Ontem, no início do Famafest (e segue-se uma semana cheia de filmes), um concerto magnífico de Carlos do Carmo. A presença viva de um mestre, neste caso do fado, é sempre para mim uma ocasião especial. Ficam aqui alguns vídeos, não de ontem mas de sempre...
Assim vai o mundo...
domingo, março 15, 2009
sexta-feira, março 13, 2009
O mundos dos filmes...
Vi ontem o The Wrestler.. Um filme duro, não fácil de ver! Uma magnífica interpretação de Mickey Rourke num papel à sua medida: decadente, desistente, terminal. E quem é que diria que Marisa Tomei tem 44 anos? Com um corpo daqueles. Vejam!!
Assim vai o mundo...
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6:46 da tarde
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quinta-feira, março 12, 2009
O mundo...
Ontem mais um estudante alemão decidiu executar um massacre na sua escola! Matou 15 pessoas antes de se matar. Disse no dia anterior que estava farto de viver. O mais chocante é que antes de se matar, o que não é inédito e nunca irá deixar de existir, decidiu ceifar a vida a 15 pessoas que desejavam viver. Para não falar de que a maior facilidade que os jovens tem hoje de conseguir armas, aumenta a possibilidade de tragédias destas. Imagino que se seguirão agora vários debates em Portugal e no mundo. Mas creio que não haja muita solução.
Assim vai o mundo...
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1:49 da tarde
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O mundo das revistas...
Na LER deste mês, magnífica a entrevista de Carlos Vaz Marques ao, provavelmente mais conhecido, sociólogo português António Barreto. Uma viagem ao Portugal dos últimos 50 anos através do olhar lúcido e pensado de um dos nossos melhores intelectuais.
Por falar em intelectuais, ficou-me a curiosidade sobre a obra Os intelectuais de Paul Johnson, analisada e criticada nesta revista por João Pereira Coutinho, Miguel Esteves Cardoso, Lídia Jorge e outros mais.
Assim vai o mundo...
Por falar em intelectuais, ficou-me a curiosidade sobre a obra Os intelectuais de Paul Johnson, analisada e criticada nesta revista por João Pereira Coutinho, Miguel Esteves Cardoso, Lídia Jorge e outros mais.
Assim vai o mundo...
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Francisco del Mundo
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1:38 da tarde
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quarta-feira, março 11, 2009
O mundo da música...
Esta música dos The Killers não me sai da cabeça: Human! Are wwe human or are we dancers?
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4:28 da tarde
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terça-feira, março 10, 2009
O mundo da bola...
Leio no Expresso a seguinte notícia:
Conheceram-se em Barcelona, depois um Espanhol-Benfica que acabou com a carreira dos 'encarnado's na Taça UEFA, em Março de 2007. Juliana Boncristiano era bailarina profissional num bar e Manuel Vilarinho convidou-a para umas mini-férias no Algarve. "Eu faço strip, ele viu e insistiu muito para eu vir a Portugal. Como era casado, tinha de ser no Algarve. Aceitei", disse ao Expresso.
A 24 de Abril de 2007, às quatro da manhã, a GNR de Sagres foi chamada a um aparthotel para resolver uma queixa de agressão. A mulher foi levada ao hospital. O homem não foi detido porque não houve flagrante delito. De acordo com a acusação do Ministério Público de Lagos, "Manuel Vilarinho desferiu em Juliana Boncristiano um número indeterminado de socos que a atingiram na cabeça e nos membros superiores, causando-lhe dores e equimoses no ombro direito e no braço esquerdo".
O presidente da Assembleia-Geral do Benfica é acusado de ofensa à integridade física simples, punível com três anos de prisão ou multa. Depende da queixa e só haverá condenação em tribunal se ficar provado que Vilarinho foi o primeiro a agredir.
Juliana, que entretanto voltou a Espanha e diz ter deixado o mundo da noite, garante nada ter feito para provocar as agressões: "Fomos jantar fora com um casal amigo e o Manuel Vilarinho bebeu bastante. Pediu-me para levar o Mercedes e, ao estacionar, uma pedra bateu no fundo do carro. Ele ficou furioso e começou logo a discutir. Parece uma pessoa normal, mas fica transtornado com a bebida".
A discussão foi ouvida pelo vigilante do aparthotel. "Só sabemos o que se passou fora do quarto, lá dentro não sei", descreve um responsável do aparthotel.
"Quando chegámos ao quarto começámos a discutir e ele agrediu-me. Deu-me empurrões, socos e não me deixava sair do quarto. Só não me bateu mais porque me defendi. Fui ao carro dele buscar uma daquelas armas que dão choques e chamei a Polícia", conta Juliana, que apresentou queixa e voltou a Espanha.
"Recebi ameaças para não ir com isto para a frente, mas não podia desisitir. O meu pai e a minha mãe nunca me bateram e não admito que encostem a mão em mim", relata a cidadã brasileira.
Durante dois dias o Expresso tentou contactar Manuel Vilarinho, que teve sempre o telemóvel desligado.
Eu deveria ter desconfiado que aquela cor avermelhada não era do benfiquismo...
Assim vai o mundo...
Conheceram-se em Barcelona, depois um Espanhol-Benfica que acabou com a carreira dos 'encarnado's na Taça UEFA, em Março de 2007. Juliana Boncristiano era bailarina profissional num bar e Manuel Vilarinho convidou-a para umas mini-férias no Algarve. "Eu faço strip, ele viu e insistiu muito para eu vir a Portugal. Como era casado, tinha de ser no Algarve. Aceitei", disse ao Expresso.
A 24 de Abril de 2007, às quatro da manhã, a GNR de Sagres foi chamada a um aparthotel para resolver uma queixa de agressão. A mulher foi levada ao hospital. O homem não foi detido porque não houve flagrante delito. De acordo com a acusação do Ministério Público de Lagos, "Manuel Vilarinho desferiu em Juliana Boncristiano um número indeterminado de socos que a atingiram na cabeça e nos membros superiores, causando-lhe dores e equimoses no ombro direito e no braço esquerdo".
O presidente da Assembleia-Geral do Benfica é acusado de ofensa à integridade física simples, punível com três anos de prisão ou multa. Depende da queixa e só haverá condenação em tribunal se ficar provado que Vilarinho foi o primeiro a agredir.
Juliana, que entretanto voltou a Espanha e diz ter deixado o mundo da noite, garante nada ter feito para provocar as agressões: "Fomos jantar fora com um casal amigo e o Manuel Vilarinho bebeu bastante. Pediu-me para levar o Mercedes e, ao estacionar, uma pedra bateu no fundo do carro. Ele ficou furioso e começou logo a discutir. Parece uma pessoa normal, mas fica transtornado com a bebida".
A discussão foi ouvida pelo vigilante do aparthotel. "Só sabemos o que se passou fora do quarto, lá dentro não sei", descreve um responsável do aparthotel.
"Quando chegámos ao quarto começámos a discutir e ele agrediu-me. Deu-me empurrões, socos e não me deixava sair do quarto. Só não me bateu mais porque me defendi. Fui ao carro dele buscar uma daquelas armas que dão choques e chamei a Polícia", conta Juliana, que apresentou queixa e voltou a Espanha.
"Recebi ameaças para não ir com isto para a frente, mas não podia desisitir. O meu pai e a minha mãe nunca me bateram e não admito que encostem a mão em mim", relata a cidadã brasileira.
Durante dois dias o Expresso tentou contactar Manuel Vilarinho, que teve sempre o telemóvel desligado.
Eu deveria ter desconfiado que aquela cor avermelhada não era do benfiquismo...
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3:32 da tarde
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O mundo da economia...
Ideia engraçada do Expresso! Veja o vídeo. E já agora quem ganhou...
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2:33 da tarde
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domingo, março 08, 2009
O mundo da TV...
Há algumas semanas, Conan O'Brien despediu-se do Late Night! Foram momentos loucos de um programa que muitas vezes vivia no limite. Ele agora seguirá para Los Angeles para apresentar o mais bem comportado Tonight Show. Deixo aqui alguns videos de tributo e do último programa...
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8:54 da tarde
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sexta-feira, março 06, 2009
O mundo da música..
A propósito do filme Gran Torino que falei há dias, aqui fica a música final do filme! Jamie Cullum...
Gran Torino
So tenderly
Your story is
Nothing more
Than what you see
Or
What you've done
Or will become
Standing strong
Do you belong
In your skin
Just wondering
Gentle now
The tender breeze
Blows
Whispers through
My Gran Torino
Whistling another
Tired song
Engine humms
And bitter dreams
Grow heart locked
In a Gran Torino
It beats
A lonely rhythm
All night long
It beats
A lonely rhythm
All night long
It beats
A lonely rhythm
All night long
Realign all
The stars
Above my head
Warning signs
Travel far
I drink instead
On my own
Oh,how I've known
The battle scars
And worn out beds
Gentle now
A tender breeze
Blows
Whispers through
A Gran Torino
Whistling another
Tired song
Engines humm
And bitter dreams
Grow
Heart locked
In a Gran Torino
It beats
A lonely rhythm
All night long
These streets
Are old
They shine
With the things
I've known
And breaks
Through
The trees
Their sparkling
Your world
Is nothing more
Than all
The tiny things
You've left
Behind
So tenderly
Your story is
Nothing more
Than what you see
Or
What you've done
Or will become
Standing strong
Do you belong
In your skin
Just wondering
Gentle now
A tender breeze
Blows
Whispers through
The Gran Torino
Whistling another
Tired song
Engines humm
And bitter dreams
Grow
A heart locked
In a Gran Torino
It beats
A lonely rhythm
All night long
May I be
So bold and stay
I need someone
To hold
That shudders
My skin
Their sparkling
Your world
Is nothing more
Than all
The tiny things
You've left
Behind
So realign
All the stars
Above my head
Warning signs
Travel far
I drink instead
On my own
Oh
How i've known
The battle scars
And worn out beds
Gentle now
A tender breeze
Blows
Whispers through
The Gran Torino
Whistling another
Tired song
Engines humm
And better dreams
Grow
Heart locked
In a Gran Torino
It beats
A lonely rhythm
All night long
It beats
A lonely rhythm
All night long
It beats
A lonely rhythm
All night long
Assim vai o mundo...
Gran Torino
So tenderly
Your story is
Nothing more
Than what you see
Or
What you've done
Or will become
Standing strong
Do you belong
In your skin
Just wondering
Gentle now
The tender breeze
Blows
Whispers through
My Gran Torino
Whistling another
Tired song
Engine humms
And bitter dreams
Grow heart locked
In a Gran Torino
It beats
A lonely rhythm
All night long
It beats
A lonely rhythm
All night long
It beats
A lonely rhythm
All night long
Realign all
The stars
Above my head
Warning signs
Travel far
I drink instead
On my own
Oh,how I've known
The battle scars
And worn out beds
Gentle now
A tender breeze
Blows
Whispers through
A Gran Torino
Whistling another
Tired song
Engines humm
And bitter dreams
Grow
Heart locked
In a Gran Torino
It beats
A lonely rhythm
All night long
These streets
Are old
They shine
With the things
I've known
And breaks
Through
The trees
Their sparkling
Your world
Is nothing more
Than all
The tiny things
You've left
Behind
So tenderly
Your story is
Nothing more
Than what you see
Or
What you've done
Or will become
Standing strong
Do you belong
In your skin
Just wondering
Gentle now
A tender breeze
Blows
Whispers through
The Gran Torino
Whistling another
Tired song
Engines humm
And bitter dreams
Grow
A heart locked
In a Gran Torino
It beats
A lonely rhythm
All night long
May I be
So bold and stay
I need someone
To hold
That shudders
My skin
Their sparkling
Your world
Is nothing more
Than all
The tiny things
You've left
Behind
So realign
All the stars
Above my head
Warning signs
Travel far
I drink instead
On my own
Oh
How i've known
The battle scars
And worn out beds
Gentle now
A tender breeze
Blows
Whispers through
The Gran Torino
Whistling another
Tired song
Engines humm
And better dreams
Grow
Heart locked
In a Gran Torino
It beats
A lonely rhythm
All night long
It beats
A lonely rhythm
All night long
It beats
A lonely rhythm
All night long
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quinta-feira, março 05, 2009
O mundo das revistas...
A revista Unica de Sábado dedicou-se a coisas pequenas. Lá dentro pequenas entrevistas a alguma personalidades. Joana Amaral Dias, Bruno Nogueira, Carlos do Carmo. Belas perguntas, fantásticas respostas. Leiam! Não custa nada...
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quarta-feira, março 04, 2009
O mundo da política...
Uma das piores heranças que Portugal deixou em África foi a nossa eterna ingovernabilidade. O assassinato de Nino Vieira na Guiné é disso testemunho...
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11:13 da tarde
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O mundo dos filmes...
Vi Gran Torino de e com Clint Eastwood. Gostei muito! Primeiro, a problemática do racismo e da violência. A transformação de ódio em amor e de amor em ódio. O argumento com um fim simplesmente belo! O overacting fabuloso de Clint Eastwood. Um filme a ver...
Assim vai o mundo...
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terça-feira, março 03, 2009
O mundo da TV...
Ontem a noite e durante o resto da semana, a RTP 2 transmite depois da meia noite um documentário realizado por Yann Arthus-Bertrand. 5 anos e milhares de entrevistas a pessoas comuns sobre temas como a família, felicidade, amor e tantos outros assuntos. É engraçado ver como algumas coisas tem uma perspectiva tão diferente conforme a raça, nacionalidade e obviamente individualidade. Não percam...
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4:04 da tarde
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O mundo dos filmes...
Vi ontem o filme do Kusturica sobre o Maradona. Louco, louco! Mas também só podia sair este resultado na junção de dois dos mais loucos personagens do mundo. Para quem gosta de futebol, a ver...
Assim vai o mundo...
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segunda-feira, março 02, 2009
O mundo da Tv...
Hoje às 22h20 estreia na Fox mais uma série fantástica. Chama-se "The Listener"! Já vi a primeira temporada e é muito boa.
Assim vai o mundo...
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2:55 da manhã
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sexta-feira, fevereiro 27, 2009
O mundo da blogosfera...
A propósito de blogs, uma bela amiga começou este blog delicioso. Visitem e deliciem-se...
Assim vai o mundo...
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6:14 da tarde
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quinta-feira, fevereiro 26, 2009
O mundo dos anúncios...
Um anúncio fantástico da T-Mobile...
ASsim vai o mundo...
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quarta-feira, fevereiro 25, 2009
O mundo das crónicas...
A propósito do Carnaval, José Manuel dos Santos...
Se os seres a que chamamos humanos erguessem, sobre as cabeças, uma bandeira que mostrasse o brasão da sua genealogia e da sua condição, a imagem que as simbolizava haveria de ter uma máscara. É que criámos poucas coisas que melhor nos dizem do que esse outro rosto do rosto, onde nos escondemos e mostramos. A máscara, negando-nos, afirma-nos, dizendo o que somos na identidade, no disfarce, na alteridade, na representação, na pseudonomia, na mediação. E na catarse, na transfiguração, no enigma, na possessão, no engano, na ocultação, no rito, no adorno. Por isso, em tudo o que é nosso há máscaras de um rosto encoberto. Divinas ou demoníacas, animais ou vegetais, carnavalescas ou funerárias, marciais ou pacíficas, cómicas ou trágicas, sagradas ou profanas, materiais ou imateriais, as máscaras atravessam a antropologia, a psicanálise, a sociologia, a política, a medicina, a religião, a filosofia, o teatro, a literatura, a pintura, a escultura, a fotografia, o cinema, a dança, a ópera, a banda desenhada, o desporto. E a magia, o humor, o espiritismo, a espionagem, a aventura, o amor, a guerra, o crime.
Fernando Pessoa lembrava que o seu nome vinha da palavra latina persona, que significa máscara. E, ao lembrá-lo, dava uma razão de destino à criação dos heterónimos e à sua multiplicação neles. Mas toda a literatura é a máscara verbal de um rosto em fuga. É um teatro do ser. Os gregos, Shakespeare, Beckett sabiam-no.
Os romances estão também cheios de máscaras. Dom Quixote e Sancho Pança são máscaras um do outro - e nossas. Assim o são Narciso e Goldmundo. Também Bouvard e Pécuchet são máscaras do incessante carnaval da estupidez humana. E a obra de Proust diz-nos que viver é trocar as máscaras do tempo. O seu livro dá ao rosto do narrador a máscara do escritor. E Borges é a máscara de Borges até ao infinito. Na filosofia, para Espinosa, o mundo não é a máscara de Deus? E, para Kant, o fenómeno não é a máscara do númeno?
Na pintura, as máscaras são um rosto. Não precisamos de olhar os quadros cheios de máscaras de Pietro Longhi ou de Picasso para saber isso. Os auto-retratos de Rembrandt são máscaras de um rosto que durou menos do que elas. E, em "As Meninas", que faz Velázquez senão mostrar a máscara da pintura, mostrando o rosto do pintor?
As primeiras imagens do Casanova de Fellini misturam os rostos e as máscaras que fazem o mundo. E que fazem a vida, o amor, a morte. Já imaginaram o que seria a ópera sem máscaras, disfarces, enganos e travestis?
O Carnaval é o grande tempo da máscara, porque é o grande tempo do mundo, antes que venha a Quaresma e a renúncia a ele. Lembro-me dos carnavais da minha infância, com assaltos e cegadas que transformavam a rua num teatro ambulante e as pessoas em personagens (máscaras) de uma peça escrita pelo acaso. E aquele saber selvagem de que "a vida são dois dias e o Carnaval são três" vale mais do que muitos saberes domesticados.
Na escola da minha adolescência, havia um rapaz orgulhoso e feio, com cara de caraça. Todos os dias, quando estávamos sentados à espera que o professor entrasse na aula, havia um colega que exclamava: "Ó João, tira a máscara, que já não estamos no Carnaval!" Ele ria, furioso, mas aquela crueldade assassina, em vez de o diminuir, aumentava-o. Nunca foi, que eu saiba, ao psicanalista. Fez melhor: tornou-se um sedutor de êxito invencível. Perante o seu poder de conquista, a inveja dos outros aumentava-lhes a crueldade. Mas por cada "Ó João, tira a máscara!" que diziam, caíam mais umas tantas raparigas na sua teia, provando que, também no amor, a arte pode mais do que a natureza.
Com a minha memória de máscaras, traço uma linha que passa pelos grandes carnavais. Num extremo dessa linha, está o Carnaval do Rio; no outro, o Carnaval de Veneza. Tão diferentes e tão distantes, não serão eles, afinal, a máscara um do outro? Não será a nudez a máscara da veste e a veste a máscara da nudez? E não será o frio da laguna a máscara do calor do sambódromo? E não será a morte a máscara da vida, que é a máscara da morte? Ao respondermos a estas perguntas, escolhemos uma máscara para o nosso rosto.
Assim vai o mundo...
Se os seres a que chamamos humanos erguessem, sobre as cabeças, uma bandeira que mostrasse o brasão da sua genealogia e da sua condição, a imagem que as simbolizava haveria de ter uma máscara. É que criámos poucas coisas que melhor nos dizem do que esse outro rosto do rosto, onde nos escondemos e mostramos. A máscara, negando-nos, afirma-nos, dizendo o que somos na identidade, no disfarce, na alteridade, na representação, na pseudonomia, na mediação. E na catarse, na transfiguração, no enigma, na possessão, no engano, na ocultação, no rito, no adorno. Por isso, em tudo o que é nosso há máscaras de um rosto encoberto. Divinas ou demoníacas, animais ou vegetais, carnavalescas ou funerárias, marciais ou pacíficas, cómicas ou trágicas, sagradas ou profanas, materiais ou imateriais, as máscaras atravessam a antropologia, a psicanálise, a sociologia, a política, a medicina, a religião, a filosofia, o teatro, a literatura, a pintura, a escultura, a fotografia, o cinema, a dança, a ópera, a banda desenhada, o desporto. E a magia, o humor, o espiritismo, a espionagem, a aventura, o amor, a guerra, o crime.
Fernando Pessoa lembrava que o seu nome vinha da palavra latina persona, que significa máscara. E, ao lembrá-lo, dava uma razão de destino à criação dos heterónimos e à sua multiplicação neles. Mas toda a literatura é a máscara verbal de um rosto em fuga. É um teatro do ser. Os gregos, Shakespeare, Beckett sabiam-no.
Os romances estão também cheios de máscaras. Dom Quixote e Sancho Pança são máscaras um do outro - e nossas. Assim o são Narciso e Goldmundo. Também Bouvard e Pécuchet são máscaras do incessante carnaval da estupidez humana. E a obra de Proust diz-nos que viver é trocar as máscaras do tempo. O seu livro dá ao rosto do narrador a máscara do escritor. E Borges é a máscara de Borges até ao infinito. Na filosofia, para Espinosa, o mundo não é a máscara de Deus? E, para Kant, o fenómeno não é a máscara do númeno?
Na pintura, as máscaras são um rosto. Não precisamos de olhar os quadros cheios de máscaras de Pietro Longhi ou de Picasso para saber isso. Os auto-retratos de Rembrandt são máscaras de um rosto que durou menos do que elas. E, em "As Meninas", que faz Velázquez senão mostrar a máscara da pintura, mostrando o rosto do pintor?
As primeiras imagens do Casanova de Fellini misturam os rostos e as máscaras que fazem o mundo. E que fazem a vida, o amor, a morte. Já imaginaram o que seria a ópera sem máscaras, disfarces, enganos e travestis?
O Carnaval é o grande tempo da máscara, porque é o grande tempo do mundo, antes que venha a Quaresma e a renúncia a ele. Lembro-me dos carnavais da minha infância, com assaltos e cegadas que transformavam a rua num teatro ambulante e as pessoas em personagens (máscaras) de uma peça escrita pelo acaso. E aquele saber selvagem de que "a vida são dois dias e o Carnaval são três" vale mais do que muitos saberes domesticados.
Na escola da minha adolescência, havia um rapaz orgulhoso e feio, com cara de caraça. Todos os dias, quando estávamos sentados à espera que o professor entrasse na aula, havia um colega que exclamava: "Ó João, tira a máscara, que já não estamos no Carnaval!" Ele ria, furioso, mas aquela crueldade assassina, em vez de o diminuir, aumentava-o. Nunca foi, que eu saiba, ao psicanalista. Fez melhor: tornou-se um sedutor de êxito invencível. Perante o seu poder de conquista, a inveja dos outros aumentava-lhes a crueldade. Mas por cada "Ó João, tira a máscara!" que diziam, caíam mais umas tantas raparigas na sua teia, provando que, também no amor, a arte pode mais do que a natureza.
Com a minha memória de máscaras, traço uma linha que passa pelos grandes carnavais. Num extremo dessa linha, está o Carnaval do Rio; no outro, o Carnaval de Veneza. Tão diferentes e tão distantes, não serão eles, afinal, a máscara um do outro? Não será a nudez a máscara da veste e a veste a máscara da nudez? E não será o frio da laguna a máscara do calor do sambódromo? E não será a morte a máscara da vida, que é a máscara da morte? Ao respondermos a estas perguntas, escolhemos uma máscara para o nosso rosto.
Assim vai o mundo...
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