terça-feira, novembro 18, 2008

O mundo dos que desaparecem...

Morreu Pedro Pinheiro! Um actor que nos lembramos de ver nos Malucos do Riso e que sempre me inspirou simpatia e bonomia...



E ainda estou chocado com a morte da bela e jovem Rute Cruz, jornalista da TVI.



Assim vai o mundo...

O mundo das crónicas...

A vitória de Obama vista por José Manuel dos Santos...

A vitória

"Quando há grandes perigos que ameaçam o Estado, vemos muitas vezes o povo escolher com felicidade os cidadãos mais aptos para o salvar. Já se observou que, perante um perigo iminente, o homem raramente permanece no seu nível habitual: eleva-se acima ou cai abaixo dele. Assim acontece com os povos. Os perigos extremos, em vez de levantarem uma nação, acabam, às vezes, por abatê-la; exaltam as suas paixões, sem as conduzirem, e turvam a sua inteligência, sem a esclarecerem. (...) Mas é mais comum vermos, entre as nações como entre os homens, virtudes extraordinárias nascerem da premência dos perigos. Os grandes caracteres aparecem então em relevo como esses monumentos que a obscuridade da noite escondia e que se revelam, subitamente, à luz de um incêndio. O génio já não desdenha reproduzir-se e o povo, ameaçado pelos perigos, esquece por uns tempos as paixões invejosas. Não é raro vermos então saírem da urna eleitoral nomes célebres." Estas palavras, publicadas em 1835, são o melhor comentário à eleição quase inverosímil de Barack Obama para Presidente dos Estados Unidos da América. Inspiradas por uma memorável viagem, escreveu-as Alexis de Tocqueville, num livro que recebeu o título Da Democracia na América e que permanece como um dos grandes textos políticos e culturais do Ocidente.
Tal como vinha acontecendo com a campanha eleitoral que lhe deu rosto, a vitória deste negro de uma elegância esguia e serena cobriu o mundo de palavras. Tudo se disse, e nesse tudo há o dito e o contradito. Mas o que mais se ouviu foram as palavras que se acham muito prudentes, a prevenir-nos de que à desmedida e arrebatadora ilusão deste triunfo sucederá a rápida e melancólica desilusão da sua impotência. Sabe-se que o tempo e as suas contradições dão sempre alguma razão a estes vaticínios-desejos, cínicos e sombrios. Mas curioso é que sejam os que mais assim nos previnem para as decepções futuras aqueles que nunca tiveram decepções passadas com George W. Bush, mesmo quando a mistura de estupidez infalível e de arrogância incompetente se transformou no palco onde a tragédia se tornou inevitável.

Alguns desses, que nunca quiseram nem esperaram que Obama ganhasse, enaltecem agora a América que foi capaz de o gerar. Mas já quando a América tinha gerado Bush (contra o qual, verdadeiramente, Obama ganhou), acusavam toda a gente que não o louvava de "anti-americanismo primário". Ao responder-se-lhes haver tudo contra Bush e nada contra a América que se lhe opunha, eles olhavam com o sorriso fácil de quem recusa um sofisma. Afinal, podem agora concluir, perante o entusiasmo universal provocado pela eleição de Obama, que não havia sofisma: eram os ouvidos deles que não queriam ouvir a verdade.

É claro que não devemos pedir à política o que ela não pode nem nos deve dar. Não lhe devemos pedir nem um absoluto, nem a salvação da alma, mas devemos exigir-lhe que não torne o mundo inabitável. E foi isso que Bush fez, com uma gravidade que vai permanecer por muitos anos. Não devemos pedir-lhe que nos dê uma moral privada, mas devemos esperar que nos dê uma moral pública e não, como aconteceu com Bush, uma máscara de virtudes para cobrir um rosto sem elas.

A vitória de Obama dá à América um Presidente que não é um fanático imaturo em processo de reabilitação edipiana, rodeado de tribos predadoras que fizeram da Casa Branca um caso de estudo antropológico. Esta vitória dá à América um Presidente que sabe o que é a política e para que serve, conhecendo os seus limites e os seus deveres, um Presidente que tem uma cara em vez de um esgar e que usa a fala em lugar do balbucio.

Obama apontou à vitória como o arqueiro que se mede, antes de medir o mundo, tornando-se a seta que alcança o alvo. A sua campanha foi uma obra de precisão e audácia. Este homem carismático (no sentido weberiano), convicto, disciplinado e inteligente, conhecido por ter nervos de aço, espírito prático e sentido de organização, percebeu que as mulheres e os homens só lhe dariam o seu voto se ele lhes provasse que a sua não era apenas uma vitória, mas uma mudança. Por isso, venceu. E, sob a noite que se erguia para acompanhar a altura dessa vitória, ouvimos um discurso feito das palavras que chegam e não das palavras que partem.


Assim vai o mundo...

segunda-feira, novembro 17, 2008

O mundo do NOTAI...

O produto daquilo que trabalhei durante dois anos sobre a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres irá ser apresentado na Segunda, dia 24 deste mês, na Fundação Cupertino de Miranda no Porto. Uma bela ocasião para se discutirem alguns assuntos prementes da nossa sociedade...

Assim vai o mundo...

sábado, novembro 15, 2008

O Mundo...

Este vosso escriba decidiu ir desde quinta-feira à Golegã, ver a Feira de Cavalos. Poucas horas de sono depois e o fígado num estado crítico, devo dizer que foi muito giro. Vi cavalos na rua até às 5h da manhã, vi cavalos dentro de um bar, vi um cavaleiro a vomitar de cima de cavalos. Enfim, vi de tudo. Gosto muito de tradições e esta é uma bela tradição. Agora vou ali tratar da garganta porque o frio era terrivel e os abafadinhos não chegavam.

Assim vai o mundo...

quarta-feira, novembro 12, 2008

O mundo dos filmes...

Road to Perdition/ Caminho para a Perdição é um daqueles filmes perfeitos! Uma bela banda sonora, um belo argumento, uma bela realização e depois o elenco! No mesmo filme Daniel Craig, Tom Hanks e Paul Newman! Fantástico...



Assim vai o mundo...

O mundo das mortes...

Na mesma semana, o cancro levou Badaró, Milú e Michael Crichton! O mundo anda a ficar mais pobre...

Assim vai o mundo...

O mundo das crónicas...

O Amanhã visto por José Manuel dos Santos!

Sabemos menos do tempo do que o tempo sabe de nós. Mas o menos que dele sabemos já chega para sabermos que os próximos dias, os próximos meses, os próximos anos vão ser o tempo de uma grande insónia cercada pela noite que cresce. Hora a hora, minuto a minuto, surgem, por todo o lado, os indícios de uma desgraça que avança e cintilam os sinais de um pânico que corre. Não são apenas as bolsas que caem, nem o desemprego que aumenta, nem as dívidas que crescem, nem os bancos que se afundam. É, antes disso e depois disso, a imagem fúnebre de um sistema financeiro que se devora a si próprio, devorando-nos e devorando a esperança, sem a qual a vida é empurrada para a morte.

Nesta "epopeia americana" que terminou em tragédia mundial, George W. Bush quis ser Aquiles, mas acabou num Édipo de Guantánamo que não conseguiu vencer a esfinge chamada Bin Laden (mas Gore Vidal diz: "Não precisamos de Freud, quando se trata de Calígula"); Dick Cheney é um Creonte de petrolífera; Alan Greenspan, uma Medeia de Wall Street; John McCain, um Pátroclo tardio; Sarah Palin, uma Clitmnestra de casino (ou será Hécuba?). E Barack Obama é o Ulisses de uma Ítaca em chamas, com o mundo transformado na Penélope que o esperava. E por todo o lado ouve-se o grito de Antígona a clamar pela justiça que desobedeça à injustiça que manda.

Aqueles que durante anos aplaudiram, de Washington a Bagdade, a representação da peça, participaram no elenco, escolheram o teatro, serviram de ponto, desenharam o cenário, fizeram os figurinos, teceram o enredo, são agora os mesmos que se fingem surpreendidos com o desfecho: um desastre que começou a revelar-se na sua enormidade e que eles olham como se estivessem a ver o mundo ao contrário. Por isso, andam cada vez mais de cabeça para baixo para tentar vê-lo direito. Num tempo tão despossuído de si mesmo, é natural que já nem haja consciência da tragédia que por todo o lado nos envolve como o ar que respiramos. E essa inconsciência, essa ignorância, essa irresponsabilidade são o mais trágico do trágico.

O tempo sabe mais de nós do que nós sabemos do tempo. E o que ele sabe de nós diz-nos que os próximos anos vão ser terríveis: de incerteza, de insegurança, de perigo, de medo, de ansiedade. Aqueles que, ainda há pouco, se vestiam de um optimismo triunfante e calculista cobrem-se agora de um pessimismo cobarde e assustado. Sabemos que, como é costume, quem vai sofrer mais são os mais inocentes, aqueles que têm menos culpas. Sabemos que os autores do desastre são os que estão a recato dele e dos seus horrores, sem consciência, sem vergonha, sem compaixão - e com dinheiro inesgotável. Sabemos que a vida será um alfabeto de dor, com o qual escreveremos o texto da mudança. Sabemos que voltaremos a passar por essa "confusão cruel e inútil" de que um dia falava George Steiner falando da História. Quando esteve em Lisboa, da última vez, o autor de Errata disse, sobre o que se estava a passar, palavras de que ninguém quis ouvir nem o som, nem o sentido. Ele afirmou: "Espanta-me que os pobres não se revoltem." E acrescentou que estranhava, quando todas as manhãs abria o jornal, não ver lá escrito que "tinham assassinado um daqueles empresários que encerram fábricas e depois se metem nos seus jactos privados para ir passar férias a Barbados". Steiner ecoa neste seu comentário violento o antigo clamor dos profetas judeus do Antigo Testamento, que faziam da cólera uma ameaça e só depois um presságio.

Hoje, o vento mudou e tudo muda com ele. Lemos os jornais de todo o mundo e percebemos que cada jornalista passou a ser, mesmo sem o saber ou sem o querer, um São João que, nos seus vaticínios, promete um Apocalipse que não surgirá, como o outro, no fim dos tempos: este é iminente, instantâneo, vertiginoso. Virá amanhã, logo à tarde, agora mesmo. Mas, com a inconstância de tudo, não é impossível que um dia destes se anuncie o regresso ao Génesis primordial, onde do caos se gerará a luz e, sob ela, se criará de novo o mundo.


Assim vai o mundo...

terça-feira, novembro 11, 2008

O mundo da TV...

O primeiro episódio da 5ª série do House estreou ontem! O Wilson vai-se embora... Quero ver mais!!!



Assim vai o mundo...

O mundo do cinema...

Ontem foi dia de cinema! Dois clássicos. Primeiro Jesus Christ Superstar! O clássico dos clássicos dos musicais irreverentes! Foi bom recordar esta bela produção... E confirmar que o grande papel neste filme é de Judas...



Depois, Os Intocáveis! Provavelmente o melhor filme sobre Al Capone (Robert De Niro) e Elliot Ness (Kevin Costner). E ainda Sean Connery! Um verdadeiro clássico com a mítica cena da escadaria e do carrinho de bébé!



Assim vai o mundo...

segunda-feira, novembro 10, 2008

O mundo da música...

Os Beirut com Elephant Gun! Bela surpresa...



Assim vai o mundo...

O mundo dos jornais...

Na Tabu de Sábado, Nuno Lopes mostra-se uma pessoa complexa! Aquele que todas as semanas entra em nossa casa e nos faz rir n'Os Contemporaneos, mostra-se uma pessoa que tem dificuldades em sentir-se feliz e mais que isso, não vê necessidade em sentir-se feliz! É uma pessoa emotiva e acima de tudo emocional. Confessa-se obsessivo e compulsivo! Acima de tudo confessa-se muito mais do que o conheciamos. Esse é o objectivo de uma entrevista. Permitir, não obrigar, uma pessoa a desvendar-se! Tenho Carlos Magno, Carlos Vaz Marques ou Mário Crespo como exemplos de jornalistas que conseguem ouvir o entrevistado e dar-lhe a confiança suficiente para ele dizer o que quer. A Raquel Carrilho, autora da reportagem, começa a fazer isso muito bem. Por vezes o jornalista não tem de fazer perguntas! Tem de ouvir, seguir o raciocínio e mostrar que ele pode continuar. Para isso é preciso fazer o trabalho de casa e ela fê-lo! Nota-se quando logo no início a referência a Buster Keaton permite desvendar o lado mais sombrio do Nuno. Então, ele não sente necessidade de se defender e dá uma bela entrevista, com entrada ao lado mais negro de um humorista. Gostei muito...

Assim vai o mundo...

sexta-feira, novembro 07, 2008

O mundo das revistas...

Na Ler deste mês, temos uma bela reportagem sobre o Nobel da Literatura! Os eternos favoritos, os preteridos, os esquecidos, os amaldiçoados, os políticos e os que recusaram... Sem dúvida a ler e conhecer!

Assim vai o mundo...

quinta-feira, novembro 06, 2008

O mundo dos jornais II...

Não poderia descrever melhor esse momento que me fascina do que José Manuel dos Santos...

Tempestade

Quando saí à rua, um vento longo e curvo levava tudo consigo. Em frente, o rio alucinava-se, desfazendo a sua quietude de meses, sob uma luz crua e rápida que anunciava o temporal. As pessoas corriam para casa e, nos movimentos que faziam quando aceleravam o passo, havia uma fuga ao céu que as ameaçava. Uma mulher trôpega passou por mim, fez uma cara de temor e disse com uma voz funda e inquieta: "Fuja, fuja! Depressa! Vai chover muito e depois haverá cheia!" Eu fitei-a e acenei que sim com a cabeça, embora não soubesse se tinha razão no seu agouro.

A minha mãe, repetindo a minha avó, também é assim. Ela, que não tem medo de nada, sente pânico nas tempestades, que lhe parecem o maior perigo que o universo põe sobre nós. Altiva para tudo o resto, submete-se ao céu e ao seu poder impaciente. E depois prenuncia a catástrofe na iminência de um apocalipse de relâmpagos, raios e trovões.

Na minha infância nervosa e feliz, quando trovejava, fosse de dia ou de noite, a minha mãe desligava o quadro eléctrico e fechava as portadas de madeira. Ficava então, ansiosa e aguda, a escutar o que dava razão ao seu medo, assim um animal espreita a ameaça na floresta. O meu pai, quando era novo, tinha visto cair um raio ao lado dele e ficou na voz com o eco da voz de Zeus. Falava desse momento e eu sentia nele um susto que 50 anos depois ainda não se dissipara. Vejo ainda hoje o seu rosto assombrado a contar a história do raio.

Agora, continuo a andar à beira da água agitada e sombria. Sou apanhado na curvatura do vento e arrastado num vórtice de papéis, caixas de cartão, sacos de plástico. Digo-me: para o vento, lixo entre lixo. E, ao dizê-lo, tenho consciência de que é fácil sermos subitamente anulados e entregues àquilo que nos nega, negando a nossa vontade e a nossa força. É nessa hora que medimos a diferença que há entre o nosso avanço e o nosso recuo. É nesse minuto que, contra o mundo, aprendemos a resistir, a persistir, a insistir. É nessa altura que conseguimos fincar os pés sobre a nossa impotência, aguentando o embate e esperando que passe a causa que a gera.

O vento sobe ao seu vértice mais alto e eu procuro um abrigo. Passa um cão a uivar com o pêlo sujo. O céu está escuro e fechado, prestes a desabar, para assim se livrar da sua escuridão como alguém se livra de uma angústia, de um desespero, de uma doença. O cão aflito corre até mim, encosta-se-me sob o telheiro. Eu passo-lhe a mão vagarosa pelo corpo arrepiado e sinto-o próximo como um irmão. Então o seu uivo muda: torna-se mais grave - é um latido, depois um rumor, a seguir um respirar leve. O cão olha-me nos olhos, soletra-os, rompe-os. Há nessa procura e na pergunta que, com ela, me faz uma urgência física e uma veemência muda. Não consigo deixar de olhar o seu olhar convexo: e desfaço com a intensidade dos meus olhos o seu susto silencioso e triste.

Tudo parece agora mais sereno, mais liso. Ou sou eu que me esqueço da tempestade e da sua ameaça? Continuo ali, alheado, ao pé do cão sem dono e sem destino. De repente, começa a chover uma chuva espessa e fria, com pingos longos e grossos como cordas. É uma chuva vertiginosa, veloz, que lava o ar. No fim, o universo parece rarefeito, descongestionado como um órgão vital.

A chuva ausenta-se e, no lugar dela, o céu abre sobre nós a sua cor cansada. Avanço na estrada e o cão segue-me com a lealdade que só têm os ameaçados da mesma ameaça. Estou em face do rio horizontal e oscilante. Passa um barco leve sobre a água baixa que se aclara. A bordo, um homem de ar estremunhado olha-me e olha o cão. Nos três olhares que se encontram há uma suspeita boa.

Mas, bruscamente, e como é próprio deste nosso tempo, tudo volta a fechar-se: a luz cai e começa a chover de novo, torrencialmente. Não há abrigo próximo. O cão fica todo molhado e é o espelho do meu arrepio. Sobre nós, abre-se um clarão metálico e a seguir rebenta o trovão. Penso: tenho de me apressar, a esta hora a minha mãe está em casa cercada pelo medo...


Assim vai o mundo...

O mundo dos jornais I...

Magnífica a reportagem de Raquel Carrilho na Tabu de Sábado! Feita de histórias com pessoas reais. Pessoas que trocaram esse enorme país que são os EUA por este cantinho à beira mar plantado! A ler...

Assim vai o mundo...

quarta-feira, novembro 05, 2008

O mundo americano...

O dia 11 de Setembro de 2001 ficou para História! O dia 4 de Novembro de 2008 também ficará para sempre! O primeiro presidente afro-americano dos EUA. O maior exemplo de mistura de raças elegeu o primeiro não-caucasiano como Presidente! Mas vamos por partes...

Comecemos pelo derrotado! Fiquei contente quando John McCain foi escolhido como candidato republicano. Foi muitas vezes acusado de ser um democrata escondido. Teve posições contra o Partdo Republicano que fizeram com que fosse marginalizado. Teve uma vida cheia de eventos dramáticos e não deixou de lutar pelo que acredita. Ainda assim foi uma campanha mais ou menos limpa (mais do que as primárias democratas). Revelou elevação até no discurso da derrota.





Agora, Obama! Desde já a vitória é um sinal de mudança e de optimismo para o mundo... Não é que as políticas sejam ou poderão ser muito diferentes mas porque o sentimento é diferente! Dá vontade de olhar para os EUA com outros olhos. Obama não é um presidente americano melhor para os Europeus. É melhor para o mundo! O seu percurso de vida atravessou o mundo todo (origens africanas, vida asiática) e conheceu muitas das culturas existentes. Um Presidente com mais visão do mundo! Mas não nos enganemos, ele vai ser um Presidente muito americano. Tal como Bill Clinton, ele irá atacar quem acha que deve atacar! Mas muito mais por ideais politicos do que por interesses económicos. Ele será muito protecionista em termos económicos, porque sabe que tem de melhorar a economia para poder continuar a ser a potência dominante. Nem sempre o mundo vai concordar com Obama! Não é isso que se espera. Mas sim podermos entender que ele tem um sentido de Estado e um respeito pelo mundo que a anterior administração não teve. Espera-se sobretudo que ele continue a inspirar-nos com belos discursos, como por exemplo o de ontem...





Assim vai o mundo...

terça-feira, novembro 04, 2008

O mundo americano..

Hoje são as eleições americanas!! Prometo que depois de analisar os resultados vos deixo em paz com isto... A propósito, bela reportagem na Única de Sábado!

Assim vai o mundo...

segunda-feira, novembro 03, 2008

O mundo do cinema...

A propósito do filme A Intérprete, lembrei-me de uma reflexão sobre África! Esse continente que se tem esquecido de progredir pacificamente porque está sempre envolto em lutas fraticidas, etnicidas, enfim, homicidas. Esse continente que se perde em corrupções, despotismos, enquanto os seus povos morrem à fome, doença, tristeza! O maior exemplo como o poder pode corromper os melhores ideais. Como a melhor teoria não anda de mãos dadas com a realidade. A história do continente mais genuíno, como todas as suas fraquezas e forças. O continente-mãe...



Assim vai o mundo...

domingo, novembro 02, 2008

O mundo americano...

As eleições americanas vistas pelo ex-diplomata Jose Cutileiro.

Deveríamos todos poder votar na eleição do Presidente americano: europeus, sul americanos, asiáticos, australianos, africanos. Se tivesse sido assim em 2004 John Kerry haveria tomado conta da Sala Oval, poupando a América e o mundo a mais quatro anos de George W.. Desta vez, a menos que um número enorme de brancos esteja a mentir nas sondagens e, à puridade do voto secreto, se recuse a votar num preto, os estrangeiros não fariam falta a Barack Obama porque os próprios americanos o elegerão.
Quanto mais depressa os Estados Unidos recuperarem, aos seus próprios olhos e aos olhos do mundo, a reputação perdida nos oito anos presididos por George W. Bush, mais depressa recuperarão a posição hegemónica conferida pelo seu poder militar, o seu poder económico e financeiro e - antes dos abusos desastrosos de Guantánamo, Abu Grahib, tortura, Patriot Act, escutas não autorizadas, politização indevida do funcionalismo público, etc. - o seu poder moral. Essa recuperação será mais rápida se Obama ganhar do que se Obama perder. Cassandras lembram que a esperança posta nele levará inevitavelmente a desilusões devastadoras, mas a questão não é essa.

Primeiro, no estado actual do mundo ter esperança será meio caminho andado. No viver cinzento e ansioso dos dias de hoje, assustado por espasmos financeiros ou terroristas, um político decente capaz de dar alma aos seus (e aos outros) é ávis rara bem-vinda. Haverá desilusões mas não haverá desastres, sobretudo se o bom senso aparente do novo presidente marcar a sua acção e contagiar os seus fiéis.

Segundo, o país mais parecido com o que seria a América de Barack Obama é a América de George W. Bush. Ao ritmo dos estados de direito, o que nesta há de pior seria banido e o melhor seria multiplicado mas o grosso de interesses e valores que constituem os Estados Unidos permaneceria. Bom senso, mais uma vez, ajudaria estrangeiros a perceberem isso e a disso tirarem partido. Para segurança e equilíbrio do mundo inteiro é urgente que os Estados Unidos voltem a encarrilar. Mais urgente ainda para os europeus, que têm neles os seus parceiros políticos, económicos e militares principais. Na arquitectura financeira internacional, no combate ao aquecimento global, no desafio energético, no enraizamento da democracia, em conflitos perigosos para a paz mundial, nenhuma medida decisiva poderá ser tomada até haver novo inquilino na Casa Branca.

Na segunda metade do século XX os republicanos foram mais de fiar a lidar com o resto do mundo do que os democratas mas George W. desbaratou esse crédito. E, embora em política externa McCain e Obama sejam mais parecidos do que se julga, o democrata mostra juízo e discernimento que têm faltado ao republicano. Os Estados Unidos reafirmariam melhor, mais depressa e mais tranquilamente a sua hegemonia com Obama ao leme. Se McCain ganhar e for buscar alguns sábios do passado, não se sairá mal - mas faltar-lhe-á o golpe de asa do senador de Illinois.


Assim vai o mundo...

O mundo do humor...

Morreu Badaró!



Assim vai o mundo...

sábado, novembro 01, 2008

O mundo da música...

Grande música...:D Os Madcon pegaram numa música de Frankie Valli e deram-lhe uma nova roupagem! Aqui está Beggin...



Assim vai o mundo...

quarta-feira, outubro 29, 2008

O mundo das letras...

Magnífica a entrevista a Gonçalo M. Tavares na revista Tabu de Sábado! Eu nunca o li, apesar de saber que ele tem de ser muito bom. Encontrei na entrevista muitos elementos que posso transpor para mim. Senti que tenho de o ler urgentemente. Quase como uma necessidade. Estranha sensação!! Mas boa...

Assim vai o mundo...

O mundo da música...

Newton Faulkner é uma grande surpresa! Aqui com uma bela versão de Bohemian Rhapsody...



Já agora a extraordinária Teardrop...



Assim vai o mundo...

terça-feira, outubro 28, 2008

O mundo da net...

Vejam este video! Por isso eu aprendi a nadar com menos de dois anos...

Assim vai o mundo...

O mundo do humor...

Nuno Lopes está cada vez mais brilhante...



E como esquecer estes dois momentos:





Assim vai o mundo...

O mundo...

Bom saber que os meus posts são lidos nos EUA, mesmo que seja para discordar!

Assim vai o mundo...

PS- Translation: Good to know that my posts are read in the USA, even if it is to disagree!

segunda-feira, outubro 27, 2008

O mundo dos jornais...

Quanto aos artigos da Bomba Inteligente na Tabu de sábado, tenho de discordar com o apoio a Sarah Palin. Não quero saber de género, se é homem ou mulher, ela é uma pessoa idiota! É uma pessoa incompetente e até acho um atentado às mulheres, aquela mulher representá-las em algo. Já tenho de concordar que o apoio de Colin Powell a Barack Obama é fulcral, ainda mais porque é republica, militar e amigo de MaCain há 25 anos. Sempre gostei de Powell, porque o considero um homem ponderado, e só tenho de ficar contente com o apoio inequívoco.

Assim vai o mundo...

domingo, outubro 26, 2008

O mundo do Porto...

Na sexta à noite, eu e um grupo de amigos decidimos sair até ao Porto. Acabamos nas recentes Galerias de Paris. Uma rua ali entre os Clérigos e a Praça dos Leões, cheia de barzinhos, como por exemplo o La Boheme. A rua estava cheia de gente, e pelo que vi de vários países. É bom ver um pouco do ambiente "Bairro Alto" no Porto. Um convivio animado e saudavel. É claro que o bom tempo tem ajudado. Mas é de facto uma bela maneira de revitalizar a baixa portuense.

Assim vai o mundo...

sexta-feira, outubro 24, 2008

O mundo dos filmes...

Há filmes algo loucos! Colete de forças/The Jacket é um deles. A impossibilidade do argumento é bem manipulado pelas magnificas interpretações de Adrien Brody (pós-Oscar), Keira Knightley e Kris Kristofferson. Um filme a ver...



Assim vai o mundo...

O munda das revistas...

Mais um excelente editorial de Francisco José Viegas na Ler deste mês. Primeiro fala na escola enquanto local primordial de incentivo à leitura, depois das bibliotecas pessoais que cada vez são menos numerosas. Por fim, uma nota ao Magalhães, e tenho de concordar com ele, daqui a 20 anos, só uma minoria terá uma caligrafia legível.

Assim vai o mundo...

quinta-feira, outubro 23, 2008

O mundo da música...

Grande versão dos Feist: Sealion woman...



Assim vai o mundo...

quarta-feira, outubro 22, 2008

O mundo da TV....

Apesar de só ter conseguido a promoção do canal brasileiro FX, ela passa no FOX português! A série Saved acompanha um louco paramédico, que tem tanto de talentoso como de extravagante. Um pouco o House das ambulâncias! Tem uma banda sonora fantástica. Pelos vistos não houve segunda série, por isso apanhem a primeira...:D



Assim vai o mundo...

O mundo dos jornais...

A revista Única do último Sábado é curiosa! Fala sobre dinheiro, como ser forreta, como ser excêntrico, como gastar, como poupar. Óptima para entendermos o dinheiro e as diferentes relações com ele...

Assim vai o mundo...

terça-feira, outubro 21, 2008

O mundo americano...

Os EUA tem muitos defeitos, as eleições são estranhas porque nem sempre ganha o mais votado, mas isto deveria ser transposto para Portugal! Mostra que os dois candidatos tem sentido de humor e se respeitam...





Assim vai o mundo...

segunda-feira, outubro 20, 2008

O mundo das crónicas...

Uma das melhores crónicas de José Manuel dos Santos sobre os chamados novos homens economicus...

Vêem-se naquelas avenidas onde os que se julgam donos do tempo encontraram lugar para dizer uns aos outros que pertencem ao mesmo mundo. Quando a hora se aproxima daquela em que se almoça, descem à rua com os seus fatos (ou blazers) cinzentos e azuis, as camisas com as iniciais bordadas no peito, as gravatas às riscas ou com brasões. Sósias uns dos outros, parecem multiplicados. Agrupam-se por idades e importâncias, nessa marcha hierarquizada, como a de um exército que avança para uma conquista infalível: a do sucesso. Os que chegam imitam os que já lá estão nos tiques, nas frases, nas marcas, nos gostos, nos gestos. Olham para as mesmas montras e têm as mesmas ambições. Mas, como no início de carreira ganham menos, o que parece igual, é diferente: nos casacos de uns, há lã e caxemira, nos de outros, lã e poliéster. Aí vão eles, com o seu andar ritmado e triunfante, emitindo ondas de perfume e falando obsessivamente ao telemóvel.

Já me aconteceu estar perto deles e ouvi-los. Falam pela boca uns dos outros uma linguagem uniforme e só referem coisas que o dinheiro compra. Gostam de verbos como alavancar, implementar, obstaculizar, externalizar, despoletar, posicionar, checkar, feedbackar, colapsar. Dizem o comum do comum e o ínfimo do ínfimo, convencidos de que nas suas bocas está a chave do futuro. Sentem-se a vanguarda do capitalismo, assim, outrora, alguns se sentiram a vanguarda do comunismo.

Não se lhes ouve pronunciar o título de um livro. Conhecem apenas relatórios e powerpoints. Acham que ler, pensar, ouvir, contemplar, saber, esperar é perder tempo, num tempo sem ele. Afinal, na Internet está tudo disponível... Julgam que a criação do mundo coincidiu com a data e a hora do seu nascimento. Não têm memória nem alteridade. Odeiam velhos, pobres, perdedores, pretos, feios, melancólicos e intelectuais, que complicam o que é simples. São homófobos, mas alguns, à terceira bebida, sucumbem ao encanto do corpo musculado do vizinho de ginásio. No fim, telefonam muito aflitos à namorada a dizer que ficaram a fazer serão no escritório. Casam em igrejas barrocas e fazem o copo de água em quintas nos arredores de Lisboa, ou sob tendas onde se repetem as ementas e as caras. Adoram-se e passam horas em frente do espelho a acariciar a face e a ajeitar o nó da gravata. Tomam ansiolíticos e antidepressivos continuamente e em doses crescentes.

Dizem de si que são jovens de elevado potencial e acreditam que, com dinheiro, a juventude lhes será eterna. Estes lobos ávidos confundem informação com sabedoria, interesse com desejo, imagem com visão, alucinação com imaginação. Sofrem de todas as ignorâncias que falseiam a vida. Não sabem que o fracasso é o outro rosto do triunfo, que a doença é a irmã mais próxima da saúde, que o futuro é tão antigo como o passado, que a morte é o segundo nome da vida. Ignoram que o homem não é mortal porque morre, mas morre porque é mortal. Querem-se elegantes, mas desconhecem que o mais elegante dos gestos humanos é aquele com que fazemos passar os outros à nossa frente. São de direita, porque acham que ser isso é ser mais do que os outros. Falam do Valor e do Lucro como os teólogos falam da Graça e da Salvação. Pensam que aquilo em que acreditam é o "horizonte incontornável do nosso tempo". Vorazes, violentos, vis, vaidosos e vazios, são prepotentes com o seu poder e subservientes ao poder dos outros: escravos hoje para poderem ser senhores amanhã.

Agora, andam muito assustados com a crise - e não apenas pelas razões que nos assustam a todos. Para eles, é como se a armada invencível a que pertencem começasse, derrotada, a afundar-se sob um céu vazio de um deus vencido pelo diabo. A hubris gerou a Némesis.

Num destes dias, num restaurante, vi-os. Comiam todos a mesma salada triste de salmão fumado. Tinham olheiras e um brilho sujo no rosto. Os nós das gravatas pareciam gastos, desalinhados e decaídos. O aroma do último perfume que acabava de sair, e que todos usavam, misturava-se ao invencível cheiro a queimado que saía da cozinha. O que balbuciavam sobre o afundamento das bolsas era incompreensível. O temor tornou-os sentimentais. Parecem atingidos por uma morte que os faz fantasmas. Talvez tenham começado a compreender que serão as primeiras vítimas do Minotauro que habita o centro do labirinto que eles ajudaram a construir.


Assim vai o mundo...

O mundo dos jornais...

Bela reportagem sobre os Açores na revista Tabu de Sábado. De facto, acho um crime lesa-Pátria os preços proibitivos das viagens de avião para esse arquipélago que me é tão querido...

Assim vai o mundo...

domingo, outubro 19, 2008

O mundo da música...

Uma bela surpresa musical: Bon Iver...



Assim vai o mundo...

sexta-feira, outubro 17, 2008

O mundo das revistas..

Já aqui falei do Courrier Internacional. Acho que a forma como está dividida (Compreender, Olhar, Saber, Explorar, Desfrutar) permite apreciar ainda melhor os belos artigos. Este mês destaco a entrevista ao psicólogo Paul Eckman, sobre a linguagem corporal e as emoções. Magnífica...

Assim vai o mundo...

quinta-feira, outubro 16, 2008

O mundo americano...

McCain ganhou o debate de ontem, mas parece-me que não foi suficiente... Ainda bem... Concordo com o Nuno Rogeiro! Perfeito seria Obama Presidente e McCain Vice-Presidente...

Assim vai o mundo...

O mundo dos filmes...

Vi ontem o filme Uma Casa no Fim do Mundo, baseado no livro de Michael Cunningham (o mesmo de "As Horas"). Um bom filme sobre uma relação estranha, mas que fala sobretudo do amor que pode haver entre três pessoas.



Assim vai o mundo...

O mundo da bola...

Irrita-me que porque a selecção não joga bem com Queiroz, se fale de Scolari. Dois maus não fazem um bom...

Assim vai o mundo...

quarta-feira, outubro 15, 2008

O mundo da net...

Provavelmente o site mais divertido das eleições americanas...

Assim vai o mundo...

O mundo dos filmes...

Um belo filme adoptado de um fantástico livro! Despertares conta a história de um grupo de doentes mentais que em 1969 tem uma melhora significativa devido à acção de um certo médico (Robin Williams numa interpretação fantástica). O exemplo mais flagrante é um certo paciente (Robert De Niro magistral) que serve de controlo ao uso dos fármacos. Nem tudo corre bem, mas mostra-nos o despertar da mente humana...



Assim vai o mundo...

terça-feira, outubro 14, 2008

O mundo dos filmes...

Ontem revi pela enésima vez um dos filmes, senão o filme, da minha vida! Falo do Crash, que ontem deu na TVI. Nunca comemorei tanto um Oscar de melhor filme como em 2006 com este filme. Já sei que existem filmes mais emblemáticos e marcantes, mas este marcou-me a mim. Por várias razões:



O argumento! Gosto muito de boa escrita. E quando vi este filme, achei o argumento fantástico. Consegui imprimi-lo e lê-lo atentamente. E ainda passei a gostar mais. Inteligente, incisivo, apaixonante. Um argumento que parece um livro, cheio de frases que se transformam em citações, como: "It's the sense of touch. In any real city, you walk, you know? You brush past people, people bump into you. In L.A., nobody touches you. We're always behind this metal and glass. I think we miss that touch so much, that we crash into each other, just so we can feel something."

O elenco! Cheio de actores com créditos firmados e com interpretações seguras e únicas. Destaco Don Cheadle pelo papel com um pouco mais de protagonismo e que marca o ritmo do filme. Notável como por vezes não necessita de palavras para construir uma interpretação brilhante.

A intensidade! Um filme intenso, onde dei por mim a vibrar mais do que num jogo de futebol. Numa certa cena, quase gritei para uma personagem. E no fim, tive uma sensação de preenchimento incrível.

A banda sonora! Sou um fã de bandas sonoras. Muitas habitam os meus cds e esta é talvez a mais bem construída de todas. São músicas pungentes, quase todas instrumentais, até porque o filme tem um bom argumento. E as que tem letra, são escolhidas a dedo. Deixo aqui exemplos.







Assim vai o mundo...

O mundo dos jornais...

É uma entrevista diferente! Na revista Única do Expresso de Sábado Pilar del Rio entrevista, interroga, questiona José Saramago. É claro que sendo sua companheira poderia ser mais venerativa, mas não! Ela não tem medo de discordar, de o obrigar a justificar muito bem a sua posição. Fala-se de tudo, política, literatura, doença, morte, Nobel. Nem sempre concordo com Saramago, confesso que até hoje só li o Memorial, acho que por vezes a sua maneira de ser deveria ser mais terra a terra, mas ainda assim uma pessoa importante no panorama nacional...

Assim vai o mundo...

segunda-feira, outubro 13, 2008

O mundo dos jornais...

Churchill visto por José Manuel dos Santos...

Acordava às oito horas, tomava o pequeno-almoço (ovos com presunto, perna de galinha, melão, sumo de laranja, café), fumava o primeiro charuto de uma série diária de oito e permanecia na cama a ler e a ditar mensagens à secretária. Às dez, tomava banho e arranjava-se com esmero. Ia então para o gabinete receber pessoas. Depois de beber um ou dois whisky and soda, almoçava, à uma e meia da tarde, com convidados, ou era ele o convidado (do rei, às terças-feiras). Às três, dormia a sesta. Uma hora depois, acordava, tomava de novo banho e mudava de roupa. Às quatro e meia, prosseguia o despacho, fazia reuniões e continuava a receber até às oito e meia. A essa hora, jantava os seus pratos preferidos, acompanhados de champanhe. Às dez, trabalhava mais um pouco, até que, às onze e meia, via um filme ou jogava uma partida de cartas. À uma da manhã, deitava-se. Antes de adormecer, lia jornais ou livros. Este era o dia-padrão de Churchill, quando era primeiro-ministro, mesmo durante a guerra. Só o mudava se os acontecimentos o obrigassem.

Esta agenda sibarita é-nos descrita, acompanhada de algumas peças que a materializavam, no fascinante labirinto que, em Londres, perto do número 10 de Downing Street, dá pelo nome de Churchill Museum and Cabinet War Rooms. Aqui se conserva o subterrâneo que, sob os bombardeamentos, serviu de quartel-general ao Governo durante a II Guerra Mundial. Das mesas às camas, das loiças às roupas, do telefone directo à Casa Branca ao emissor da BBC para falar à Grã-Bretanha e ao Mundo, dos mapas onde a evolução da guerra era seguida, sinalizada e decidida ao aparelho eléctrico que permitia acender cigarros, do quarto de Churchill ao gabinete de trabalho, da sala do Conselho de Ministros à dos chefes militares - ali se apresenta tudo com um rigor e uma autenticidade que nos fazem regressar a esse tempo vivido sobre o abismo. Ali, ouve-se a voz de Churchill, seguem-se os seus passos, os seus gestos, o fumo do seu charuto e o movimento da sua cólera.

A meio deste circuito mítico, existe agora um Museu Churchill, que usa tecnologias sedutoras. Atravessando aquelas imagens, coisas, legendas e memórias, vai-se dos dias da guerra aos da paz, dos da sua morte (com 90 anos) aos do nascimento, dos da infância (estão lá os cadernos e os soldadinhos de chumbo) aos da carreira. Ali estão o aristocrata, o militar, o jornalista, o democrata, o político, o escritor, o pintor amador, o "dandy", o conservador, o rebelde. Estão os fatos, as fardas, as medalhas, os documentos, os objectos, os livros, as fotografias, os filmes que nos devolvem os acontecimentos e o seu rasto, as vitórias e a sua exaltação, as derrotas e a sua ansiedade. Está o mapa duma vida, mostrando o que nela se passou dia a dia, hora a hora - os trabalhos e os prazeres. Está sobretudo o retrato de uma personalidade única, livre e audaciosa - tão humana nas suas qualidades e defeitos, nos talentos e convicções, nas manias e contradições. E quase sobre-humana na sua coragem feliz e indomável! Este retrato é uma das chaves para percebermos o que aconteceu nesse tempo de tantos perigos vencidos. Churchill, com a sua vontade de liberdade e o seu instinto de vida (que se opunha ao instinto de morte de Hitler), foi o "homem com qualidades", o anti-Ulrich de Musil.

Quando recentemente estive em Londres, fiz esta longa travessia pela vida de um político que percebeu, antes dos outros, o "ser" dos totalitarismos, opondo-se ao "espírito" de rendição da época e assegurando a liberdade ao nosso mundo ameaçado. Este museu prova-nos que os grandes homens são capazes, num momento fatal, de saltar sobre o medo do tempo, vendo o dia para além da noite que cresce.

Pouco depois desta visita, ao ler uma biografia de Marcel Proust, reparei que, em 14 de Agosto de 1918, o escritor, que nesse Verão resolveu não ir de férias para Cabourg, foi jantar sozinho ao Hotel Ritz de Paris, do qual era frequentador assíduo e ostensivo. Numa mesa, junto dele, estava Winston Churchill, que ainda não era quem seria. O olhar minucioso e indagador de Proust cruzou-se com o olhar irónico e determinado de Churchill. Nesse encontro de olhares foi como se o século XX dissesse um dos seus nomes.
(in Expresso)

Assim vai o mundo...

domingo, outubro 12, 2008

O mundo da música..

O filho de Bob Dylan canta muito bem! Faz lembrar o pai, mas canta melhor...



Assim vai o mundo...

sexta-feira, outubro 10, 2008

O mundo da blogosfera...

Fantástico este post daqui

A crise do subprime explicada aos pequeninos
O Ti Joaquim tem uma tasca, na Vila Carrapato, e decide que vai vender copos "fiados"aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados. Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouco o preço da dose do tintol e da branquinha (a diferença é o preço que os pinguços pagam pelo crédito).


O gerente do banco do Ti Joaquim, um ousado administrador formado num curso muito reconhecido, decide que o livrinho das dívidas da tasca constitui, afinal, um activo, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento, tendo o "fiado" dos fregueses como garantia.
Uns seis “zécutivos” de bancos, mais adiante, pegam no tal “activo”, e transformam-no em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrónimo financeiro que ninguém sabe exactamente o que quer dizer.

Esses adicionais instrumentos financeiros alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (os tais livrinhos das dívidas do Ti Joaquim).

Esses derivados são negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.

Até que alguém descobre que os bêbados da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e a tasca do Ti Joaquim vai à falência. E toda a cadeia ruiu.

Assim vai o mundo...

quinta-feira, outubro 09, 2008

quarta-feira, outubro 08, 2008

O mundo americano...

Hoje de madrugada mais um debate entre os candidatos à presidência norte-americano. Acompanhei a SIC Noticias antes e depois do debate porque o Pedro Mourinho, Martim Cabral e Luis Costa Ribas oferecem-nos boas explicações sobre as posições e posturas dos candidatos. Mas o debate segui-o na CNN porque acho terrível a tradução simultanea da SIC Noticias. Quanto ao debate ganhou Obama, e cada vez mais me parece que McCain não vai conseguir mudar a maré democrata...

Assim vai o mundo...

terça-feira, outubro 07, 2008

O mundo do cinema..

Ontem vi pela primeira vez o delirio shakespereano de Baz Luhrmann, que é como quem diz Romeu e Julieta. Uma loucura visual a que se junta uma bela banda sonora...



Assim vai o mundo...

segunda-feira, outubro 06, 2008

O mundo do cinema...

Paul Newman visto por José Manuel dos Santos...

Os grandes actores de cinema vivem um eterno retorno, sabendo que cada imagem sua regressará um dia: o presente é-lhes sempre futuro e o futuro, passado. Foi para tentar quebrar esse círculo fatal, esta condenação a ser o que se foi, que, uma vez, Paul Newman publicou um anúncio num jornal a pedir ao público para não ver o primeiro filme em que entrou The Silver Chalice, que passava na televisão vinte anos depois de Victor Saville o ter realizado. Ele próprio não o via: envergonhava-se de o ter feito e pedia desculpa por isso. Esse gesto mostra bem o inferno do actor que fica preso a uma imagem como a um fogo que o devora eternamente. Para o actor, cada papel transforma-se na pedra que carrega repetidamente até ao cimo da montanha.

Newman tinha uma cintilação física que cegava quem o via para o que não fosse ele. A luz azul do olhar num rosto esculpido por um Fídias genético e a perfeição do corpo poderiam tê-lo tornado prisioneiro da sua beleza: um boneco animado que passaria a vida a fazer papéis de gladiador romano. Ele pressentiu o perigo ("um corpo sem nome") e preveniu-o, exigindo de si que o trabalho do actor levasse sempre a melhor sobre o resto. Costumava dizer que não tinha uma arte intuitiva, e era verdade. Tudo nele era resultado de um esforço, de uma técnica, de uma composição, de uma construção. Mas tudo feito com uma sabedoria que escondia os andaimes e mostrava o edifício.

Além disso, para que o risco fosse mínimo e a prevenção total, escolheu personagens que lhe usassem a imagem física, mas que a pusessem em causa, a ameaçassem e, no limite, quase a destruíssem. Para atingir esse alvo com precisão, Tennessee Williams serviu-lhe bem. Aqueles homens belos e atormentados, tumultuosos e fracassados, viris e ambíguos que vivem contra eles próprios e contra o mundo foram-lhe um terreno onde ele ergueu o seu esplendor acossado. Começando por ser o que apanhava os restos de James Dean, tornou-se amigo de Marlon Brando, que lhe foi sombra e desafio.

Depois de, durante a infância, ter visto alegremente as fitas que então os miúdos viam, o meu primeiro filme de "adulto" tinha o nome de Paul Newman a abrir o genérico. Chama-se Do Alto do Terraço (From the Terrace) e vi-o no Tivoli. Estava classificado para maiores de 12 anos, mas eu teria apenas 10. Fiquei deslumbrado e, nessa noite, as imagens, as luzes, os sons não me deixaram dormir. Passada em Wall Street, a história parecia destes tempos de crise ("esta selva é pior do que a dos gangsters") e levou-me a outros mundos, outras vozes. Ele contracenava com a mulher, Joanne Woodward, num papel em que fazia de empresário aeronáutico. Tudo no filme era bonito: os actores, as roupas, os ambientes, os "décors", as paisagens. E tudo no filme era feio: os golpes, as traições, as trapaças, as vilanias, as fraudes. Quando no ecrã apareceu "The End", eu era outro. Nunca mais revi esse filme, que passou a fazer parte da minha mitologia privada. Várias vezes o procurei encontrar em DVD, sem conseguir. Sei hoje que o filme não é uma obra-prima, embora então me tivesse parecido. Por isso, com a memória que dele conservo, talvez seja melhor, afinal, não me reencontrar com ele. Mas também sei que, se puder, não resistirei a isso...

Mais tarde, fui vendo muitos outros filmes em que entrou, alguns inesquecíveis. Fascinou-me sempre o modo astuto como soube envelhecer ("ninguém continua jovem") e a escolha de papéis em cada idade. E por detrás do actor que se fez contra a facilidade da sua beleza e do realizador que resolveu arriscar havia o homem com convicções e com humor, o cidadão com consciência política, o cozinheiro, o piloto de automóveis.

A morte de Newman, neste momento vital para os Estados Unidos e para o mundo, deixa-nos mais entregues aos seus filmes, às suas imagens, às suas memórias. Tudo o que é dele diz-nos que depende de nós não estarmos num mundo em que todos digamos a todos as palavras que Maggie (Elizabeth Taylor) atira a Brick (Paul Newman) em Gata em Telhado de Zinco Quente: "Nós já não vivemos juntos. Dividimos apenas a mesma gaiola." (in Expresso)

Assim vai o mundo...

O mundo da TV...

Estreou ontem o novo programa "Zé Carlos" dos Gato Fedorento. Achei pouco, achei que estão a começar a acomodar-se e perder a irreverência. Acho que "Os Contemporâneos" estão com mais humor e acutilância. Mas quem ganha somos nós nesta disputa de humor...

Assim vai o mundo...

domingo, outubro 05, 2008

O mundo dos jornais...

Maravilhosa a entrevista de Carlos do Carmo à revista Tabu de ontem. A serenidade e inteligência de um dos maiores fadistas portugueses...



Assim vai o mundo...

O mundo das letras...

Soube hoje que sexta morreu Dinis Machado! Nunca li mas já tinha prometido a mim mesmo ler o "O que diz Molero! Fará falta como fazem todos os vultos da Lingua Portuguesa...

Assim vai o mundo...

sexta-feira, outubro 03, 2008

O mundo dos livros...

Li ontem o primeiro capítulo do livro "O Pendulo de Foucault" de Umberto Eco e digo-vos que foi muito complicado. Mas aguentei... Vamos lá ver que tal é o resto...

Assim vai o mundo...

quinta-feira, outubro 02, 2008

O mundo da TV...

Que saudade de ter o Today Show na Sic Radical... Jon Stewart até às eleições americanas... Óptimo...

Assim vai o mundo...

quarta-feira, outubro 01, 2008

O mundo da bola...

Já não me lembrava de me irritar com um jogo, mas ontem foi demais... Estou como o meu caríssimo homónimo...

Sim, eu posso ter maus fígados mas, aos 73 minutos, quando aquele mexicano do Arsenal entrou pela área do FC Porto aos toques, eu desatei a rir – só parei quando vi, pela televisão, que Arsène Wenger tinha feito o mesmo e pelas mesmas razões. Estava irritado pela chamada de Lucho, fragilizado e sem ritmo, incluído numa equipa trôpega, sem alma, sem laterais (ia escrever «sem defesa e sem ideias para o ataque» mas pareceu-me muita coisa junta) – só por maldade ou por distracção se poderia exigir o talento de Lucho para organizar uma banda desafinada e sem capacidade de fazer marcações, sem falar do buço do Tomás Costa (um magricela que até não esteve mal na ala direita mas, para todos os efeitos, um jogador que cumpre mandar recolher a um sanatório para engorda e musculação), do desequilíbrio daquele rapaz que veio do Benfica (substituído inutilmente pelo Candeias, que não tem culpa) ou da inutilidade de Benítez (sempre batido por Walcott, que também bateu Bruno Alves limpinho). Quanto a Helton, eu proibía-o de jogar de calças; basta lembrar Krajl, outro guarda-redes de calças compridas – completamente disfuncional – que passou pelo FC Porto como capataz de aviário. E quanto aos semi-golos de Lisandro e de Rodríguez, é justo dizer que não passaram de bolas que não entraram. Quanto a Jesualdo Ferreira, o projectista, não percebo. As coisas são como são. (Francisco José Viegas)

Assim vai o mundo...

terça-feira, setembro 30, 2008

O mundo da música...

A minha música favorita dos Beatles! A beleza da letra e simplicidade da melodia fazem desta música uma peça eterna...



Blackbird

Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise

Black bird singing in the dead of night
Take these sunken eyes and learn to see
all your life
you were only waiting for this moment to be free

Blackbird fly, Blackbird fly
Into the light of the dark black night.

Blackbird fly, Blackbird fly
Into the light of the dark black night.

Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise,oh
You were only waiting for this moment to arise, oh
You were only waiting for this moment to arise


Assim vai o mundo...

segunda-feira, setembro 29, 2008

O mundo americano...

Excelente artigo de Miguel Sousa Tavares no Expresso sobre os EUA. Acho que esta é a última oportunidade dada pelo mundo aos americanos de escolherem alguém do seu agrado.

Europa e o problema americano

O presidente da Comissão Europeia, o 'nosso' Durão Barroso, descobriu agora os malefícios do "unilateralismo" americano no mundo de hoje. Arrependido, "ex officio", dos tempos do seu americanismo militante, quando se curvava em mesuras perante o "George" na cimeira das Lages, jurando a pés juntos que o seu "amigo George" era incapaz de mentir e que ia atacar o Iraque porque tinha provas das armas de destruição maciça de Saddam Hussein - que ele, Barroso, havia visto com os seus olhos - o comissário-chefe dessa coisa difusa a que insistimos em chamar Europa resolveu agora escrever um "dazibao" aos dois candidatos à próxima presidência dos Estados Unidos, dando-lhe conta dos sentimentos actuais de um europeu. A Europa, diz Durão Barroso, quer que o próximo Presidente americano perceba que não pode passar sem ela; que se renda ao "multilateralismo", deixando de se comportar como o único actor global; que aceite a reforma das instituições que a Administração Bush tratou de tornar obsoletas e inúteis, como a ONU, o FMI, o Banco Mundial; que aceite a presença de outros "players" emergentes na cena mundial, com direito a audição e participação nas decisões, que reconheça que há problemas sérios à escala planetária que não podem continuar dependentes da agenda doméstica de um Presidente dos Estados Unidos. Tudo coisas óbvias e consensuais e que agora são fáceis de dizer. Há uma década, a ex-secretária de Estado americana Madeleine Albright, classificava os Estados Unidos como "a nação indispensável". Oito anos de desastrada gestão de Bush encarregaram-se de nos ensinar amargamente que as coisas podiam mudar: os Estados Unidos tornaram-se hoje a nação dispensável - de bom grado dispensaríamos a contribuição que deram para o estado do mundo, nestes últimos tempos. Em oito anos, a nação que a dupla Clinton-Gore havia deixado na prosperidade e no caminho de uma efectiva e inteligente liderança mundial transformou-se num dos problemas do mundo, ao lado da Al-Qaeda e do fundamentalismo islâmico ou do aquecimento global. Os Estados Unidos que George W. Bush vai deixar em herança são o maior consumidor de energia e matérias-primas à escala global; o maior poluidor do planeta e o mais feroz adversário de todas as convenções e tentativas de inverter o caminho para o caos - tendo a Casa Branca chegado ao extremo de falsificar relatórios científicos para tentar provar que o aquecimento global não existia; são o principal factor de provocação do terrorismo islâmico e o maior destabilizador da paz no Médio Oriente, nos Balcãs, no Cáucaso; são o mais hipócrita defensor de um comércio global livre e justo, que defendem no papel e tratam de sabotar na prática, sempre que lhes dá jeito; e são, conforme se tornou agora exuberantemente exposto, o grande agente e exportador da crise económica mundial, graças à ganância dos amigos de Bush e à cumplicidade cooperante deste. Eis a herança do 'amigo George'. Não admira que até Durão Barroso seja agora capaz de negar três vezes que o conhece. E, todavia, só se deixou enganar quem quis. Os americanos, claro, e é por isso que a América é uma nação perigosa, porque tanto se podem entregar a um Roosevelt ou a um Clinton como a um Nixon ou a um Bush. Mas não só os americanos: também essa geração de dirigentes europeus enfatuados, que parecem desprovidos de pensamento próprio, mesmo quando se trata de questões que tocam muito mais de perto à Europa do que à América, como são os Balcãs, o Médio Oriente ou as relações com a Rússia. Toda a gente sabia que Bush era um completo ignorante em matéria de política externa, dotado daquela ignorância arrogante que se encontra no americano médio, que está convencido de que, fora dos Estados Unidos, nada mais conta e nada mais interessa, e que o mundo inteiro vive no desejo de poder imitar o estilo de vida e os 'valores' americanos - os únicos justos e conformes à vontade de Deus. Mas a ignorância é uma arma perigosa nas mãos de um homem poderoso, e dizem que o Presidente dos Estados Unidos é o homem mais poderoso do mundo. Foi a ignorância de Bush que conduziu os Estados Unidos ao caos e fez do mundo um lugar infinitamente mais perigoso. Tudo era por demais evidente que assim seria, mas a "intelligentsia" europeia que ditou moda nos últimos tempos havia decretado, qual "fatwa", que duvidar da infalibilidade americana era crime de "antiamericanismo primário" - uma doença mental de diletantes ou "órfãos do comunismo". Corremos o risco de ter mais do mesmo. A semana passada, durante uma entrevista à televisão espanhola, ficou a perceber-se que o candidato McCain - tido como um "especialista" em política externa - não sabia que Rodriguez Zapatero é primeiro-ministro de Espanha, o que equivale a dizer que não acha que a Espanha seja uma nação suficientemente importante para interessar um Presidente dos Estados Unidos. E a candidata a vice-presidente, a dona-de-casa do Alasca, Sarah Palin - que até ao ano passado nunca tinha pedido um passaporte para sair dos EUA - só terça-feira passada se encontrou pela primeira vez com um dirigente estrangeiro. Puseram-na nas mãos do 'guru' Kissinger para um "brain-storming" intensivo e trataram de introduzi-la à pressa ao resto do mundo, começando pelos amigos: os Presidentes da Geórgia, Ucrânia, Iraque e Afeganistão. Graças a uma indiscrição da CNN, cujo repórter se conseguiu aproximar da senhora mais do que os seguranças consentem, ficou a saber-se que, na quarta-feira, Kissinger tratava de lhe explicar quem era Sarkozy. A coisa promete... O que está errado na carta de Durão Barroso aos candidates às eleições americanas é o tom de pedido: a Europa pede aos Estados Unidos que a levem em conta. Dir-se-ia que a factura de Omaha Beach nunca mais está saldada... Mas venha Obama ou McCain, não há mais tempo a perder nem mais desculpas para que a direcção política europeia continue eternamente a resguardar-se nos interesses da 'Aliança Atlântica' para não assumir as suas responsabilidades. A Europa tem de ter uma política externa e uma política de defesa autónomas, que não dependam da NATO nem da ignorância geopolítica dos presidentes americanos. Tem de ter uma estratégia própria para as crises dentro das suas fronteiras e no seu perímetro. Uma estratégia própria para os Balcãs, para o Médio Oriente, para o Magrebe, para o Irão. E, claro, para a Rússia, que é um dos seus principais fornecedores de gás e petróleo e um parceiro indispensável para a manutenção da paz e para a resolução de crises regionais onde os interesses estratégicos americanos só atrapalham. A Europa não tem qualquer interesse em ver mísseis americanos a cercar a Rússia, nem em envolver-se, à sombra da NATO, em intervenções sem sentido e que, em última análise, apenas podem ressuscitar o espírito de guerra-fria sepultado em Berlim há quase vinte anos. Desgraçadamente, toda a gente parece concordar num ponto: não é com esta geração de políticos europeus que a Europa se conseguirá afirmar e construir. Precisamos de estadistas, de visionários, e só temos malabaristas da política e mestres da conjuntura e do vazio. Uma geração muda-se de cima para baixo, começando por mudar as opiniões públicas. É isso que se torna urgente fazer.


Assim vai o mundo...

sábado, setembro 27, 2008

O mundo do cinema...



Soube agora que morreu Paul Newman! A perda dos mais carismáticos olhos azuis do cinema americano...

Assim vai o mundo...

O mundo das revistas...

Fantástica a entrevista a Eduardo Lourenço na Ler deste mês.. É de facto alguém com uma visão muito à frente do seu tempo!

Assim vai o mundo...

O mundo americano...

Ontem no primeiro debate presidencial houve um empate técnico e um moderador miserável... Espera-se que comece a animar nos próximos debates...

Assim vai o mundo...

sexta-feira, setembro 26, 2008

O mundo dos filmes...

Esta semana de doença permitiu-me ver uns filmes...

Culpa Humana

Um elenco magnífico com Anthony Hopkins e Nicole Kidman à cabeça! Um belo filme com um argumento interessante sobre raça e escolhas de vida.



Relatório Kinsey

A história do estudo feito por Alfred Kinsey que alterou a forma como os norte-americanos viam o sexo.



Wanted

Um filme engraçado com tiros e a Angelina Jolie. A melhor parte é sem dúvida a banda sonora. Potente, estimula o sistema nervoso.



Assim vai o mundo...

terça-feira, setembro 23, 2008

O Mundo privado...

Já parti o braço, o pulso, tive dois pneumotorax, mas nunca senti uma dor tão aguda e prolongada como hoje! A razão foi uma crise renal, provavelmente causada por pedras no rim. Ora bem, estou melhor mas isto é dor chatinha... Vamos lá ver como corre...

Assim vai o mundo...

segunda-feira, setembro 22, 2008

O mundo dos jornais...

Já a semana passada disse que a revista Única do Expresso está muito boa... O tema desta semana é Aprender. Ainda estou a ler, mas desde já quero realçar as "Lições de Vida", onde dez grandes nomes (Ruy de Carvalho, Agustina Bessa-Luis, Argentina Santos, etc) oferecem-nos pérolas de sabedoria... Leiam porque são de facto lições de vida...

Assim vai o mundo...

O mundo da TV...

Ontem foi dia de Emmys! Não ganharam muitos dos meus favoritos, mas foi fantástico ver Don Rickles em forma e com um humor que só ele consegue proporcionar...



Assim vai o mundo...

sexta-feira, setembro 19, 2008

O Mundo em fim de semana...

Vou dar ali um salto a Ponte de Lima e volto Domingo...

Assim vai o mundo...

quinta-feira, setembro 18, 2008

O mundo da música...

Eu devo dizer que gostei deste regresso dos Metallica, com este The day that never comes...



Assim vai o mundo...

O mundo do humor...

Que saudades deste Herman...



Assim vai o mundo...

quarta-feira, setembro 17, 2008

O mundo dos jornais...

José Manuel dos Santos...

História real

Parecia desenhado a lápis leve na folha branca do dia. Uma fragilidade ascética e uma modéstia distraída sustentavam um conhecimento, uma disciplina e uma coragem. Os seus amigos em religião diziam-no (inspirando-se certamente no que Eça afirmou de Antero) "um sábio que era um santo". Nele, havia esse desprendimento de si que leva ao esquecimento de morrer. E existia uma curiosidade e um amor pelo saber que conduzem à amnésia de viver. Dizia-se que, com um livro na mão, muitas vezes se esquecia de comer.

O padre Manuel Antunes sabia tudo. Nada do que é divino lhe era distante e nada do que é humano lhe era alheio: filosofia e teologia, história e literatura, filologia e mitologia, psicologia e educação, política e sociologia, antropologia e arte. Professor, durante anos, da cadeira de História de Cultura Clássica, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, educou (a paideia era um dos seus grandes temas) milhares de alunos, que o lembravam com respeito e reconhecimento. Diz-se que o árduo trabalho docente lhe fez, da saúde, doença, e lhe tirou tempo para escrever uma obra menos ocasional. Mas o que deixou é vasto e variado. A Obra Completa, em publicação pela Fundação Calouste Gulbenkian, mostra um saber que corria como um rio de muitos afluentes. Aí se pode ver como ele conhecia o ortodoxo e o heterodoxo, o antigo e o contemporâneo. Costumava dizer: "Nada é menos actual do que o jornal desta manhã e nada mais actual do que a Odisseia de Homero". Gostava, socraticamente, de definir conceitos, aclarar palavras, dialogar com os homens e os livros de todos os tempos e todos os espaços. O rigor erudito não o privava do acerto poético e a informação não lhe impedia a imaginação. Falava muitas línguas, antigas e modernas. Religava: relacionava o que era diferente, aproximava o que era distante, revelava o que estava oculto. Analisava e sistematizava. Fazia genealogias e futurologias. Gostava de ideias e de palavras. O seu saber era missionário: fazia girar uma roda de muitos raios em torno de um eixo que era o da sua fé.

Jesuíta de formação tradicional, viveu e acompanhou, ao contrário de outros, a evolução da Companhia de Jesus na segunda metade do século XX. Nele, ficaram as marcas contrárias desse caminho. A voz, a atitude, o traje, o gesto eram clericais. As palavras eram abertas e civis. Mas, se as lermos bem, vemos que nunca se ausenta delas a fidelidade à doutrina e a convicção apologética. Isso estava sempre presente, mesmo nos juízos literários que, não raro, eram contaminados por critérios moralistas.

Vivia na casa da "Brotéria", na Lapa, num ambiente frio e feio (Sophia, sua amiga, fez esse reparo), mas parecia não dar por isso. A beleza que procurava era doutro mundo. Gostava de ter uma voz pública e o seu livro Repensar Portugal, publicado em 1979, no rescaldo do incêndio revolucionário, foi notado e anotado. Conheci-o nesses anos. Parecia ter um corpo sem corpo, apenas a suportar a bondade e o pensamento. Ao conversar-se com ele descobria-se um ângulo escondido das coisas. E tanto nos falava de Sófocles como de Joyce; de Fidias ou de Carpaccio; da Roma imperial como da China de Mao Tse Tung; de Marx ou de Jaeger, de Henri de Lubac ou de Foucault.

A história que conto passou-se nesses tempo. Eu participava na organização de um colóquio que, durante dois dias, falava de cultura e de política. Manuel Antunes era um dos convidados. Como ele, muito distraído, já mal conseguia ocupar-se da vida material (por exemplo, apanhar um táxi), arranjou-se um motorista para o ir buscar e levar, para o assistir e tomar conta dele. De nome Higino, era, como aliás convinha para a sua missão, um homem em tudo contrário ao padre: corpulento, enérgico, seguro, exuberante e decidido. De poucas letras, mas astuto. Desconfiado, de início, gostou depois da sua tarefa de protecção. Falava-me disso, entusiasmado, dizendo "o padre é porreiro". Percebi que aproveitava as viagens para lhe fazer perguntas e dar opiniões. O último dia do colóquio foi o da conferência de Manuel Antunes. Consultando umas notas breves, improvisava, com o seu fio de voz quase a partir-se, e deslumbrava. Referia Platão e Cícero, Montesquieu e Ortega, Espinosa e Hegel. Fazia de cor largas citações em grego e em latim, passando a seguir para o francês, o espanhol e o alemão. Havia na sala um silêncio sorridente e pasmado, sobretudo porque muitos não entendiam o que ele dizia na língua em que o dizia. De pé, eu assistia, fascinado, ao prodígio. Quando se atingia o auge, o Higino aproximou-se de mim, olhou o orador e murmurou-me ao ouvido: "O padre sabe umas coisas disto, mas de história pesca pouco. Ainda agora, no carro, dei-lhe cá uma abada em cognomes de reis...!"

Devo ter feito uma tal cara de espanto que ele a interpretou como de admiração pela sua sabedoria real: D. Afonso II, o Gordo; D. Sancho II, o Capelo; D. Fernando, o Formoso; D. Henrique, o Casto; D. Maria I, a Louca...
(in Expresso)

Assim vai o mundo...

terça-feira, setembro 16, 2008

O mundo dos jornais II...

A competente Raquel Carrilho traça, na Tabú do Sol de Sábado, o perfil de Ana Free. A cantora revelação que é um verdadeiro fenómeno no youtube. Deixo-vos aqui uns vídeos...







Assim vai o mundo...

O mundo dos jornais I...

Falei no grafismo da nova Única do Expresso. Agora venho dizer que em termos de conteúdo, assume-se como uma revista muito competente. O tema deste número foi a Mudança, e as histórias intituladas "Assim a minha vida mudou" são uma compilação de estórias fantásticas... Se puderem dêem uma vista de olhos...

Assim vai o mundo...

domingo, setembro 14, 2008

O mundo das revistas...

Por falar em publicações, o Courrier Internacional deste mês traz alguns belos artigos sobre Lisboa.. Confiram...

Assim vai o mundo...

O mundo dos jornais...

Muito bonito o grafismo da revista Única do Expresso. Quanto ao conteudo vou explora-lo..

Assim vai o mundo...

sexta-feira, setembro 12, 2008

O mundo da música...

Uma proposta diferente da música portuguesa! Os Deolinda...



Assim vai o mundo...

O mundo dos blogs...

Artigo de Carla Hilário Quevedo...

Irredutível
Li esta história no El País. Isabel Miranda, professora de 58 anos, mexicana, tinha um filho com trinta anos que foi sequestrado em 2005. A Polícia ignorou o desaparecimento, tal o número de casos semelhantes por resolver no país. Isabel deixou o trabalho e com a ajuda dos irmãos, sobrinhos e cunhados, começou a investigar. Primeiro, descobriu Hilda González, a rapariga usada como isco no rapto do filho. Em seguida, mandou o marido e a filha para o estrangeiro para não ter mais problemas. Entretanto, os sequestradores enviaram uma fotografia do filho e exigiram um resgate de 950 mil pesos. Isabel encontrou provas de que se tratava de um sequestro que correu mal, conseguindo por fim ajuda policial. No entanto, foi a própria Isabel que, com a ajuda do irmão, capturou o autor do crime: o namorado de Hilda. Isabel infiltrou-se ainda no grupo dos cúmplices, fazendo-se passar por secretária de uma empresa que pretendia contratar os seus serviços. Capturou mais quatro criminosos. Só falta apanhar um. Quanto ao filho, descobriu que foi morto no dia do sequestro e que o corpo foi esquartejado. Parece um filme mas não é. Toda a minha admiração para Isabel Miranda.

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 6-08-08


Assim vai o mundo...

O mundo da História..

É uma sensação estranha que este dia tenha sempre uma carga psicológica tão forte... Um dia em que o mundo mudou... Para sempre...

Assim vai o mundo...

quarta-feira, setembro 10, 2008

O mundo do youtube..

Há coisas sem explicação que apenas devemos ver...



Assim vai o mundo...

terça-feira, setembro 09, 2008

O mundo da música...

Gosto muito da onda de José Gonzalez...







Assim vai o mundo...

O mundo da Tv...

Foi com alguma nostalgia que vi hoje o regresso do programa Roda da Sorte! Um recuo no tempo, com um Herman à altura. Falta o Candido Mota...

Assim vai o mundo...

segunda-feira, setembro 08, 2008

O mundo português II...

Cresci a ter o CDS como um partido de Direita, à Direita do PSD e muito alicerçado em valores cristãos. Mas, apesar de não me identificar com algumas propostas, aprendi a respeitar sobretudo as figuras esclarecidas e democráticas de Freitas do Amaral, Lucas Pires, Adriano Moreira, etc. Figuras da política portuguesa que reuniam o respeito de maioria dos portugueses. A deriva popular (de CDS a PP) do partido retirou-lhe muito do apoio e, sobretudo, da credibilidade. Chega a ser penoso (depois da saída de algumas figuras notáveis) ver a deriva de Paulo Portas. Um partido pode ter um líder mas não pode ser só um líder. E se Paulo Portas, ou melhor o PP, não entender isso, acabará por desaparecer o 2º partido da Direita.

Assim vai o mundo...

domingo, setembro 07, 2008

O mundo português...

No Expresso (pág. 4):

- "Os alunos vão ter aulas ali? Pensava que fossem contentores para as obras." (José Socrates, preimiero-ministro, na visita à escola secundária Pedro Nunes, uma das 26 escolas «eleitas» para integrar o plano especial de modernização criado pelo governo)
- "São monoblocos para os alunos terem aulas, eles depois nem querem sair daqui." (Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação, justificando que os contentores «têm ar condicionado» e são melhores do que parecem)

Sem comentários...

Assim vai o mundo...

sexta-feira, setembro 05, 2008

O mundo dos jornais...

Mais uma crónica de José Manuel dos Santos...

Borda d'água

Era uma daquelas horas, entre a manhã e a tarde, em que não sabemos bem se, com o dia, ainda ascendemos ou já declinamos. Nessa altura, nas cidades, a "rua europeia" está cheia de gente que, entre o almoço rápido e o regresso lento ao trabalho, compra o que precisa e o que não precisa. As conversas são um vaivém entre o lamento pela vida cara e o júbilo pela compra barata. Então agora que os saldos ainda são mais saldos do que durante todo o ano em que já o são, as conversas escutadas por acaso são uma lista de produtos comprados ao preço da chuva, que, como se sabe, é baixo, porque ninguém a quer, embora faça falta. Eu até costumo afirmar que a chuva é muito keynesiana - investimento público climatérico, injectado para gerar empregos e apoiar a produção de produtos de primeira necessidade. A chuva, digo eu sem querer gerar controvérsia, é como o Estado português: todos dizem mal, mas todos aproveitam...

Num desses momentos em que eu escutava o que não me dizia respeito, mas que passou a fazer logo que o escutei, aquela imigrante veio até mim e, numa língua que era um português remoto ou futuro, pediu para lhe comprar o que me queria vender. Perante a minha indiferença apressada, insistiu, fez-se obstáculo ao meu caminho e começou um choro forçado com o qual falava da fome dos filhos. Nunca sabemos bem se, nestas ocasiões, devemos acreditar no que nos dizem e dar o que nos pedem. Mas eu, quando tenho uma dúvida, dou o benefício dela. Digo para comigo que, se for falso aquilo em que me esforço por acreditar, presto ao menos, com a compra ou com a dádiva, tributo ao talento do actor ou da actriz, arte que admiro por dar à vida uma mentira que a torna mais verdadeira.

A mulher, com um gesto mais exacto do que a voz, aproximava de mim o que queria vender, embora as suas palavras, mal pronunciadas na língua a que Camões deu o vigor da vastidão, não conseguissem ter clareza no que diziam. Nem era preciso! Assim que, parando o passo, acedi em ouvir a sua prece áspera, vi que ela tinha nas mãos, antiquíssimo e idêntico, "O Verdadeiro Almanaque Borda d'Água", agora na edição de 2009. Reconheci-o com a alegria de um reencontro. Paguei o que me pediu - e era mais do que aquilo que vem indicado na capa como preço. Mas não devemos levar o rigor ao ponto em que ele se torna escrúpulo. Sentei-me então num café, dos poucos onde ainda aceitam clientes com tempo, e, encantado, passei uma hora a ler e a desler o que lia. Lembrei-me até de um amigo que, quando estava perante alguém que presumia saber o que não sabia, aplicava um golpe de misericórdia na altiva e estreita auto-suficiência, atirando-lhe: "Tens uma cultura de 'Borda d'Água'."

Era justo, mas malévolo, o meu amigo! Quem nos dera que os ignorantes de hoje tivessem a sabedoria dos ignorantes de ontem, aquela que o almanaque transmite, desde há muitas décadas, no seu calendário de presságios, prevenções, previsões e prudências. Essa simples sabedoria, é-nos, como a terra dos hebreus, prometida logo na capa sob a fórmula eloquente: "Reportório útil a toda a gente contendo todos os dados astronómicos e religiosos e muitas indicações úteis de interesse geral." Assim é! Naquelas folhas lentas e minuciosas, de um design que já foi mau e, por ser o mesmo, agora é bom, se conhecem os feriados civis e religiosos, as festas, feiras e romarias, os oragos, padroeiros, protectores e patronos, as efemérides, lembranças e memórias. Ali, lemos aforismos, adágios, provérbios, rifões e anexins. E temos tudo sobre hortas, jardins e pomares. Ali, aprendemos o que devemos semear, plantar e colher. E quando devemos vacinar, castrar, tosquiar e fazer cobrir os animais. Ali, vemos a que horas o Sol nasce e se põe, qual é a vida da Lua, se há bom ou mau tempo, e qual é o movimento das marés. Ali, há astronomia, astrologia, meteorologia, religião, agronomia, etnografia, história, botânica, zoologia e filosofia para todos. Ali, citam-se Aristóteles, Oscar Wilde, Vinicius de Moraes e António Aleixo. Ali, aprendemos a ganhar o que nos faz falta e a poupar o que nos pode vir a fazer.

Não há viagem mais prevista e inesperada do que esta. Nela, passamos pelo que sabemos e pelo que ignoramos, por aquilo em que acreditamos e por aquilo de que duvidamos, pelo que nos interessa e pelo que nos é indiferente Sabendo que o conselho mais eficaz é o que damos a nós próprios, o almanaque cita Sócrates, acrescentando tratar-se do grego: "Não fiquem adormecidos no sono fácil das ideias feitas." Como a vida, o "Borda d'Água" atravessa os tempos e as alturas, da mais chã à mais elevada. Fala dos "dias vividos e dos dias a viver". Informa que "2009 será dominado por Júpiter e terá um Inverno temperado, uma Primavera ventosa, um Verão aprazível e um Outono chuvoso". Recomenda, para os jardins de Setembro, "semear amores-perfeitos, begónias, cravos, gipsófilas, margaridas, malmequeres, miosótis, papoilas. Plantar bolbos, jacintos, tulipas e narcisos". E afirma que os nativos de Leão, como eu, "no amor, são sedutores e conquistadores." Só por conhecer isto o meu coração se alegrou, na tarde que começava a ser minha...
(in Expresso)

Assim vai o mundo...

quarta-feira, setembro 03, 2008

O mundo de Obama...

Foi pedido aos dois candidatos à presidência dos EUA que escolhessem as dez canções favoritas! Até aqui prefiro Obama.

Ready or nor (Fugees)



What's going on (Marvin Gaye)



I'm on fire (Bruce Springsteen)



Gimme shelter (Rolling Stones)



Sinnerman (Nina Simone)



You'd be so easy to love (Frank Sinatra)



Think (Aretha Franklin)



City of blinding lights (U2)



Yes we can (will.i.am)



Assim vai o mundo...

segunda-feira, setembro 01, 2008

O mundo dos EUA...

Obama pode perder as eleições de Novembro. Porque são os americanos a votar. Leiam o texto de Miguel Monjardino...

'Yes, he can'

De quatro em quatro anos, os europeus têm durante o Verão um sonho americano. Durante este agradável sonho, os americanos elegem um presidente sofisticado, intelectual, progressista, educado nas melhores universidades do país, eloquente, curioso em relação às mais recentes políticas públicas e ao que se passa no estrangeiro. Nessas abençoadas semanas, os europeus acordam optimistas em relação ao futuro do Velho e Novo Continente.

O problema é que a seguir vem o Outono. E com o Outono vem o choque e o pavor. O presidente ardentemente desejado no Velho Continente perde para um candidato conservador, anti-intelectual, céptico em relação ao papel do governo federal, adepto do mercado, retrógrado em questões sociais, religiosas e judiciais, partidário da pena de morte e apologista das virtudes do poder militar americano. Será que este ano vamos ter uma enorme desilusão europeia em Novembro?

Eu sei, eu sei. A pergunta parece completamente ridícula. Para começar, George W. Bush, é um Presidente extremamente impopular. No mês passado, apenas 33% dos americanos apoiavam a maneira como Bush estava a exercer o seu mandato. 65%, a mais alta percentagem de sempre, tinham uma opinião negativa do seu Presidente. O preço dos combustíveis é extremamente elevado, as dúvidas sobre o sistema bancário e a economia são grandes e o cepticismo em relação ao estado do país e à sua influência internacional é geral. Os republicanos são tão impopulares que em Novembro os democratas têm uma excelente hipótese de aumentar a sua maioria na Câmara dos Representantes e de conseguir entre 56 e 60 lugares no Senado. Como o senador Charles Schumer (democrata/Nova Iorque) disse na quarta-feira à noite, em Denver, Novembro é uma oportunidade única para a coligação democrata. Com os republicanos claramente do lado errado da história, a possibilidade de Barack Obama perder para John McCain é praticamente nula. Certo?

As últimas semanas mostraram que a vitória de Obama não é inevitável. Por mais que custe a muitos europeus, a verdade é que a resposta à pergunta "Será que Obama pode perder?" é "Yes, he can!" A actual eurobamania está rodeada de grandes triunfos mas também de vulnerabilidades importantes. Os triunfos estão associados a questões políticas, sociais e organizacionais. A nomeação de Barack Obama como candidato presidencial dos democratas na quarta-feira à noite, na véspera do 45º aniversário do célebre discurso de Martin Luther King "I Have a Dream", no Lincoln Memorial em Washington, DC, foi um enorme momento político e social na história dos EUA. Há um ano, praticamente ninguém acreditava que Obama pudesse derrotar a poderosa e supostamente bem organizada campanha de Hillary Clinton. Joshua Green mostra no seu artigo 'The Front-Runner's Fall' ('Atlantic Monthly'/Setembro), como a campanha de Clinton se transformou rapidamente num caos tóxico. Uma gestão criteriosa da sua equipa, uma excelente organização, inovações ao nível do financiamento da sua campanha e uma retórica política de grande nível permitiram a Obama surpreender tudo e todos nas primárias dos democratas.

As vulnerabilidades têm a ver com as dúvidas dos americanos em relação a Obama. Para muitos europeus, o candidato presidencial dos democratas é extremamente bem conhecido e, obviamente, devia estar muito à frente nas sondagens. John McCain devia estar para lá do horizonte. Devia, mas não está. A meio da semana, praticamente todas as sondagens mostravam aquilo que para todos os efeitos é um empate entre McCain e Obama. Em termos de distribuição de votos no Colégio Eleitoral que elegerá o presidente, Obama tem uma vantagem de apenas dez votos. Peggy Noonan, uma astuta observadora da cena política americana, explica na sua coluna 'They're paying attention now' ('Wall Street Journal', 22 de Agosto) porque é que Obama não está claramente à frente de McCain.

"É difícil para a nossa classe política recordar que Obama só é famoso na América desde o Inverno de 2008. A América encontrou-o há apenas seis meses! A classe política entrevistou-o pela primeira vez ou leu a entrevista, em 2003 ou 2004, quando ele era uma estrela em ascensão. Eles conhecem-no. Todos os outros estão ainda a prestar atenção. Isto é o que eles vêem. Um homem atraente, inteligente, interessante mas... é difícil de categorizar. É o general Obama? Não, não tem passado militar. Brilhante homem de negócios Obama? Não, nunca trabalhou em negócios. Nome famoso Obama? Não, é um nome novo, um nome pouco usual. Governador durante muitos anos no Sul? Não. É um activista e gestor comunitário (o que é isso?), depois um advogado (búuu), depois um legislador estadual (e depois?, o meu primo também é), depois senador (há menos de quatro anos!). Não há nenhuma categoria pré-existente para ele".

Obama ainda não convenceu uma maioria clara dos americanos. Os próximos 68 dias prometem uma extraordinária campanha presidencial.
(in Expresso)

Assim vai o mundo...