Ainda não tinha visto o Batman Begins! E queria ve-lo antes de ver o último Batman em que Heath Ledger fez a sua última aparição. É de facto uma versão mais negra, mais filosófica até. Oferece-nos o lado mais humano do Homem Morcego, com todos os seus defeitos e falhas. Gostei...
Assim vai o mundo...
quarta-feira, dezembro 03, 2008
terça-feira, dezembro 02, 2008
O mundo da TV...
Fantástico o programa que deu ontem na RTP1 e que repete hoje a 0h30 na RTP2. Chama-se XPress 2008 e fala da realidade na América do Norte e do Sul. A não perder...
Assim vai o mundo...
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5:41 da tarde
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segunda-feira, dezembro 01, 2008
O mundo da blogosfera...
A todos os meus leitores e autores dos blogs que visito: não mais este vosso escriba fará comentários! Sem explicações e com um pedido de desculpa...
Assim vai o mundo...
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11:11 da tarde
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O mundo dos jornais...
A Unica deste Sábado é dedicada ao frio... Livra, eu lá preciso de uma revista para me lembrar o frio que está...
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9:05 da tarde
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domingo, novembro 30, 2008
O mundo dos jornais...
Magnífica a entrevista de Arturo Pérez-Reverte à Tabu de ontem. Um iberista nostálgico! Assim se define! A propósito do seu novo livro, Um livro de Cólera, um passeio pela História de Espanha, Portugal, da Europa. Um homem de ideias convictas e que deixou um alerta: a cultura ocidental está em decadência e o mundo islâmico vão ganhar a guerra das civilizações.
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8:04 da tarde
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sexta-feira, novembro 28, 2008
O mundo da TV....
Os Contemporaneos estão cada vez melhores! No episódio de ontem, três momentos fantásticos.
Manuela Ferreira Leite
Economia para Todos
Lobo Antunes, numa maravilhosa caricatura de Eduardo Madeira
Manuela Ferreira Leite
Economia para Todos
Lobo Antunes, numa maravilhosa caricatura de Eduardo Madeira
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4:19 da tarde
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O mundo de Timor...
Ontem Mário Crespo entrevistou Xanana! Apesar da evidente admiração do jornalista, este já não é o Xanana que me fascinava. Talvez a pose de Estado tenha estragado um pouco a ideia do guerrilheiro-poeta! Talvez o poder o tenha corrompido um pouco. O sorriso já não é o mesmo. É raro. Talvez a esperança se tenha transformado em resignação.
Assim vai o mundo...
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4:06 da tarde
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O mundo dos filmes...
Ontem sessão doméstica de cinema com dois filmes!
Primeiro, "A Vila"! Estranho que depois de ouvir amigos meus a dizimar o filme, eu tenho de chegar ao fim e dizer que adorei. M. Night Shyamalan é um excelente contador de estórias e um magnífico argumentista. A metáfora da vila, do medo da cidade, dos "monstros", do vencer dos medos é fabulosa! Adrien Brody, Joaquin Phoenix e Bryce Dallas Howard (uma revelação) estão magníficos. Gostei muito...
Segundo, "Coisa Ruim"! Uma mistura de "Os outros" com "A vila". Um filme português diferente. Tirando uma ou duas cenas em que os diálogos pareciam artificiais, o filmes está muito bem feito. Boa realização, boas interpretações e um bom argumento. O cinema português parece estar cada vez melhor. Num misto de bom gosto e senso comum...
Assim vai o mundo...
Primeiro, "A Vila"! Estranho que depois de ouvir amigos meus a dizimar o filme, eu tenho de chegar ao fim e dizer que adorei. M. Night Shyamalan é um excelente contador de estórias e um magnífico argumentista. A metáfora da vila, do medo da cidade, dos "monstros", do vencer dos medos é fabulosa! Adrien Brody, Joaquin Phoenix e Bryce Dallas Howard (uma revelação) estão magníficos. Gostei muito...
Segundo, "Coisa Ruim"! Uma mistura de "Os outros" com "A vila". Um filme português diferente. Tirando uma ou duas cenas em que os diálogos pareciam artificiais, o filmes está muito bem feito. Boa realização, boas interpretações e um bom argumento. O cinema português parece estar cada vez melhor. Num misto de bom gosto e senso comum...
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2:51 da tarde
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quinta-feira, novembro 27, 2008
O mundo dos jornais...
Fernando Madrinha é que fala bem! Porque é que Beiriz é a excepção?
Beiriz, outra vez
Há 11 anos que não ouvia falar da escola EB 2,3 de Beiriz. Em Novembro de 1999, uma reportagem no 'Público' que quase reproduzi nesta página contava que em Beiriz, Póvoa de Varzim, havia uma escola básica onde a taxa de sucesso oscilava entre os 82 e os 95 por cento, onde os alunos gostavam de estar mesmo quando não tinham aulas, onde os casos de indisciplina quase não existiam. O edifício tinha cinco anos e a repórter dizia que não vira um risco nas paredes, nem um papel no chão.
Esta semana voltámos a ouvir falar de Beiriz e outra vez no 'Público'. O retrato da EB 2,3 é o mesmo de há 11 anos. De novo, só o facto de a indisciplina se ter tornado tão residual que foram dispensados os auxiliares de recreio. Também a padaria é novidade. Sim, a padaria. É lá que os alunos cozem o pão que é servido na cantina.
Beiriz parece um milagre. Mas repare-se neste pormenor e teremos metade da explicação do milagre: a presidente do conselho executivo, Maria Luísa Moreira, é a mesma. Isto quer dizer que houve estabilidade na liderança. E se houve estabilidade na liderança é porque a liderança é forte e capaz - meio caminho andado para haver estabilidade na escola e, consequentemente, um bom desempenho. Não admira, pois, que na EB 2,3 de Beiriz a avaliação dos professores se faça sem dramas, corra a bom ritmo e com todos os prazos a serem cumpridos.
"É a nossa cultura de escola", explica a presidente do conselho executivo. Vejamos dois exemplos. Por lá, pratica-se há anos a auto-avaliação dos professores, pelo que a definição das metas individuais se tornou rotina. Outro caso controverso na avaliação, mas que em Beiriz é trivial: a observação das aulas. "A co-docência é frequente", diz Maria Luísa Moreira, sendo "normal" - repare-se: normal - um professor pedir a um colega que o auxilie na sala de aula.
Se alguém ainda tivesse dúvidas de que o modelo de avaliação - burocrático, complexo e tudo isso - era exequível, mesmo antes do recuo governamental desta semana, não precisava de viajar para a Finlândia. Bastava ir ver a Beiriz. Mas não se pense que na EB 2,3 se aplica acriticamente o modelo do ME. Uma avaliação rigorosa "não precisa daquelas fichas todas", como diz Maria Luísa Moreira. Aproveitando toda a margem de manobra e de autonomia que o ministério já concedeu às escolas, Beiriz aplica o essencial do modelo, depois de o ter tornado "o menos complexo possível". Ah!, e ninguém se queixa de reuniões sem fim e de "stresse" diabólico. Em Beiriz, a EB 2,3 fecha todos os dias às 18 e 30. (in Expresso)
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Beiriz, outra vez
Há 11 anos que não ouvia falar da escola EB 2,3 de Beiriz. Em Novembro de 1999, uma reportagem no 'Público' que quase reproduzi nesta página contava que em Beiriz, Póvoa de Varzim, havia uma escola básica onde a taxa de sucesso oscilava entre os 82 e os 95 por cento, onde os alunos gostavam de estar mesmo quando não tinham aulas, onde os casos de indisciplina quase não existiam. O edifício tinha cinco anos e a repórter dizia que não vira um risco nas paredes, nem um papel no chão.
Esta semana voltámos a ouvir falar de Beiriz e outra vez no 'Público'. O retrato da EB 2,3 é o mesmo de há 11 anos. De novo, só o facto de a indisciplina se ter tornado tão residual que foram dispensados os auxiliares de recreio. Também a padaria é novidade. Sim, a padaria. É lá que os alunos cozem o pão que é servido na cantina.
Beiriz parece um milagre. Mas repare-se neste pormenor e teremos metade da explicação do milagre: a presidente do conselho executivo, Maria Luísa Moreira, é a mesma. Isto quer dizer que houve estabilidade na liderança. E se houve estabilidade na liderança é porque a liderança é forte e capaz - meio caminho andado para haver estabilidade na escola e, consequentemente, um bom desempenho. Não admira, pois, que na EB 2,3 de Beiriz a avaliação dos professores se faça sem dramas, corra a bom ritmo e com todos os prazos a serem cumpridos.
"É a nossa cultura de escola", explica a presidente do conselho executivo. Vejamos dois exemplos. Por lá, pratica-se há anos a auto-avaliação dos professores, pelo que a definição das metas individuais se tornou rotina. Outro caso controverso na avaliação, mas que em Beiriz é trivial: a observação das aulas. "A co-docência é frequente", diz Maria Luísa Moreira, sendo "normal" - repare-se: normal - um professor pedir a um colega que o auxilie na sala de aula.
Se alguém ainda tivesse dúvidas de que o modelo de avaliação - burocrático, complexo e tudo isso - era exequível, mesmo antes do recuo governamental desta semana, não precisava de viajar para a Finlândia. Bastava ir ver a Beiriz. Mas não se pense que na EB 2,3 se aplica acriticamente o modelo do ME. Uma avaliação rigorosa "não precisa daquelas fichas todas", como diz Maria Luísa Moreira. Aproveitando toda a margem de manobra e de autonomia que o ministério já concedeu às escolas, Beiriz aplica o essencial do modelo, depois de o ter tornado "o menos complexo possível". Ah!, e ninguém se queixa de reuniões sem fim e de "stresse" diabólico. Em Beiriz, a EB 2,3 fecha todos os dias às 18 e 30. (in Expresso)
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quarta-feira, novembro 26, 2008
O mundo de Obama..
Anda muito gente a ficar desiludida com as escolhas de Obama para o seu gabinete presidencial! Ora porque são próximas dos Clinton, ora porque são próximas de McCain. Entenda-se! Para se mudar o mundo temos de ter os amigos do nosso lado, e os inimigos à nossa frente. Ele falou muito em procurar pontes entre os dois partidos! Só ao centro se consegue uma verdadeira frente unida. Por muito que doa à esquerda mundial! Ele é a mudança... Nunca nos podemos esquecer que uma longa caminhada começa com um pequeno passo!
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O mundo das crónicas...
Há crónicas que parecem escritas por mim! Mas não são. São de José Manuel dos Santos. E que delícia as três últimas frases...
Castanhas
Depois do sol, veio o frio. Caminho na rua àquela hora em que a luz do dia já partiu e a da noite ainda não chegou. Este é o momento em que tudo começa a ausentar-se do que foi. Os prédios negam-se uns aos outros, fundem-se, soldam-se numa parede cega como a de uma fortaleza; o chão recusa-se a subir até aos nossos olhos e somos nós que o procuramos, para não tropeçar nele; as árvores, quando as há, tornam-se fantasmas vegetais (Lourdes Castro percebeu isso como ninguém); os carros correm para o crepúsculo como para uma meta. O barulho cresce, depois decai - e nasce também em nós o desejo de não sermos mais o que fomos durante o dia.
Antes do frio, havia o sol que vai longe. As luzes acendem-se nos candeeiros e dão-nos outro mundo. Tudo agora se faz de sombra clara e de claridade escura. Os corpos que se sucedem nas ruas aproximam-se, afastam-se, hesitam, chocam-se, evitam-se. Somos atravessados por sons misturados: buzinas, sinos, vozes, ruídos, apitos, pregões, gritos, e protestos. Um velho pede esmola sentado e diz que "sim" com a cabeça, quando lha dão, e diz que "não", quando lha negam, num código tão imutável e binário como uma álgebra de Boole. A missa da tarde acabou: da igreja sai gente com passos vagarosos, que só ganham velocidade após descerem a escadaria e chegarem ao passeio.
Ando e, à minha frente, duas mulheres apontam uma montra antiga onde estão escritas as palavras que prometem preços baratos. Nos seus dedos, há anéis e nos seus pulsos pulseiras que rodam. Os gestos que fazem abrem-se e fecham-se, cruzam-se, batem-se. Em sentido contrário, passa um homem que lança com fúria nomes do futebol e da política. Atira-os como se fossem pedras e a seguir agita os braços. Um funâmbulo equilibra o fogo antes de o devorar, como se fosse o Saturno dos filhos em chamas. Mais adiante, um rapaz vestido de negro mostra os seus cães amestrados: são dez numa matilha serena. De repente, vinda não se sabe donde, uma louca irrompe, anda em ziguezague, fala um inglês dos teatros de Stratford-upon-Avon. Ao lado, está o engraxador que vende livros e fala deles enquanto dá brilho aos sapatos. Sabe de cor poemas e diálogos de filmes. Andou na guerra em África, que para ele ainda não terminou. Por isso, está sempre à espera de um inimigo que o venha matar. Na parede, atrás de si, tem colados recortes de jornais com fotografias dos clientes célebres. Quando morre algum deles, assim aconteceu com o Eduardo Prado Coelho, expõe as necrologias. Um homem foi lá engraxar os sapatos e, depois de ele lhe ter falado dos mortos ilustres, levantou-se, apontou os retratos e exclamou: "Antes eles que eu!" Ouvi esta frase fria e feita como se ela fosse dita pela voz da vida.
Os mendigos e os doidos multiplicam-se. Um dá voltas sucessivas em redor de um poste e grita: "Andamos todos à volta não sabemos de quê. Mas continuamos a andar. E continuamos a não saber!" Outro veste o saco-cama onde à noite dorme. Nunca o tira! E chora quando não lhe dão esmola: "Porra, já não como há dois dias! E estes cabrões sempre de papo cheio!" Uma senhora muito bem posta, a quem se dirige, responde-lhe, ríspida: "Vá pedir ao Cavaco e ao Sócrates, esses é que têm obrigação." Ele vira-lhe as costas com um insulto sexual nos dedos.
Caminho no meio da Babel. Subitamente, aspiro um fumo bom e vem nele um cheiro de passado contente. Paro, embora continue a andar. Estou suspenso em mim: as sensações são imagens. Olho o lugar de onde vem o fumo: o de uma vendedora com o seu carro. Iluminada pelo fogo lento, ela tira as castanhas do lume. Faz um cartucho num gesto hábil, agarra-as a escaldar e põe lá uma dúzia. Eu pago-as, recebo o pacote e tiro a casca castanha escura, lisa e fendida. Começo a comê-las. Na faca do frio, cintila o gume de uma felicidade. Regresso ao que fui no tempo em que a minha avó mas dava. Continuo a comê-las, sem parar. Penso: as castanhas são as cerejas do Inverno que avança. E são como as palavras que as dizem: umas atrás das outras... (in Expresso)
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Castanhas
Depois do sol, veio o frio. Caminho na rua àquela hora em que a luz do dia já partiu e a da noite ainda não chegou. Este é o momento em que tudo começa a ausentar-se do que foi. Os prédios negam-se uns aos outros, fundem-se, soldam-se numa parede cega como a de uma fortaleza; o chão recusa-se a subir até aos nossos olhos e somos nós que o procuramos, para não tropeçar nele; as árvores, quando as há, tornam-se fantasmas vegetais (Lourdes Castro percebeu isso como ninguém); os carros correm para o crepúsculo como para uma meta. O barulho cresce, depois decai - e nasce também em nós o desejo de não sermos mais o que fomos durante o dia.
Antes do frio, havia o sol que vai longe. As luzes acendem-se nos candeeiros e dão-nos outro mundo. Tudo agora se faz de sombra clara e de claridade escura. Os corpos que se sucedem nas ruas aproximam-se, afastam-se, hesitam, chocam-se, evitam-se. Somos atravessados por sons misturados: buzinas, sinos, vozes, ruídos, apitos, pregões, gritos, e protestos. Um velho pede esmola sentado e diz que "sim" com a cabeça, quando lha dão, e diz que "não", quando lha negam, num código tão imutável e binário como uma álgebra de Boole. A missa da tarde acabou: da igreja sai gente com passos vagarosos, que só ganham velocidade após descerem a escadaria e chegarem ao passeio.
Ando e, à minha frente, duas mulheres apontam uma montra antiga onde estão escritas as palavras que prometem preços baratos. Nos seus dedos, há anéis e nos seus pulsos pulseiras que rodam. Os gestos que fazem abrem-se e fecham-se, cruzam-se, batem-se. Em sentido contrário, passa um homem que lança com fúria nomes do futebol e da política. Atira-os como se fossem pedras e a seguir agita os braços. Um funâmbulo equilibra o fogo antes de o devorar, como se fosse o Saturno dos filhos em chamas. Mais adiante, um rapaz vestido de negro mostra os seus cães amestrados: são dez numa matilha serena. De repente, vinda não se sabe donde, uma louca irrompe, anda em ziguezague, fala um inglês dos teatros de Stratford-upon-Avon. Ao lado, está o engraxador que vende livros e fala deles enquanto dá brilho aos sapatos. Sabe de cor poemas e diálogos de filmes. Andou na guerra em África, que para ele ainda não terminou. Por isso, está sempre à espera de um inimigo que o venha matar. Na parede, atrás de si, tem colados recortes de jornais com fotografias dos clientes célebres. Quando morre algum deles, assim aconteceu com o Eduardo Prado Coelho, expõe as necrologias. Um homem foi lá engraxar os sapatos e, depois de ele lhe ter falado dos mortos ilustres, levantou-se, apontou os retratos e exclamou: "Antes eles que eu!" Ouvi esta frase fria e feita como se ela fosse dita pela voz da vida.
Os mendigos e os doidos multiplicam-se. Um dá voltas sucessivas em redor de um poste e grita: "Andamos todos à volta não sabemos de quê. Mas continuamos a andar. E continuamos a não saber!" Outro veste o saco-cama onde à noite dorme. Nunca o tira! E chora quando não lhe dão esmola: "Porra, já não como há dois dias! E estes cabrões sempre de papo cheio!" Uma senhora muito bem posta, a quem se dirige, responde-lhe, ríspida: "Vá pedir ao Cavaco e ao Sócrates, esses é que têm obrigação." Ele vira-lhe as costas com um insulto sexual nos dedos.
Caminho no meio da Babel. Subitamente, aspiro um fumo bom e vem nele um cheiro de passado contente. Paro, embora continue a andar. Estou suspenso em mim: as sensações são imagens. Olho o lugar de onde vem o fumo: o de uma vendedora com o seu carro. Iluminada pelo fogo lento, ela tira as castanhas do lume. Faz um cartucho num gesto hábil, agarra-as a escaldar e põe lá uma dúzia. Eu pago-as, recebo o pacote e tiro a casca castanha escura, lisa e fendida. Começo a comê-las. Na faca do frio, cintila o gume de uma felicidade. Regresso ao que fui no tempo em que a minha avó mas dava. Continuo a comê-las, sem parar. Penso: as castanhas são as cerejas do Inverno que avança. E são como as palavras que as dizem: umas atrás das outras... (in Expresso)
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terça-feira, novembro 25, 2008
O mundo da música...
Uma música diferente! Chromeo com "Momma's boy"...
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5:28 da tarde
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O mundo das revistas...
Na LER deste mês, duas entrevistas notáveis! Na primeira Carlos Vaz Marques põe Miguel Esteves Cardoso a falar. E ele é como sempre foi! Controverso, directo, cortante. Fala de Saramago, Agustina, Lobo Antunes, ficção, poesia, escrever, ler e muito mais... A segunda uma entrevista de Sara Belo a Dinis Machado no Outono de 2002. E que bem falava ele! Sobre "O que diz Molero", sobre o escritor e a vida, sobre a nostalgia... Para matar as saudades!
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5:16 da tarde
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domingo, novembro 23, 2008
O mundo antigo...
Mais um passeio pela estrada da memória... Desta vez três momentos de filmes portugueses mais antiguinhos...
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Francisco del Mundo
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sexta-feira, novembro 21, 2008
O mundo da música...
Há dias morreu Miriam Makeba, talvez a cantora africana mais emblemática. Aqui fica o tributo...
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Francisco del Mundo
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O mundo dos filmes...
Só agora começo a conhecer a obra de Manoel de Oliveira! Propositadamente talvez. Vi ontem pela primeira vez um filme dele. Comecei por Non ou a Vã Glória de Mandar. Tirando, mas compreendendo, os planos formais longuíssimos, acho que ele é um excelente director de actores. Neste filme, as cenas em que Miguel Guilherme, Luis Miguel Cintra, Diogo Dória ou Luis Lucas vão discorrendo sobre a História de Portugal são deliciosas...
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Francisco del Mundo
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4:06 da tarde
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quinta-feira, novembro 20, 2008
O mundo dos jornais...
A Única de Sabado é dedicada à Televisão! Sempre confessei que gosto muito da caixinha mágica. E que maravilhosa entrevista a um senhor da TV chamado Mário Crespo. Fui completamente apanhado de surpresa ao saber que tem 62 anos, mas depois de conhecer os vários momentos da sua vida, só tenho de sorrir. Uma vida cheia de um homem em cheio.
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Francisco del Mundo
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7:16 da tarde
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O mundo dos filmes..
Não é um filme fácil! Mas "Não te movas" prende-nos ao ecran. Um belo argumento e várias belas interpretações...
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Francisco del Mundo
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12:48 da manhã
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quarta-feira, novembro 19, 2008
O mundo dos jornais...
Leio na Tabu de Sábado que abriu em Lisboa mais um espaço de cultura, de seu nome LX Factory. Depois da Fábrica do Berço da Prata, mais um espaço multicultural. Acho muito bem, nada contra. Mas também começa a ser tempo olhar para o resto do país...
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Francisco del Mundo
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11:50 da tarde
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terça-feira, novembro 18, 2008
O mundo dos que desaparecem...
Morreu Pedro Pinheiro! Um actor que nos lembramos de ver nos Malucos do Riso e que sempre me inspirou simpatia e bonomia...

E ainda estou chocado com a morte da bela e jovem Rute Cruz, jornalista da TVI.

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E ainda estou chocado com a morte da bela e jovem Rute Cruz, jornalista da TVI.

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Francisco del Mundo
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3:50 da tarde
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