bolsas. Os atletas foram divididos por níveis. Entre qualificados e medalháveis, há 4 níveis que dão direito a bolsas dos 500 aos 1250 euros por mês. Podemos dizer que é uma soma elevada, mas pensemos que são os atletas que se dedicam inteiramente a treinar. São os medalháveis. São oito ao todo, e em que dois ganharam medalhas. Pode-se dizer que nem é uma marca má. Aliás, até podemos pensar que os resultados gerais não são maus. Mas depois olho para outros países e tenho de comparar. A Jamaica tem cerca de 2 milhões de habitantes com um PIB per capita abaixo do nosso. E conseguiu 11 medalhas (6 de ouro), ou seja, no 13º lugar do quadro. O que dizer? Que são geneticamente mais fortes? Talvez. Que tem melhores condições de treino? Talvez. Talvez o espírito, talvez a vontade... Talvez muitas coisas...

O futuro do nosso olimpismo, passa pelo futuro do nosso desporto. Vicente Moura, depois de ter reconsiderado manter-se à frente do COI português, pediu mais verba para Londres 2012. Até posso compreender que seja necessário mais fundos, mas também acho bem que se exija profissionalismo e resultados aos atletas.

Uma última nota para RTP! Uma enorme cobertura com imensas horas de Jogos, mas um pouco perdida em termos de horários e modalidades. A cobertura do Eurosport foi mais organizada. Os comentários ficaram muito a desejar, sobretudo nas modalidades colectivas. Ao menos foram belas madrugadas de desporto...

Assim vai o mundo....

quinta-feira, agosto 28, 2008

O mundo da música...

Ontem na 2, foi a vez dos Mesa tomarem conta do espectáculo... Música boa e uma vocalista carismática...









Assim vai o mundo...

O mundo da política...

Tenho seguido a convenção do Partido Democrata americano. Segui anteontem o discurso emocionado de Michelle Obama, ontem ouvi Hillary a apoiar Barack, hoje ouvi Bill Clinton a unir o partido e ouvi também Joe Biden, o candidato a vice-presidente. Foram bons discursos, empolgantes. Fiquei agradavelmente surpreendido com a capacidade e preparação de Biden. Depois da sinistra figura de Cheeney, parece-me que há uma figura capaz de ser o nº2 dos EUA....

Assim vai o mundo...

terça-feira, agosto 26, 2008

O mundo da música...

Magnífico o concerto dado na RTP 2: Cinema de Rodrigo Leão no Fórum Lisboa. Aqui ficam pérolas...











Assim vai o mundo...

O mundo olímpico...

Acabaram anteontem os Jogos Olímpicos de Pequim e iniciou-se a 30ª Olimpiada que terminará com os Jogos Olímpicos de Londres. Os chineses quiseram organizar os melhores Jogos de sempre, e apesar de bom trabalho, algumas coisas não foram muito positivas. A vistosa cerimónia de abertura acabou por ficar algo manchada pela descoberta da manipulação digital do fogo de artifício fora do estádio e sobretudo pela mudança de última hora da jovem intérprete de uma das canções (a bela menina faz playback e a menos bela cantou atrás de uma cortina). Sem dúvida que a imagem da perfeição era o que as autoridades chinesas procuraram mostrar. Por acaso achei a Cerimónia de Encerramento mais simples mas mais bonita. Por outro lado, não sei a verdadeira razão, estes jogos duraram menos dias. Apenas 16 dias para cerca de 40 modalidades tem um preço a pagar: muita coisa ao mesmo tempo. Bem sei que primeiramente a competição é para os atletas e não para os espectadores, mas assim tornou-se impossivel seguir muita coisa. Tivemos uma primeira semana dominada pela natação e uma segunda dominada pelo atletismo. E nestas modalidades surgiram as duas figuras mais faladas: Michael Phelps e Usain Bolt. No que toca a Phelps, por muito que falem nos fatos e no Centro Aquático "Cubo" (um edifício belíssimo e, mais importante, funcional), ele é um atleta notável. Nadou 14 vezes em 9 dias, ganhou oito medalhas, quebrou 7 recordes do mundo e manteve quer a humildade quer a simpatia. Um campeão que merece todo o destaque. Usain Bolt era visto como um favorito mas as suas vitórias nos 100m e 200m (para além da estafeta 4x100m) foram de tal forma evidentes (dois recordes do mundo) que só se pode louvar tal feito. Aliás, condeno de todo as declarações de Jacques Rogue (ver o artigo do meu caríssimo homónimo). Aliás tivemos vários exemplos de olimpismo nos atletas. Estórias que foram sendo contadas e que ficarão na História... Para a História ficarão também as medalhas, e aqui uma polémica! A China ganhou mais medalhas de ouro e os EUA mais medalhas em conjunto. O que é mais importante? Ora, até hoje, não se punha este problema porque os EUA tinham as duas vertentes, mas agora temos este imbróglio. Ao falar com um amigo, ele propôs uma bela solução: fazer uma gradação das medalhas, ou seja, a de ouro valeria 100, a de prata 75 e a de bronze 50. Isto tornaria mais exacto aquilatar o valor das medalhas. Nesse caso, os EUA ganhariam a primazia... Um último ponto que me esqueci de falar há pouco! A redução dos dias de competição fez com que as finais do voleibol, andebol e basquetebol se sobrepusessem. Ora, sabendo que são modalidades muito acompanhadas no mundo, acho uma estupidez inclassificável. Assim como por a final do futebol para o 12h de Pequim, obrigou o árbitro a parar o jogo duas vezes para os jogadores se hidratarem. Bem, resta-me o consolo que daqui a 4 anos, o meridiano (fuso horário) é o mesmo de Portugal.
Amanhã falarei de Portugal e da sua participação nos Jogos.

Assim vai o mundo...

segunda-feira, agosto 25, 2008

domingo, agosto 24, 2008

O mundo do jet-set...

Na revista Única de ontem, Lili Caneças dá uma longa entrevista sobre a sua substância e conteúdo... Não me convence! Não ponho em dúvida a cultura e inteligência de Maria Alice Carvalho (seu nome verdadeiro), mas Lili Caneças estrangula a verdadeira pessoa com a sua necessidade de dizer que é fantástica e que Portugal é um país mediocre. Ninguém obriga Lili Caneças a viver cá. Por mim, figuras assim estariam bem longe! Afirma ela que Lili Caneças morre com essa entrevista e a partir de agora só existe Maria Alice Carvalho. Espero sinceramente que sim e que Maria Alice Carvalho nos mostre algo de bom...

Assim vai o mundo...

sábado, agosto 23, 2008

O mundo dos jornais...

Gostei desta crónica de Paula Moura Pinheiro...

O que é uma cidade?

LUANDA é uma cidade mais interessante que Berlim.
Sob o persistente capacete de pó das suas ruas de asfalto escalavrado e terra batida, intransitável nas compactas filas de jeeps de último modelo e velhos toyotas remendados, ensurdecedora, sem saneamento minimamente adequado, na coabitação caótica dos musseques com os jovens edifícios "hightech", de incríveis prédios-colmeia com gruas e novas fundações, na decadência dos seus edifícios coloniais, intensamente habitados, usados, reciclados, Luanda é uma cidade mais interessante que a disciplinada Berlim.
O que faz de Luanda uma cidade mais interessante que Berlim? Não, seguramente, a chamada qualidade de vida, "qualidade devida" - na expressão de Luísa Schmidt.
O que faz de Luanda uma cidade mais interessante que Berlim é... a vida. Luanda é uma cidade vibrante, com um comércio febril (nos intermináveis engarrafamentos é possível comprar volantes de automóvel, grelhadores ou a versão local da "motorolla": sanduíches com pasta de atum ou outro recheio à escolha, montadas ali mesmo, aos olhos do cliente), uma cidade onde o presente é permanentemente reinventado, onde todos desenvolvem os seus expedientes à velocidade de uma procura sempre mutante, que é outra forma de dizer iniciativa.
Frenética iniciativa privada, em que se respira a urgência de um futuro que pode ser qualquer coisa de inesperado. Excitante.
Vinte anos depois do incêndio do Chiado, Lisboa, e a zona do Chiado em particular, é também interessante. E é interessante apesar de tão mal gerida. Em rigor, o que torna Lisboa uma cidade interessante acontece à revelia das (alegadas) políticas camarária, urbana, metropolitana. Três exemplos: a loja da Fnac fez mais pela revitalização do Chiado que os sensatos edifícios do erudito Siza Vieira, os precários bares da íngreme Bica ou o assimétrico multicolor dos imigrantes fazem mais pelo cosmopolitismo efervescente da cidade que os seus hotéis de "design" ou casas como a Hermès e a Cartier - cuja coexistência, há que reconhecê-lo, é boa.
Quero com isto dizer que dispensamos a boa gestão autárquica? Não. Quero dizer que uma cidade é muito mais que o seu desenho previdente. Que no início do século XXI temos já a obrigação de saber que o núcleo duro da vida das cidades escapa sempre por entre os dedos aos seus planos e às suas políticas. E que é na aguda consciência da complexidade das coisas que devemos operar.

Paula Moura Pinheiro
(in Expresso)

Assim vai o mundo...

O mundo dos jornais...

A crónica sobre as férias do melhor cronista português...

Férias

São, em cada ano, o caminho aberto na floresta fechada dos dias. Amuleto e fetiche, causa das causas e consequência das consequências, tudo o que elas nos dão ou tiram fica inscrito na terra do nosso passado e no céu do nosso futuro. Partimos! Partimos para férias, e nessa partida há uma chegada ao nosso desejo e àquilo em que nele nos mudamos. Partimos para férias, querendo, de nós, levar apenas o que é leve e dúctil, deixando para trás o que é pesado e rígido. Partimos como se nos reerguêssemos da nossa sepultura interior, Lázaros de uma ressurreição solar e sagrada. Partimos para férias, como se elas nos dessem a chave da porta do castelo da infância, aquele onde escondíamos o nosso mundo encantado e os nossos segredos audaciosos. Partimos, e nessa partida há um cansaço descansado, feito de ansiedade de renovação e de memória de alegria.
Agora, fazemos as malas. Pomos nelas as roupas que nos restituem o corpo, qualquer que ele seja. Levamos aí os livros que queremos ler - e os que queremos voltar a não ler, pois, em anos anteriores, já por três vezes os levámos e por três vezes os negámos, não os abrindo. Pomos nelas as pequenas coisas dos grandes momentos e as grandes coisas dos pequenos momentos. Cada mala de férias é um gabinete de amador, uma caixa chinesa, uma "matrioska", um contador indo-português portátil. É uma ordem que, ao fim de uns dias, se transformou em caos. É o retrato instantâneo de uma disposição anunciada e de uma vontade traída. Lá vamos, com o dentro fora de nós e o fora dentro de nós. Vamos e, quando lá chegamos, somos nós que estamos à nossa espera!
As férias são o que são: pé a despegar-se do lodo da vida, mão a afastar o eixo do mundo. São o que são, porque nos dão um outro eu, um outro tempo, um outro espaço. Mesmo para os que ficam onde sempre estão, esse estar é outro. As férias são o fio de Ariadne que nos faz sair do labirinto dos dias e dos lugares habituais. E são o alimento que, anualmente, damos como tributo ao Minotauro para que não nos devore.
Chegamos, finalmente. Olhamos o mundo - ele é o espelho onde nos vemos. Respiramos a vida e o seu sopro selvagem. Estamos mais atentos e mais distraídos. Mais atentos aos fins, mais distraídos dos princípios. As nossas mãos acalmam-se imperceptivelmente, trocam a rapidez pela lentidão, repousam em tudo o que tocam - e há nelas uma música muda. Abrimos as portas, as janelas, os armários, as gavetas. Há sempre coisas a mais ou a menos! Nada cabe onde devia caber. Arrumamos o que trazemos, e tudo fica em equilíbrio instável. Mesmo em férias, o mundo não coincide connosco. Mas aquele vento que corre ao fim da tarde cobre todos os anseios e todos os receios.
Estamos. As férias são o tempo do grande sono. Dorme-se até tarde e dorme-se de tarde. Dorme-se um sono sem fronteiras, sem pressas, sem horas, sem limites. Dorme-se até ao fim do sono - até ao fim do sono em nós, até ao fim de nós no sono.
As férias são o tempo paradoxal da viagem e do amor. Vamos e vimos. Achamos e perdemos. Agarramos e deixamos. Lembramos e esquecemos. São o tempo da viagem do amor e do amor da viagem. São o tempo das ascensões e das quedas, dos ritmos extremos, sem meio: velozes ou vagarosos. São o tempo de um infinito de bolso.
As férias, na praia ou no campo, são um século XIX eterno, o tempo dos impressionistas e da natureza raptada. São o instante e a sua luz, o movimento e a sua paragem, o repouso e o seu silêncio, o mar e o seu brilho, o vento e a sua fuga, o verde e o seu sossego, a árvore e a sua sombra, a água e a sua frescura. São um Musée d'Orsay itinerante, com mais algumas salas da National Gallery e outras do Metropolitan Museum...
As férias são o tempo que se nos entrega a nós para que nos entreguemos a ele. Mas, porque há tempo para nos medirmos, são também, muitas vezes, os dias dos fantasmas, das cisões, das suspeitas, das crises, das saturações. Partimos para vir curados e regressamos ainda mais doentes.
Como quase tudo o que na vida chamamos nosso, as férias caminham para nós e apanham-nos de lado. São a nossa superstição anual. E, às vezes, a nossa obra-prima.

José Manuel dos Santos
(in Expresso)

Assim vai o mundo...

sexta-feira, agosto 22, 2008

O mundo da comédia...



Foi com enorme surpresa que soube da morte de Bernie Mac... Um comediante fantástico, um actor seguro... Uma pneumonia levou um dos membros do Oceans Eleven... Uma perda...

Assim vai o mundo...

quinta-feira, agosto 21, 2008

O mundo olímpico...

Parabéns ao Nelson Évora e também à Vanessa Fernandes... No fim dos Jogos farei uma análise mais profunda a tudo isto...

Assim vai o mundo...

terça-feira, agosto 19, 2008

O mundo dos direitos...

A Sara é uma amiga que luta por aquilo em que acredita. Nos últimos anos tem-se dedicado a denunciar ao mundo, situações de violação de direitos humanos. Aqui está uma pequena versão do vídeo "Torcha Tibetana". Divulguem...



Assim vai o mundo..

segunda-feira, agosto 18, 2008

O Mundo de férias...

Foram uns dias de férias em Mira mas já estou de volta...

Assim vai o mundo...

quarta-feira, agosto 13, 2008

O mundo dos jornais...

Para mim o melhor cronista portugues: José Manuel dos Santos...

Aviso

Quando me levantei, olhei o céu e vi que ele traía o Verão: apagado, metálico, fatigado. E o mar estava sujo e fechado como um poço. No ontem daquele hoje tão triste, na face alta da noite cintilavam os astros puros a anunciar um amanhecer altivo. Mas tudo foi mudando. Pouco a pouco, as estrelas emudeceram, ausentaram-se, desistiram, falharam, deixando um rasto cego e uma vastidão vazia e escura. Um dia destes, no Inverno, é um acerto e uma aceitação. No Verão, este dia é um erro e uma sedição.
Quando olhei o céu, vi que a chuva ameaçava a nossa pouca vontade de a ter. Havia na atmosfera uma luminosidade viscosa, um cheiro oblíquo, um relâmpago baixo. Existia uma preguiça do sol, uma fuga do brilho, uma cobardia do clima, uma abdicação do tempo. Havia nódoas de sombra na luz e uma poeira de frio no ar. Como num Alcácer Quibir cósmico, o sol tentava avançar, mas era contido: acabou derrotado e desaparecido. Nesse hoje, havia um intervalo no calor, um tremor no dia, um Inverno de bolso dentro do Verão ardente.
Quando me levantei e vi o céu perdido para a alegria, pensei, aproximando-me daqueles que não renunciam inteiramente ao pensamento mágico, que assim é muitas vezes a vida: móvel, imprevista, mutável, inesperada, abrupta. Nós é que fazemos tudo para esquecer essa ameaça, tornando-a regular, reles e rotineira. Mas, a cada passo que damos sobre o chão da vida, ele pode abrir-se debaixo dos pés. É por aí que tantas vezes nos sumimos, perante os nossos olhos surpreendidos e assustados. Hoje, o dia estava nublado e tudo morria um pouco em nós. Era como se o céu fosse assim para nos lembrar que nada está para sempre dado, adquirido ou salvo. Aquelas nuvens longas, largas e lentas eram a bandeira de uma rendição, a pedra de armas de um palácio em ruínas.
Na Antiga Grécia, em Éfeso, na Jónia, seis séculos antes de Cristo, Heraclito, olhando o rio e o seu correr contínuo, declarou: "Tudo flui" e "nada permanece, senão a mudança". Vendo que "a natureza gosta de se esconder", falou da guerra e da paz dos opostos, do seu conflito e da sua unidade, afirmando que cada coisa é gerada no seu contrário: a morte na vida, o frio no calor, a beleza na fealdade, a doença na saúde, a fadiga no repouso, a saciedade na fome. Assim, o ser gera o devir, pois esse é o ser do ser. Heraclito travou um combate de contrários com Parménides, aquele que, em Eléia, escutando o silêncio que há por detrás do barulho, defendia que "o ser é e não muda", pois "toda a mudança é ilusão". Afinal, se for verdade aquilo em que Heraclito acreditava, talvez os dois, tão inversos um do outro, estivessem mais ligados do que pensavam.
Quando criam, os artistas fazem uma travessia, ora lenta, ora rápida, pelo mar dos opostos: passam da sombra à luz, do impreciso ao nítido, do informe à forma, do inconsciente ao consciente, do vulgar ao sublime, do esquecimento à memória. E sabem que o caminho que sobe também é o caminho que desce. A passagem inesperada do Verão ao Inverno e do Inverno ao Verão é uma alegoria e um aviso. Nessas passagens súbitas e nos seus desvãos habita a mais pesada leveza, a mais escura claridade, a mais veloz lentidão, a mais firme hesitação. Poucos como Camilo Pessanha captaram essas mudanças subtis, essas trocas de estação, esses sinais de passagem, esses clamores do silêncio, esses erros da natureza. Diz ele: "Floriram por engano as rosas bravas/ No Inverno veio o vento desfolhá-las.../ Em que cismas, meu bem? Porque me calas/ As vozes com que há pouco me enganavas?" E raros como Cesário Verde cobriram a distância entre os tempos e os espaços, num salto em que o Verão do mundo gera o Inverno da alma: "Foi quando em dois verões seguidamente a Febre/ E a Cólera também andaram na cidade,/ Que esta população, com um terror de lebre,/ Fugiu da capital como da tempestade." E assim tudo se torna o que não é.


Assim vai o mundo...

O mundo da música...

Morreu.. Deixará saudades, mas a sua música existe para sempre...







Assim vai o mundo...

sábado, agosto 09, 2008

O mundo dos famosos...

Bom ver que o Pedro está a reagir bem aos problemas pessoais...

Assim vai o mundo...

sexta-feira, agosto 08, 2008

O mundo português...

O assalto transformado em sequestro de ontem veio trazer a público alguns debates. É absurdo estar a dizer que todos os brasileiros são criminosos mas é óbvio que o facto de alguns imigrantes poderem estar ilegais e sem condições de vida, pode torna-los criminosos. A actuação da polícia foi a possível. Não sou a favor que as forças de autoridades matem por matar mas quando há reféns e armas, sou completamente a favor do uso da força. Tenho pena, mas as pessoas que decidem cometer um crime em que põe em risco outras pessoas, deixo de conseguir colocar-me no lugar deles...

Assim vai o mundo...

O mundo dos filmes..

Gosto muito de filmes de assaltos! E este Italian Job é um bom filme de assaltos...



Assim vai o mundo...

O mundo Olímpico...

Começam hoje oficialmente os Jogos Olímpicos. Como amante de desporto, seguirei tudo que puder. Para já a Cerimónia de Abertura! Mostra o que é a China: inúmeras pessoas e uma mecanização impressionante. Foi obviamente um espectáculo deslumbrante. Aliás, parece que a cada nova edição os países tem de superar o anterior. Depois há momentos que ficam para sempre. Lembro-me de dois: Misha, a mascote de 1980 que chorou na despedida e pôs toda a gente a chorar; e quando a chama olímpica foi acesa em Barcelona 92 com uma flecha em chamas...





Assim vai o mundo...

quinta-feira, agosto 07, 2008

O mundo da política...

Neste pequeno texto, José Cutileiro, um dos nossos melhores embaixadores de sempre, explica um pouco dos EUA e seus presidentes...

O homem mais poderoso do mundo

Os americanos são o único povo sobre a face da terra convencido de que o Criador lhes deu o direito à felicidade. Vem logo no começo da declaração de independência de 1776 e, até agora, ainda disso se não desimaginaram: sempre que críticos de fora ou raros pessimistas locais julgaram que, depois de bordoada grossa, dessa vez eles se iriam levantar do tapete com a crista murcha e sem sangue na guelra, os críticos enganaram-se. Neste nosso tempo, depois de sete anos e meio de George W. Bush, começados com fanfarra e acabados em desastre (duas guerras caras e impopulares, sem fim - quanto mais vitória... - à vista, uma crise financeira que ameaça meter num chinelo o grande "crash" de 1929, a imagem da América no resto do mundo anda pelas ruas da amargura) parecerem ter dado conta do gigante enquanto as economias de China e Índia crescem como bambus e a Rússia, a boiar num mar de petróleo e gás, arrota postas de pescada, de repente, da Califórnia a Massachusetts, de Montana ao Texas rompeu do fundo das almas um vendaval de esperança que fez das primárias presidenciais espectáculo de vigor moral e político de que me não lembro igual em regimes democráticos estabelecidos. (É mais costume encontrar fé inabalável na democracia em lugares onde esta não tenha chegado ainda: por exemplo, nas primeiras eleições gerais livres da África do Sul em 1994; no referendo da independência de Timor-Leste em 1999).
Atordoado por uma sucessão de infortúnios o país precisava de ressuscitar a crença na felicidade sobre a terra, de encontrar quem o fizesse sonhar outra vez. Acontece-lhe ciclicamente; no século passado em 1932, quando elegeu Franklin D. Roosevelt que morreu de morte natural já no quarto mandato e tinha derrotado Hitler; em 1960, quando elegeu John F. Kennedy que foi assassinado três anos depois mas deixou mito revigorante que ainda dura; e em 1980, quando elegeu Ronald Reagan que nos dois mandatos que a lei lhe consentia curou os Estados Unidos do traumatismo do Vietname e ganhou a Guerra Fria.
Agora, quando se julgava que Hillary Clinton iria ser a primeira mulher presidente dos Estados Unidos, surgiu Barack Obama, de pai queniano e mãe nascida no Kansas, formado por Harvard e único senador negro em Washington. Uma vaga de 'obamomania' cobriu a América e o mundo.
Sondagens mostram que, se fosse o mundo a votar, Obama seria sem dúvida o próximo inquilino da Casa Branca mas quem vota são os americanos, que estão muito mais divididos a esse respeito do que os europeus. Os sonhos da América profunda nem sempre parecem coincidir com os altos ideais e a visão do senador cosmopolita de Illinois.
Se Barack Obama ganhar a John McCain em Novembro é difícil prever que presidente dará. O homem é eloquente e bom político; numas coisas tem ideias excelentes, noutras más, noutras ainda não parece ter nenhumas. Com sorte poderá sair-nos na rifa um novo Ronald Reagan; com azar, uma espécie de Jimmy Carter com tese de doutoramento.
(in Expresso)

Assim vai o mundo..

quarta-feira, agosto 06, 2008

O Mundo..

O descanso do guerreiro...



Assim vai o mundo...

O mundo da música...

Bill Withers é conhecido pela música Ain't no sunshine when she's gone, mas este tributo à sua avó é belissimo. Aqui fica Grandma's hands..



Grandma's hands
Clapped in church on Sunday morning
Grandma's hands
Played a tambourine so well
Grandma's hands
Used to issue out a warning
She'd say, "Billy don't you run so fast
Might fall on a piece of glass
"Might be snakes there in that grass"
Grandma's hands

Grandma's hands
Soothed a local unwed mother
Grandma's hands
Used to ache sometimes and swell
Grandma's hands
Used to lift her face and tell her,
"Baby, Grandma understands
That you really love that man
Put yourself in Jesus hands"
Grandma's hands

Grandma's hands
Used to hand me piece of candy
Grandma's hands
Picked me up each time I fell
Grandma's hands
Boy, they really came in handy
She'd say, "Matty don' you whip that boy
What you want to spank him for?
He didn' drop no apple core"
But I don't have Grandma anymore

If I get to Heaven I'll look for
Grandma's hands

Assim vai o mundo...

terça-feira, agosto 05, 2008

O mundo português...

A notícia das massagens já era parva, mas esta ainda é pior...

É proibido distribuir maçãs nas praias algarvias
Terceira proibição em menos de um mês pelo comandante Reis Ágoas

Soma e segue. Reis Ágoas, comandante da zona marítima do Algarve, em menos de um mês proibiu a pratica do kitesurf e windsurf na Ria Formosa, massagens comerciais nas praias, e agora, a distribuição de maçãs também nas praias algarvias.
A notícia avançada pela TSF, que cita o Correio da Manhã desta terça-feira, diz que Reis Águas considera que a iniciativa da Fundação Portuguesa de Cardiologia e da Associação de Produtores de Alcobaça não passa de publicidade.
A associação estava a distribuir maçãs gratuitamente como o fez em 2007 em praias de Aveiro e Lisboa. O presidente da associação, Jorge Soares, diz que o objectivo da acção era o de sensibilizar para os benefícios de comer maçãs.
Esta acção, um projecto em parceria com a Comissão Europeia e o ministério da agricultura, tinha como objectivo combater a obesidade.
No entanto um porta-voz da Marinha considerou à TSF via comunicado, que o Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) Vilamoura-Vila Real de Santo António proíbe todas as actividades de marketing e publicidade nas áreas concessionadas.
O porta-voz acrescenta que este tipo de campanhas causam incómodos aos utentes e provocam conflitos com os outros usos próprios das praias.
(visto aqui)

Assim vai o mundo...

segunda-feira, agosto 04, 2008

O mundo do cinema...

Que má notícia li agora na LUSA...

O actor norte-americano Morgan Freeman, 71 anos, vencedor de um Óscar, encontra-se hospitalizado em Memphis em consequência de um acidente de viação no Mississipi.
Kathy Stringer, porta-voz do Centro Médico Regional, precisou que o actor se encontra em estado grave.
Ashley Norris, gerente do Ground Zero Blues Club, em Clarksdale, de que Freeman é proprietário, confirmou que o actor se encontra em estado crítico.
O acidente terá ocorrido em Tallahatchie County, no Mississipi.
Freeman recebeu o Óscar para Melhor Actor pelo seu desempenho em "Million dolar baby - Sonhos vencidos", de Clint Eastwood, em 2005.
O actor tinha sido já convidado por Eastwood para encarnar a figura do ex-Presidente sul-africano Nelson Mandela, num filme sobre a sua vida que deveria começar a ser rodado no início do próximo ano, intitulado "The human factor".


Assim vai o mundo...

O mundo das letras...

Morreu mais um Nobel de quem não conheço a escrita...

O escritor russo Alexandre Soljenitsyne, de 89 anos, figura maior da dissidência ao regime soviético e Prémio Nobel da Literatura (1970), morreu ontem à noite em Moscovo, anunciou a agência Itar-Tass, citando o seu filho, Stepan. O funeral realiza-se quarta-feira no cemitério do mosteiro Donskoi, em Moscovo.
Alexandre Soljenitsyne morreu "em consequência de uma insuficiência cardíaca aguda", domingo, às 23h45 (hora local), declarou o seu filho, citado pela mesma agência.
O Presidente russo Dmitri Medvedev exprimiu as suas condolências à família do escritor, anunciou a sua porta-voz Natalia Timakova, citada pela mesma agência.
Alexandre Soljenitsyne revelou ao mundo a terrível realidade dos campos de concentração soviéticos em obras como "Arquipélago Gulag" e "Um Dia na Vida de Ivan Denissovitch", que o escritor viveu na pele.
Prémio Nobel da Literatura em 1970, Soljenitsyne foi privado da sua cidadania soviética em 1974 e expulso da ex-URSS. Viveu na Alemanha, Suíça e Estados Unidos, antes de regressar à Rússia, em 1994, após o desmantelamento da União Soviética.
"No fim da minha vida, espero que o material histórico (...) que eu recolhi entre nas consciências e na memória dos meus compatriotas", disse o escritor em 2007 por altura da atribuição do prestigioso Prémio de Estado russo, atribuído pelo ex-Presidente e actual primeiro-ministro russo Vladimir Putin, que já indicou a morte de Soljenitsyne foi "uma grande perda para toda a Rússia".
"Estamos orgulhosos de o ter tido como compatriota e contemporâneo", declarou Putin. "Vamo-nos lembrar dele como uma personalidade forte, corajosa, de uma grande dignidade", acrescentou o primeiro-ministro, dirigindo um telegrama de condolências à família do escritor. "O seu compromisso literário e cívico, o seu longo e espinhoso destino permanecerão para nós como um exemplo de autêntica abnegação, ao serviço do povo, da Pátria, dos ideais de liberdade, justiça e humanidade", acrescentou.
O antigo Presidente soviético, Mikhail Gorbatchev, também indicou hoje que Soljenitsyne foi "um homem com um destino único" que foi um dos primeiros a "denunciar em voz alta o carácter desumano do regime estalinista". "Alexandre Soljenitsyne enfrentou provas difíceis, como milhões de cidadãos do seu país", declarou o pai da "Perestroïka" à agência russa Interfax.
Distinguido com o Nobel, não foi a Estocolmo recebê-lo
Nascido a 11 de Dezembro de 1918 no Cáucaso, Soljenitsyne aderiu aos ideais revolucionário bolcheviques daquele tempo, estudou Matemática e tomou parte como artilheiro na II Guerra Mundial, contra o III Reich.
Dos campos de batalha, em 1941, aos campos de concentração, em 1945, foi um passo, por ter ousado criticar a competência bélica do ditador Estaline.
Libertado em 1953, foi exilado para a Ásia Central, onde começou a escrever, viajando depois para Riazan, a duas centenas de quilómetros de Moscovo, para ser professor.
O sucessor de Estaline, Nikita Khrutchev, deu "luz verde" à publicação - na revista "Novy Mir" - de "Um Dia na Vida de Ivan Denissovitch", relato do quotidiano de um recluso nos gulag, editado a 18 de Novembro de 1962.
Uma onda de choque sacudiu a Rússia e a comunidade internacional, que abriu os olhos para uma realidade até então desconhecida. Tinha caído um tabu.
Soljenitsyne continuou a escrever, mas livros como "O Pavilhãos dos Cancerosos", ou "O Primeiro Círculo", tiveram de ser publicados clandestinamente e no estrangeiro.
O Nobel da Literatura foi-lhe atribuído em 1970, mas declinou ir recebê-lo a Estocolmo com receio de não poder regressar à Rússia, então sob o pulso de Brejnev.
Uma nova vaga de entusismo varreu o mundo, para fúria do Kremlin, que expulsou Soljenitsyne para o Ocidente, tendo-se radicado finalmente em Vermont, nos EUA.
Os ocidentais reparam entretanto que Soljenitsyne era um conservador ortodoxo e defensor acérrimo da cultura eslava, muito duro para com a sociedade de consumo.
Em 1994 voltou à Rússia e espantou toda a gente ao aprovar a segunda guerra na Tchetchénia desencadeada por Ieltsin, pedindo a pena de morte para os independentistas.
Aproximou-se depois do Presidente Vladimir Putin, louvando publicamente as suas qualidades.
(in Público)

Assim vai o mundo...

O mundo dos jornais...

Tenho um fascínio pelo fogo! Talvez por ser o meu elemento natural. Um dia destes falo sobre isto, mas hoje deixo José Manual dos Santos falar sobre ele...

Fogo

Perto de minha casa, havia aquele prédio imenso, multiplicado em várias portas. Numa delas, estava o alfaiate onde o meu pai mandava fazer os fatos. Eu acompanhava-o às provas: várias, longas e metódicas. Na primeira, conferiam-se as formas e os tamanhos. Na segunda, faziam-se os ajustamentos e passava-se aos pormenores, onde dizem que Deus acaba e o diabo começa. Ensaiava-se com exactidão o alcance das mangas (o punho da camisa tinha de se ver, mas não muito) e o cair da gola. Isso era o mais difícil: a gola não podia ficar nem muito subida nem muito descida. A procura desse meio termo aristotelicamente virtuoso demorava tempo e exigia gramática. Quero eu dizer: interjeições e interrogações. E o modo como o casaco caía nas costas era também o principal. O alfaiate, quando fiz o meu primeiro fato, ainda com calções até aos joelhos, pediu-me, mas como se me repreendesse, para me pôr direito e não levantar os ombros.

Ao lado do alfaiate, era a ourivesaria. A minha mãe gostava de lá ir. De comprar o que se lá vendia e de conversar com a senhora que, com modos corteses e medidos, passava o peso do ouro das suas mãos para as mãos das visitantes, recebendo em troca notas que a faziam sorrir e ser gentil. A senhora era subtil e falava da vida como se contasse um segredo. Hoje, sei que a minha mãe procurava ali um outro ouro, mais leve e mais fugaz do que aquele: o ouro do tempo, de que falava Breton ("Je cherche l'or du temps").

Foi nesse prédio a minha primeira escola. Irrequieto e curioso, os meus pais acharam que, mesmo dois anos antes do que seria normal, era bom - para mim e para eles - eu ir para essa aula particular onde a professora aceitava alunos antes da idade legal. Tinha ela métodos infalíveis para nos ensinar a ler, a escrever e a contar. A sentença imutável e sem recurso era: cada erro, cada reguada. Eu deixei de os dar para as deixar de apanhar. Quando fiz 6 anos e entrei, noutra escola, para a primeira classe, a professora que me recebeu surpreendia-se com a minha sabedoria, sem conseguir achar a razão do prodígio... Se fosse hoje, mandava-me para os psicólogos que acompanham os sobredotados. Por desconhecimento de causa, teria cometido um grave engano...

Havia aquele prédio da minha primeira escola e das minhas primeiras lojas. Numa tarde de Agosto, quando regressava a casa, fui arrebatado por um vento vermelho que crescia e crescia e crescia. O prédio ardia: ardeu até se negar. Eu já tinha visto incêndios, mas nenhum de tão perto e nenhum tão indomável. Os bombeiros levantavam-se sobre eles próprios, exaustos e enraivecidos. Corriam, mas era como se estivessem parados. Os moradores daquelas casas extintas, ao verem que ficavam apenas com a roupa que tinham no corpo, abriam a boca e gritavam para dentro deles e para dentro de nós um desespero mais puro e mais alto do que as chamas. Esses gritos, atirados à noite trémula e iluminada, ficaram para mim como a prova de que os homens se tornam deuses e animais no perigo. Deuses, porque querem morrer e não conseguem. Animais, porque os seus uivos são selvagens, contínuos e sem vergonha.

As horas sucediam-se como reis de uma dinastia louca, e o fogo continuava a devorar tudo, atravessando o nosso pânico e quase chegando à nossa casa. Passei a noite a olhar, assombrado, o oscilar daquela treva de luz, o correr daquela caligrafia incandescente, alta e destruidora. Nas noites seguintes, era como se não conseguisse fechar os olhos, pois sonhava que eles continuavam abertos. Ali fiquei, enquanto as cinzas não trouxeram a madrugada. Ali escutei, aterrado, aqueles gritos subumanos e nus. Durante muitos meses, era como se os meus ouvidos ainda estivessem num lugar diferente daquele onde eu estava.

O fogo atravessa, inextinguível, todas as mitologias e todas as literaturas. Gaston Bechelard, em A Psicanálise do Fogo, procura explicar essa persistência, falando de três complexos: o de Prometeu (que ele diz ser o Édipo da vida intelectual), de Empédocles e de Novalis. E diz que o fogo liga os dois grandes instintos, o de viver e o de morrer. Cada artista, cada cientista, cada escritor trabalha o fogo ou a sua ausência. É um pirómano em fuga: ladrão do fogo e seu adorador. Por isso, quando perguntaram a Jean Cocteau o que salvaria se a sua casa ardesse, ele respondeu: o fogo.


Assim vai o mundo...

domingo, agosto 03, 2008

O mundo da música..

Grande grupo português, de seu nome Old Jerusalem... Esta música é a Seasons...



Assim vai o mundo...

quinta-feira, julho 31, 2008

quarta-feira, julho 30, 2008

O mundo do youtube..

Não há nada que me faça emocionar mais do que talento puro... Os dois primeiros vídeos são pessoas que não tem formação musical mas com uma voz inacreditável... O último vídeo é diferente, um cantor profissional que depois de um acidente perdeu a voz e conseguiu recuperar para falar e até cantar. O mais incrível é que nos primeiros momentos, a multidão quer que ele vá embora e depois acabam todos a apoiá-lo! Mudar assim um público é quase impossível..








Assim vai o mundo...

O mundo da música..

Um representante do novo Flamenco: El Bicho...



Assim vai o mundo...

terça-feira, julho 29, 2008

O mundo da música...

Uma das músicas mais loucas do saudavelmente louco Tom Waits: The Piano Has Been Drinking...



The piano has been drinking
my necktie is asleep
and the combo went back to New York
the jukebox has to take a leak
and the carpet needs a haircut
and the spotlight looks like a prison break
cause the telephone's out of cigarettes
and the balcony's on the make
and the piano has been drinking
the piano has been drinking...

and the menus are all freezing
and the lightman's blind in one eye
and he can't see out of the other
and the piano-tuner's got a hearing aid
and he showed up with his mother
and the piano has been drinking
the piano has been drinking

cause the bouncer is a Sumo wrestler
cream puff casper milk toast
and the owner is a mental midget
with the I.Q. of a fencepost
cause the piano has been drinking
the piano has been drinking...

and you can't find your waitress
with a Geiger counter
And she hates you and your friends
and you just can't get served
without her
and the box-office is drooling
and the bar stools are on fire
and the newspapers were fooling
and the ash-trays have retired
the piano has been drinking
the piano has been drinking
The piano has been drinking
not me, not me, not me, not me, not me


Assim vai o mundo...

O mundo dos jornais...

No Expresso de Sábado, Miguel Sousa Tavares continua a sua luta contra a destruição dos mais belos lugares de Portugal...

Paraísos prostituídos

A primeira vez que passei uns dias de Verão em Porto Covo, ainda o Rui Veloso não tinha imortalizado a aldeia e a sua ilha do Pessegueiro. Pouco mais havia do que aquela simpática praceta central, de onde irradiavam três ou quatro ruas para baixo, em direcção ao mar, e duas ou três para os lados. Tinha nascido uma pequena urbanização de casas de piso térreo, uma das quais me foi emprestada por um amigo para lá passar uns quinze dias. Havia a praia em frente, magnífica, e a angustiante dúvida de escolher, entre três restaurantes, em qual deles se iria comer peixe, ao jantar.

Nos dois anos seguintes, arrastado pela paixão pela caça submarina, aluguei uma parte de casa em Vila Nova de Milfontes, com casa de banho autónoma e duche no pátio interior, ao ar livre. Instalei-me com o meu material de mergulho e um pequeno barco de borracha, no qual ia naufragando quando o motor pifou e comecei a ser arrastado pela corrente do rio Mira em direcção aos vagalhões à saída da baía. Mas não era o sítio adequado para caça submarina e rapidamente troquei a incerteza da minha destreza pelo esplendor de uma tasquinha branca, de quatro mesas apenas, onde escolhia de manhã o peixe que iria comer à noite. Foram dias de deslumbramento, naquela que eu achava ser provavelmente a mais bonita terra do litoral português.

Mas foi Lagos, claro, a primordial e mais duradoura das minhas paixões. Tudo o que eu possa escrever sobre a fantástica beleza da cidade caiada de branco, com ruas habitadas por burros e polvos secando ao sol pregados aos muros, uma gente feita de dignidade e delicadeza, praias como nenhumas outras em lado algum do mundo, a terra vermelha, pintada de figueiras e alfarrobeiras, prolongando-se até às falésias que ficavam douradas ao pôr-do-sol, enquanto as traineiras passavam ao largo em direcção aos seus campos de pesca nocturnos, tudo isso parece hoje demasiadamente belo para que alguém possa simplesmente acreditar. Se eu contasse, diriam que menti - e eu próprio, olhando hoje Lagos, também acho que seguramente foi mentira.

A partir de Lagos, fui descobrindo todo o barlavento algarvio, cuja luz é tão suave que parece suspensa, como se não fizesse parte do próprio ar. Descobri a solidão agreste de Sagres, onde se ia aos percebes ou apenas olhar o mar do Cabo de S. Vicente, na fortaleza, que era rude como o vento e o mar de Sagres, e hoje é uma casamata de betão que, ao que parece, se destina a homenagear a moderna arquitectura portuguesa. Descobri o charme antiquado da Praia da Rocha, onde se ia à noite ver as meninas de Portimão, ou o "souk" em cascata de Albufeira, onde se ia ver as inglesas e dançar no Sete e Meio. E descobri outras terras de pescadores e veraneantes, como Armação de Pêra ou Carvoeiro, praias de areia grossa e mar transparente como eu gosto, cigarras gritando de calor nas arribas, polvos tentando amedrontar-me quando os olhava debaixo de água.

Não vale a pena contar. Quem teve a sorte de viver, sabe do que falo; quem não viveu, não consegue sequer imaginar. Porque esse Sul que chegava a parecer irreal de tão belo, esse litoral alentejano e algarvio, não é hoje mais do que uma paisagem vergonhosamente prostituída. Sim, sim, eu sei: o desenvolvimento, o turismo, a balança comercial, os legítimos anseios das populações locais, essa extraordinária conquista de Abril que é o poder local. Eu sei, escusam de me dizer outra vez, porque eu já conheço de cor todas as razões e justificações. Não impede: prostituíram tudo, sacrificaram tudo ao dinheiro, à ganância e à construção civil. E não era preciso tanto nem tão horrível.

Podiam, de facto, ter escolhido ter menos turistas em vez de quererem albergar todos os selvagens da Europa, que nem sequer justificam em receitas os danos que em seu nome foram causados. Podiam ter construído com regras e planeamento e um mínimo de bom gosto. Podiam ter percebido que a qualidade de vida e a beleza daquelas terras garantiam trezentos anos de prosperidade, em vez de trinta de lucros a qualquer preço.

E todos os anos, por esta altura, percorrendo estas terras que guardo na memória como a mais incurável das feridas, faço-me a mesma pergunta: Porquê? Porquê tanta devastação, tanto horror, tanta construção, tanta estupidez? Tanto prédio estilo-Brandoa, tanto guindaste, tanto barulho de obras eternas, tanta rotunda, tanta 'escultura' do primo do cunhado do presidente da câmara, e sempre as mesmas estradas, os mesmos (isto é, nenhuns) lugares de estacionamento, os mesmos (isto é, nenhuns) espaços verdes? Não, nem mesmo o mais incompetente dos autarcas pode olhar para aquilo e não entender a monumental obra de exaltação da estupidez humana que está à vista. Não, não é apenas incompetência, nem mau gosto levado ao extremo, nem simples estupidez. Em muitos e muitos casos a razão pela qual o litoral alentejano e o barlavento algarvio foram saqueados, sem pudor nem vergonha, tem apenas um nome: corrupção. Acuso essa exaltante conquista de Abril, que é o poder local, de ter destruído, por ganância dos seus eleitos, todo ou quase todo o litoral português. Acuso agora José Sócrates de não ter tido a coragem política de cumprir uma das promessas do seu programa eleitoral, que era a de progressivamente financiar as autarquias a partir do Orçamento do Estado, em exclusivo, deixando de lhes permitir financiarem-se também com as receitas locais do imobiliário - deste modo impedindo que quem mais construção autoriza, mais receitas tenha. Acuso o Governo de José Sócrates de ter feito pior ainda, inventando essa coisa nefasta dos projectos PIN (de interesse nacional!), ao abrigo dos quais é o Governo Central que vem autorizando megaconstruções que as próprias autarquias acham de mais. Acuso esta gente que só sabe governar para eleições, que não tem sequer amor algum à terra que os viu nascer, que enche a boca de palavrões tais como "preservação do ambiente" e "crescimento sustentado" e que não é mais do que baba nas suas bocas, de serem os piores inimigos que o país tem. Gente que não ama Portugal, que não respeita o que herdou, que não tem vergonha do que vai deixar.

Eu sei que não serve de nada. Ando a escrever isto há trinta anos, em batalhas sucessivamente perdidas - ontem por uma praia, hoje por um rio, amanhã por uma lagoa. E lembro-me sempre da frase recente de um autarca algarvio contemplando a beleza ainda preservada da Ria de Alvor e sonhando com a sua urbanização: "A natureza também tem de nos dar alguma coisa em troca!". Está tudo dito e não adiante dizer mais nada.

Acordo às oito da manhã destas férias algarvias, longamente suspiradas, com o ruído de chapas onduladas desabando, martelos industriais batendo no betão e um pequeno exército de romenos e ucranianos construindo mais um projecto PIN numa paisagem outrora oficialmente protegida. "É o progresso!", suspiro para mim mesmo, tentando em vão voltar a adormecer. Sim, o progresso cresce por todos os lados, sem tempo a perder, sem lugar para hesitações, como um susto. Tenho saudades, sim, dos sustos que os polvos me pregavam no silêncio do fundo do mar. E tenho saudades de muitas outras coisas, como o polvo do mar. Sim, eu sei: estou a ficar velho.


Assim vai o mundo...

O mundo do cinema...

Morreu uma actriz que me fazia rir todas as vezes: Estelle Getty. Ainda me lembro do "Sarilhos com Elas"...



Assim vai o mundo...

segunda-feira, julho 28, 2008

O mundo da TV...

Louis Theroux é um jornalista da BBC que faz algumas das mais loucas e divertidas reportagens que assisti... Quase sempre explorando alguns dos mais estranhos lados dos EUA, é com a sua ironia quase inocente que nos deixa com um sorriso nos lábios. Fiquem com alguns excertos..







Assim vai o mundo...