Fantástico...
Assim vai o mundo...
quinta-feira, julho 31, 2008
quarta-feira, julho 30, 2008
O mundo do youtube..
Não há nada que me faça emocionar mais do que talento puro... Os dois primeiros vídeos são pessoas que não tem formação musical mas com uma voz inacreditável... O último vídeo é diferente, um cantor profissional que depois de um acidente perdeu a voz e conseguiu recuperar para falar e até cantar. O mais incrível é que nos primeiros momentos, a multidão quer que ele vá embora e depois acabam todos a apoiá-lo! Mudar assim um público é quase impossível..
Assim vai o mundo...
Assim vai o mundo...
terça-feira, julho 29, 2008
O mundo da música...
Uma das músicas mais loucas do saudavelmente louco Tom Waits: The Piano Has Been Drinking...
The piano has been drinking
my necktie is asleep
and the combo went back to New York
the jukebox has to take a leak
and the carpet needs a haircut
and the spotlight looks like a prison break
cause the telephone's out of cigarettes
and the balcony's on the make
and the piano has been drinking
the piano has been drinking...
and the menus are all freezing
and the lightman's blind in one eye
and he can't see out of the other
and the piano-tuner's got a hearing aid
and he showed up with his mother
and the piano has been drinking
the piano has been drinking
cause the bouncer is a Sumo wrestler
cream puff casper milk toast
and the owner is a mental midget
with the I.Q. of a fencepost
cause the piano has been drinking
the piano has been drinking...
and you can't find your waitress
with a Geiger counter
And she hates you and your friends
and you just can't get served
without her
and the box-office is drooling
and the bar stools are on fire
and the newspapers were fooling
and the ash-trays have retired
the piano has been drinking
the piano has been drinking
The piano has been drinking
not me, not me, not me, not me, not me
Assim vai o mundo...
The piano has been drinking
my necktie is asleep
and the combo went back to New York
the jukebox has to take a leak
and the carpet needs a haircut
and the spotlight looks like a prison break
cause the telephone's out of cigarettes
and the balcony's on the make
and the piano has been drinking
the piano has been drinking...
and the menus are all freezing
and the lightman's blind in one eye
and he can't see out of the other
and the piano-tuner's got a hearing aid
and he showed up with his mother
and the piano has been drinking
the piano has been drinking
cause the bouncer is a Sumo wrestler
cream puff casper milk toast
and the owner is a mental midget
with the I.Q. of a fencepost
cause the piano has been drinking
the piano has been drinking...
and you can't find your waitress
with a Geiger counter
And she hates you and your friends
and you just can't get served
without her
and the box-office is drooling
and the bar stools are on fire
and the newspapers were fooling
and the ash-trays have retired
the piano has been drinking
the piano has been drinking
The piano has been drinking
not me, not me, not me, not me, not me
Assim vai o mundo...
O mundo dos jornais...
No Expresso de Sábado, Miguel Sousa Tavares continua a sua luta contra a destruição dos mais belos lugares de Portugal...
Paraísos prostituídos
A primeira vez que passei uns dias de Verão em Porto Covo, ainda o Rui Veloso não tinha imortalizado a aldeia e a sua ilha do Pessegueiro. Pouco mais havia do que aquela simpática praceta central, de onde irradiavam três ou quatro ruas para baixo, em direcção ao mar, e duas ou três para os lados. Tinha nascido uma pequena urbanização de casas de piso térreo, uma das quais me foi emprestada por um amigo para lá passar uns quinze dias. Havia a praia em frente, magnífica, e a angustiante dúvida de escolher, entre três restaurantes, em qual deles se iria comer peixe, ao jantar.
Nos dois anos seguintes, arrastado pela paixão pela caça submarina, aluguei uma parte de casa em Vila Nova de Milfontes, com casa de banho autónoma e duche no pátio interior, ao ar livre. Instalei-me com o meu material de mergulho e um pequeno barco de borracha, no qual ia naufragando quando o motor pifou e comecei a ser arrastado pela corrente do rio Mira em direcção aos vagalhões à saída da baía. Mas não era o sítio adequado para caça submarina e rapidamente troquei a incerteza da minha destreza pelo esplendor de uma tasquinha branca, de quatro mesas apenas, onde escolhia de manhã o peixe que iria comer à noite. Foram dias de deslumbramento, naquela que eu achava ser provavelmente a mais bonita terra do litoral português.
Mas foi Lagos, claro, a primordial e mais duradoura das minhas paixões. Tudo o que eu possa escrever sobre a fantástica beleza da cidade caiada de branco, com ruas habitadas por burros e polvos secando ao sol pregados aos muros, uma gente feita de dignidade e delicadeza, praias como nenhumas outras em lado algum do mundo, a terra vermelha, pintada de figueiras e alfarrobeiras, prolongando-se até às falésias que ficavam douradas ao pôr-do-sol, enquanto as traineiras passavam ao largo em direcção aos seus campos de pesca nocturnos, tudo isso parece hoje demasiadamente belo para que alguém possa simplesmente acreditar. Se eu contasse, diriam que menti - e eu próprio, olhando hoje Lagos, também acho que seguramente foi mentira.
A partir de Lagos, fui descobrindo todo o barlavento algarvio, cuja luz é tão suave que parece suspensa, como se não fizesse parte do próprio ar. Descobri a solidão agreste de Sagres, onde se ia aos percebes ou apenas olhar o mar do Cabo de S. Vicente, na fortaleza, que era rude como o vento e o mar de Sagres, e hoje é uma casamata de betão que, ao que parece, se destina a homenagear a moderna arquitectura portuguesa. Descobri o charme antiquado da Praia da Rocha, onde se ia à noite ver as meninas de Portimão, ou o "souk" em cascata de Albufeira, onde se ia ver as inglesas e dançar no Sete e Meio. E descobri outras terras de pescadores e veraneantes, como Armação de Pêra ou Carvoeiro, praias de areia grossa e mar transparente como eu gosto, cigarras gritando de calor nas arribas, polvos tentando amedrontar-me quando os olhava debaixo de água.
Não vale a pena contar. Quem teve a sorte de viver, sabe do que falo; quem não viveu, não consegue sequer imaginar. Porque esse Sul que chegava a parecer irreal de tão belo, esse litoral alentejano e algarvio, não é hoje mais do que uma paisagem vergonhosamente prostituída. Sim, sim, eu sei: o desenvolvimento, o turismo, a balança comercial, os legítimos anseios das populações locais, essa extraordinária conquista de Abril que é o poder local. Eu sei, escusam de me dizer outra vez, porque eu já conheço de cor todas as razões e justificações. Não impede: prostituíram tudo, sacrificaram tudo ao dinheiro, à ganância e à construção civil. E não era preciso tanto nem tão horrível.
Podiam, de facto, ter escolhido ter menos turistas em vez de quererem albergar todos os selvagens da Europa, que nem sequer justificam em receitas os danos que em seu nome foram causados. Podiam ter construído com regras e planeamento e um mínimo de bom gosto. Podiam ter percebido que a qualidade de vida e a beleza daquelas terras garantiam trezentos anos de prosperidade, em vez de trinta de lucros a qualquer preço.
E todos os anos, por esta altura, percorrendo estas terras que guardo na memória como a mais incurável das feridas, faço-me a mesma pergunta: Porquê? Porquê tanta devastação, tanto horror, tanta construção, tanta estupidez? Tanto prédio estilo-Brandoa, tanto guindaste, tanto barulho de obras eternas, tanta rotunda, tanta 'escultura' do primo do cunhado do presidente da câmara, e sempre as mesmas estradas, os mesmos (isto é, nenhuns) lugares de estacionamento, os mesmos (isto é, nenhuns) espaços verdes? Não, nem mesmo o mais incompetente dos autarcas pode olhar para aquilo e não entender a monumental obra de exaltação da estupidez humana que está à vista. Não, não é apenas incompetência, nem mau gosto levado ao extremo, nem simples estupidez. Em muitos e muitos casos a razão pela qual o litoral alentejano e o barlavento algarvio foram saqueados, sem pudor nem vergonha, tem apenas um nome: corrupção. Acuso essa exaltante conquista de Abril, que é o poder local, de ter destruído, por ganância dos seus eleitos, todo ou quase todo o litoral português. Acuso agora José Sócrates de não ter tido a coragem política de cumprir uma das promessas do seu programa eleitoral, que era a de progressivamente financiar as autarquias a partir do Orçamento do Estado, em exclusivo, deixando de lhes permitir financiarem-se também com as receitas locais do imobiliário - deste modo impedindo que quem mais construção autoriza, mais receitas tenha. Acuso o Governo de José Sócrates de ter feito pior ainda, inventando essa coisa nefasta dos projectos PIN (de interesse nacional!), ao abrigo dos quais é o Governo Central que vem autorizando megaconstruções que as próprias autarquias acham de mais. Acuso esta gente que só sabe governar para eleições, que não tem sequer amor algum à terra que os viu nascer, que enche a boca de palavrões tais como "preservação do ambiente" e "crescimento sustentado" e que não é mais do que baba nas suas bocas, de serem os piores inimigos que o país tem. Gente que não ama Portugal, que não respeita o que herdou, que não tem vergonha do que vai deixar.
Eu sei que não serve de nada. Ando a escrever isto há trinta anos, em batalhas sucessivamente perdidas - ontem por uma praia, hoje por um rio, amanhã por uma lagoa. E lembro-me sempre da frase recente de um autarca algarvio contemplando a beleza ainda preservada da Ria de Alvor e sonhando com a sua urbanização: "A natureza também tem de nos dar alguma coisa em troca!". Está tudo dito e não adiante dizer mais nada.
Acordo às oito da manhã destas férias algarvias, longamente suspiradas, com o ruído de chapas onduladas desabando, martelos industriais batendo no betão e um pequeno exército de romenos e ucranianos construindo mais um projecto PIN numa paisagem outrora oficialmente protegida. "É o progresso!", suspiro para mim mesmo, tentando em vão voltar a adormecer. Sim, o progresso cresce por todos os lados, sem tempo a perder, sem lugar para hesitações, como um susto. Tenho saudades, sim, dos sustos que os polvos me pregavam no silêncio do fundo do mar. E tenho saudades de muitas outras coisas, como o polvo do mar. Sim, eu sei: estou a ficar velho.
Assim vai o mundo...
Paraísos prostituídos
A primeira vez que passei uns dias de Verão em Porto Covo, ainda o Rui Veloso não tinha imortalizado a aldeia e a sua ilha do Pessegueiro. Pouco mais havia do que aquela simpática praceta central, de onde irradiavam três ou quatro ruas para baixo, em direcção ao mar, e duas ou três para os lados. Tinha nascido uma pequena urbanização de casas de piso térreo, uma das quais me foi emprestada por um amigo para lá passar uns quinze dias. Havia a praia em frente, magnífica, e a angustiante dúvida de escolher, entre três restaurantes, em qual deles se iria comer peixe, ao jantar.
Nos dois anos seguintes, arrastado pela paixão pela caça submarina, aluguei uma parte de casa em Vila Nova de Milfontes, com casa de banho autónoma e duche no pátio interior, ao ar livre. Instalei-me com o meu material de mergulho e um pequeno barco de borracha, no qual ia naufragando quando o motor pifou e comecei a ser arrastado pela corrente do rio Mira em direcção aos vagalhões à saída da baía. Mas não era o sítio adequado para caça submarina e rapidamente troquei a incerteza da minha destreza pelo esplendor de uma tasquinha branca, de quatro mesas apenas, onde escolhia de manhã o peixe que iria comer à noite. Foram dias de deslumbramento, naquela que eu achava ser provavelmente a mais bonita terra do litoral português.
Mas foi Lagos, claro, a primordial e mais duradoura das minhas paixões. Tudo o que eu possa escrever sobre a fantástica beleza da cidade caiada de branco, com ruas habitadas por burros e polvos secando ao sol pregados aos muros, uma gente feita de dignidade e delicadeza, praias como nenhumas outras em lado algum do mundo, a terra vermelha, pintada de figueiras e alfarrobeiras, prolongando-se até às falésias que ficavam douradas ao pôr-do-sol, enquanto as traineiras passavam ao largo em direcção aos seus campos de pesca nocturnos, tudo isso parece hoje demasiadamente belo para que alguém possa simplesmente acreditar. Se eu contasse, diriam que menti - e eu próprio, olhando hoje Lagos, também acho que seguramente foi mentira.
A partir de Lagos, fui descobrindo todo o barlavento algarvio, cuja luz é tão suave que parece suspensa, como se não fizesse parte do próprio ar. Descobri a solidão agreste de Sagres, onde se ia aos percebes ou apenas olhar o mar do Cabo de S. Vicente, na fortaleza, que era rude como o vento e o mar de Sagres, e hoje é uma casamata de betão que, ao que parece, se destina a homenagear a moderna arquitectura portuguesa. Descobri o charme antiquado da Praia da Rocha, onde se ia à noite ver as meninas de Portimão, ou o "souk" em cascata de Albufeira, onde se ia ver as inglesas e dançar no Sete e Meio. E descobri outras terras de pescadores e veraneantes, como Armação de Pêra ou Carvoeiro, praias de areia grossa e mar transparente como eu gosto, cigarras gritando de calor nas arribas, polvos tentando amedrontar-me quando os olhava debaixo de água.
Não vale a pena contar. Quem teve a sorte de viver, sabe do que falo; quem não viveu, não consegue sequer imaginar. Porque esse Sul que chegava a parecer irreal de tão belo, esse litoral alentejano e algarvio, não é hoje mais do que uma paisagem vergonhosamente prostituída. Sim, sim, eu sei: o desenvolvimento, o turismo, a balança comercial, os legítimos anseios das populações locais, essa extraordinária conquista de Abril que é o poder local. Eu sei, escusam de me dizer outra vez, porque eu já conheço de cor todas as razões e justificações. Não impede: prostituíram tudo, sacrificaram tudo ao dinheiro, à ganância e à construção civil. E não era preciso tanto nem tão horrível.
Podiam, de facto, ter escolhido ter menos turistas em vez de quererem albergar todos os selvagens da Europa, que nem sequer justificam em receitas os danos que em seu nome foram causados. Podiam ter construído com regras e planeamento e um mínimo de bom gosto. Podiam ter percebido que a qualidade de vida e a beleza daquelas terras garantiam trezentos anos de prosperidade, em vez de trinta de lucros a qualquer preço.
E todos os anos, por esta altura, percorrendo estas terras que guardo na memória como a mais incurável das feridas, faço-me a mesma pergunta: Porquê? Porquê tanta devastação, tanto horror, tanta construção, tanta estupidez? Tanto prédio estilo-Brandoa, tanto guindaste, tanto barulho de obras eternas, tanta rotunda, tanta 'escultura' do primo do cunhado do presidente da câmara, e sempre as mesmas estradas, os mesmos (isto é, nenhuns) lugares de estacionamento, os mesmos (isto é, nenhuns) espaços verdes? Não, nem mesmo o mais incompetente dos autarcas pode olhar para aquilo e não entender a monumental obra de exaltação da estupidez humana que está à vista. Não, não é apenas incompetência, nem mau gosto levado ao extremo, nem simples estupidez. Em muitos e muitos casos a razão pela qual o litoral alentejano e o barlavento algarvio foram saqueados, sem pudor nem vergonha, tem apenas um nome: corrupção. Acuso essa exaltante conquista de Abril, que é o poder local, de ter destruído, por ganância dos seus eleitos, todo ou quase todo o litoral português. Acuso agora José Sócrates de não ter tido a coragem política de cumprir uma das promessas do seu programa eleitoral, que era a de progressivamente financiar as autarquias a partir do Orçamento do Estado, em exclusivo, deixando de lhes permitir financiarem-se também com as receitas locais do imobiliário - deste modo impedindo que quem mais construção autoriza, mais receitas tenha. Acuso o Governo de José Sócrates de ter feito pior ainda, inventando essa coisa nefasta dos projectos PIN (de interesse nacional!), ao abrigo dos quais é o Governo Central que vem autorizando megaconstruções que as próprias autarquias acham de mais. Acuso esta gente que só sabe governar para eleições, que não tem sequer amor algum à terra que os viu nascer, que enche a boca de palavrões tais como "preservação do ambiente" e "crescimento sustentado" e que não é mais do que baba nas suas bocas, de serem os piores inimigos que o país tem. Gente que não ama Portugal, que não respeita o que herdou, que não tem vergonha do que vai deixar.
Eu sei que não serve de nada. Ando a escrever isto há trinta anos, em batalhas sucessivamente perdidas - ontem por uma praia, hoje por um rio, amanhã por uma lagoa. E lembro-me sempre da frase recente de um autarca algarvio contemplando a beleza ainda preservada da Ria de Alvor e sonhando com a sua urbanização: "A natureza também tem de nos dar alguma coisa em troca!". Está tudo dito e não adiante dizer mais nada.
Acordo às oito da manhã destas férias algarvias, longamente suspiradas, com o ruído de chapas onduladas desabando, martelos industriais batendo no betão e um pequeno exército de romenos e ucranianos construindo mais um projecto PIN numa paisagem outrora oficialmente protegida. "É o progresso!", suspiro para mim mesmo, tentando em vão voltar a adormecer. Sim, o progresso cresce por todos os lados, sem tempo a perder, sem lugar para hesitações, como um susto. Tenho saudades, sim, dos sustos que os polvos me pregavam no silêncio do fundo do mar. E tenho saudades de muitas outras coisas, como o polvo do mar. Sim, eu sei: estou a ficar velho.
Assim vai o mundo...
O mundo do cinema...
segunda-feira, julho 28, 2008
O mundo da TV...
Louis Theroux é um jornalista da BBC que faz algumas das mais loucas e divertidas reportagens que assisti... Quase sempre explorando alguns dos mais estranhos lados dos EUA, é com a sua ironia quase inocente que nos deixa com um sorriso nos lábios. Fiquem com alguns excertos..
Assim vai o mundo...
Assim vai o mundo...
O mundo dos jornais...
Belo artigo de João Pereira Coutinho no Expresso...
Água engarrafada
Perguntam-me às vezes qual a principal diferença entre o norte e o sul, entre o Porto e Lisboa. Tenho a vantagem, ou a desvantagem, de viver entre ambas. E respondo sempre uma evidência: água engarrafada. O meu interlocutor não entende a resposta e pede explicações. Eu bocejo, deito-me no sofá, desaperto ligeiramente o cinto que oprime a barriga e começo uma longa prelecção sobre a diferença antropológica entre as duas principais cidades portuguesas sob a perspectiva da água engarrafada. Tudo se resume a experiência pessoal: eu, em casa de amigos lisboetas, solicitando um copo de água para matar a sede. E eles, com a naturalidade típica do sul, abrem a torneira e enchem o copo.
No Porto, este gesto - abrir a torneira e encher o copo para o convidado - seria o suficiente para lançar duas famílias em guerra. Quando um homem do norte pede um copo de água, ele sabe que existe uma diferença entre água da torneira (que serve para cozinhar, tomar banho e alimentar os cães) e água engarrafada (exclusivamente para seres humanos).
Não sei como começou esta profunda divisão; mas um livro recente, escrito por Elizabeth Royte e analisado na última "Economist", talvez dê uma ajuda. Intitula-se, apropriadamente, Bottlemania: How Water Went on Sale and Why We Bought It. Para a autora, uma mistura de snobeira, necessidade e preocupações higiénicas transformou uma indústria inexistente, ou incipiente, num império de lucros florescentes. Depois, e só depois, o capitalismo fez o resto: ainda que a água corrente seja hoje tão bebível como a engarrafada, vender garrafas é mais rentável. Para sermos exactos, uma indústria de 4 mil milhões de dólares em 1997 passou para os 10,8 mil milhões em 2006.
Quando conto esta história aos meus amigos lisboetas, eles dizem que água engarrafada é típica de zonas subdesenvolvidas. Talvez seja. Ou talvez não seja: talvez a preferência pela garrafa seja mais uma confirmação de que o colectivismo do sul não pega no norte burguês e individualista.
Assim vai o mundo...
Água engarrafada
Perguntam-me às vezes qual a principal diferença entre o norte e o sul, entre o Porto e Lisboa. Tenho a vantagem, ou a desvantagem, de viver entre ambas. E respondo sempre uma evidência: água engarrafada. O meu interlocutor não entende a resposta e pede explicações. Eu bocejo, deito-me no sofá, desaperto ligeiramente o cinto que oprime a barriga e começo uma longa prelecção sobre a diferença antropológica entre as duas principais cidades portuguesas sob a perspectiva da água engarrafada. Tudo se resume a experiência pessoal: eu, em casa de amigos lisboetas, solicitando um copo de água para matar a sede. E eles, com a naturalidade típica do sul, abrem a torneira e enchem o copo.
No Porto, este gesto - abrir a torneira e encher o copo para o convidado - seria o suficiente para lançar duas famílias em guerra. Quando um homem do norte pede um copo de água, ele sabe que existe uma diferença entre água da torneira (que serve para cozinhar, tomar banho e alimentar os cães) e água engarrafada (exclusivamente para seres humanos).
Não sei como começou esta profunda divisão; mas um livro recente, escrito por Elizabeth Royte e analisado na última "Economist", talvez dê uma ajuda. Intitula-se, apropriadamente, Bottlemania: How Water Went on Sale and Why We Bought It. Para a autora, uma mistura de snobeira, necessidade e preocupações higiénicas transformou uma indústria inexistente, ou incipiente, num império de lucros florescentes. Depois, e só depois, o capitalismo fez o resto: ainda que a água corrente seja hoje tão bebível como a engarrafada, vender garrafas é mais rentável. Para sermos exactos, uma indústria de 4 mil milhões de dólares em 1997 passou para os 10,8 mil milhões em 2006.
Quando conto esta história aos meus amigos lisboetas, eles dizem que água engarrafada é típica de zonas subdesenvolvidas. Talvez seja. Ou talvez não seja: talvez a preferência pela garrafa seja mais uma confirmação de que o colectivismo do sul não pega no norte burguês e individualista.
Assim vai o mundo...
domingo, julho 27, 2008
O mundo dos livros...
Acabei há uns dias a auto-biografia de Diego Maradona: Yo soy el Diego! Maradona foi para mim o mais genial de todos os jogadores que vi jogar. Teve um vida louca, com uma infância pobre, o sucesso juvenil, as transferências, a droga, os títulos, a queda... Diego é no livro aquilo que era em campo: desafiador, rebelde, frontal... É sempre um ponto de vista pessoal e ele pode estar a ser parcial, mas sabemos que está a dizer o que sente... Ao contrário de alguns jogadores que ainda estão no activo e pouco tem para contar, Maradona tem centenas de pequenos pormenores deliciosos, que vão de um golo a uma discussão. No final, uma deliciosa lista de personalidades do mundo do futebol vistos pela mão de Maradona, a mesma do golo mais famoso da História...
Assim vai o mundo...
Assim vai o mundo...
O mundo da música..
Uma lufada de ar fresco.. Nem todos os jovens são incultos musicais...
Assim vai o mundo...
Assim vai o mundo...
sábado, julho 26, 2008
O mundo da música...
Sempre bom saber que Nina Simone está sempre à distância de um clic...
Assim vai o mundo...
Assim vai o mundo...
sexta-feira, julho 25, 2008
O mundo do fado...
Morreu e deixará muita saudade! Fernanda Batista...

"Sou a Fernanda Baptista e gosto muito de revista!" Com este grito de guerra, Fernanda Baptista marcou o seu regresso a primeira figura no programa televisivo de Filipe La Féria Grande Noite, e deixou bem claro que o seu primeiro e único amor foi o teatro de revista.Fernanda Baptista nasceu em 1920. Já com dez anos o seu amor pelo teatro era bem visível: a jovem Fernanda adorava mascarar-se e entrara já em peças infantis. Foi como fadista que se revelou publicamente, no Café Luso, pela mão de Filipe Pinto, no início dos anos quarenta, abandonando a sua carreira de modista.A sua estreia profissional ocorreu em 1945, na sequência de um convite do maestro João Nobre para participar na revista Banhos de Sol, substituindo Leónia Mendes. Foi apenas a primeira de mais de trinta revistas em que participou até 1965, altura em que se afastou voluntariamente do teatro.Actuou também no Brasil, em Angola e na Argentina e, em 1968, viajou até aos Estados Unidos. Entre os seus maiores êxitos contam-se o Fado da Carta, do maestro João Nobre e Amadeu do Vale. (tirado daqui)
Assim vai o mundo...

"Sou a Fernanda Baptista e gosto muito de revista!" Com este grito de guerra, Fernanda Baptista marcou o seu regresso a primeira figura no programa televisivo de Filipe La Féria Grande Noite, e deixou bem claro que o seu primeiro e único amor foi o teatro de revista.Fernanda Baptista nasceu em 1920. Já com dez anos o seu amor pelo teatro era bem visível: a jovem Fernanda adorava mascarar-se e entrara já em peças infantis. Foi como fadista que se revelou publicamente, no Café Luso, pela mão de Filipe Pinto, no início dos anos quarenta, abandonando a sua carreira de modista.A sua estreia profissional ocorreu em 1945, na sequência de um convite do maestro João Nobre para participar na revista Banhos de Sol, substituindo Leónia Mendes. Foi apenas a primeira de mais de trinta revistas em que participou até 1965, altura em que se afastou voluntariamente do teatro.Actuou também no Brasil, em Angola e na Argentina e, em 1968, viajou até aos Estados Unidos. Entre os seus maiores êxitos contam-se o Fado da Carta, do maestro João Nobre e Amadeu do Vale. (tirado daqui)
Assim vai o mundo...
O mundo da TV...
Devo confessar que já estava um pouco cansado de CSI, e por isso estou a gostar de ver a nova série de SIC: "Mentes criminosas"! Bom para conhecer o trabalho feito pelos agentes do FBI responsáveis por traçar os perfis dos assassinos em série. Vejam que vale a pena...
Assim vai o mundo...
Assim vai o mundo...
quarta-feira, julho 23, 2008
O mundo da literatura...
Há uns dias questionei a qualidade literária de Margarida Rebelo Pinto. Eis que após ler um excerto do seu novo livro (Português Suave) e a entrevista dada a Carlos Vaz Marques, tenho algumas considerações. Certos escritores (como Sepúlveda e Francisco José Viegas) deram-nos vontade de os conhecer pessoalmente depois de ler os seus escritos. Ora, eu nunca li um livro de Margarida, mas a leitura de algumas das suas crónicas, de escertos de livros seus e de algumas entrevistas fazem com que preferisse ter conhecido primeiro a pessoa para depois entender a escritora. Margarida é uma mulher culta, independente, inteligente. Não tem uma escrita elaborada, usa frases curtas, porque não quer falar para os críticos literários mas para as massas. O objectivo. por ela admitido, era chegar ao milhão de livros vendidos. Consegui-o. Mesmo que os seus livros sigam sempre a mesma fórmula e por vezes as mesmas ideias centrais. Ela defende-se na entrevista dizendo que todos os escritores o fazem. Nomeia Gabriel Garcia Marques. Ora o Cem Anos de Solidão, Amor em Tempos de Cólera e Ninguém Escreve ao Coronel só tem um ponto em comum: Gabo. Dizer que todos os autores auto-biográficos é uma coisa mas só o pode fazer o escritor que tem uma vida cheia de eventos. A vida de Margarida é ainda curta. E por isso há repetição de temas. Escrever 14 livros em 9 anos faz mossa. E uma das mossas é não se lembrar de um acontecimento descrito por si num livro (aliás ela admite que estava a pensar usá-lo num próximo livro) ou então quando cita uma personagem sua sem saber de que livro é. Ora, até hoje escrevi três peças de teatro, três contos e uma short-story (para além de inúmeros posts nos vários blogs). Cito muitas vezes textualmente o que escrevi e em nenhuma altura os confundo. São todos algo biográficos. Ou melhor, através de um acontecimento ou pessoa da minha vida, criei uma ficção. Na minha cabeça nada se confunde. E na de Margarida também não devia acontecer. Sobretudo porque ela diz preferir as três razões para ser escritor que Agustina costuma nomear: inteligência, vontade férrea e uma memória prodigiosa. Ora, as primeiras eu reconheço facilmente em Margarida, mas a terceira tenho de ter algumas reservas.
Margarida diz que desde o AVC que a atingiu no ano passado, se tornou uma pessoa diferente a escritora mais madura. Compreendo bem isso. O meu susto do pneumotorax serviu para eu ter essa epifania aos 21 anos. Serviu para eu entender que não vale a pensa preocupar-nos muito com a vida, sob a pena de não a vivermos. Acredito que ela esteja diferente, mas ainda subsistem muitos fantasmas. É a própria que reconhece ter uma certa obcessão com a morte. Ela tem de ultrapassar isso. E a sua escrita também.
Há uma coisa que tenho de apontar a Margarida enquanto pessoa. Carlos Vaz Marques é um jornalista competente, um exímio entrevistador e foi-me dito uma pessoa muito acessível. A ameaça de acabar com a entrevista (desligou o gravador) e a acusação de que ele estaria a conduzir mal a entrevista é uma atitude infantil e mimada. A pessoa Margarida tem de aceitar que a escritora Margarida é algo repetitiva e não pode amuar porque o entrevistador a questiona sobre esse facto. Foi uma atitude errada mas toda a gente tem direito a errar. Um dia lerei um livro dela. Para tirar teimas.
Ah, gostei das várias citações ao longo da entrevista, mas uma ficou-me: "Só conseguimos arrumar com o passado quando o pomos em livros", disse Carmem Posadas.
Assim vai o mundo...
Margarida diz que desde o AVC que a atingiu no ano passado, se tornou uma pessoa diferente a escritora mais madura. Compreendo bem isso. O meu susto do pneumotorax serviu para eu ter essa epifania aos 21 anos. Serviu para eu entender que não vale a pensa preocupar-nos muito com a vida, sob a pena de não a vivermos. Acredito que ela esteja diferente, mas ainda subsistem muitos fantasmas. É a própria que reconhece ter uma certa obcessão com a morte. Ela tem de ultrapassar isso. E a sua escrita também.
Há uma coisa que tenho de apontar a Margarida enquanto pessoa. Carlos Vaz Marques é um jornalista competente, um exímio entrevistador e foi-me dito uma pessoa muito acessível. A ameaça de acabar com a entrevista (desligou o gravador) e a acusação de que ele estaria a conduzir mal a entrevista é uma atitude infantil e mimada. A pessoa Margarida tem de aceitar que a escritora Margarida é algo repetitiva e não pode amuar porque o entrevistador a questiona sobre esse facto. Foi uma atitude errada mas toda a gente tem direito a errar. Um dia lerei um livro dela. Para tirar teimas.
Ah, gostei das várias citações ao longo da entrevista, mas uma ficou-me: "Só conseguimos arrumar com o passado quando o pomos em livros", disse Carmem Posadas.
Assim vai o mundo...
O mundo da TV...
A RTP2 é ainda assim um exemplo de serviço público! Às terças-feiras à noite, um programa chamado A Vida Íntima de Uma Obra-Prima, dá-nos a conhecer todas as semanas uma obra-prima da pintura mundial. Ontem foi a vez de "A Sunday on la Grande Jatte - 1884" de Seurat. Já tinha visto a pintura, mas não conhecia esta obra-mestra do pontilhismo. Ignorada nos seus primeiros anos pelos franceses, foi comprada por um americano por 20 mil dólares e ainda hoje se encontra em Chicago. A descobrir...
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Assim vai o mundo...
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Assim vai o mundo...
O mundo da política...
Falava Mónica Jimenez, a ministra da Educação chilena, quando uma aluna de 14 anos a interpela e acaba por atirar com um jarro de água. Como vemos a contestação em Portugal até é bastante pacífica...
Assim vai o mundo...
Assim vai o mundo...
terça-feira, julho 22, 2008
O mundo da TV...
Acabou na sexta a segunda temporada da série Roma! Fantástica... Serviu para conhecer um pouco mais um período da História Mundial que nunca tinha devotado grande atenção...
Assim vai o mundo...
Assim vai o mundo...
O mundo português...
Uns chamavam-lhe louco, outros génio... Eu apenas gostava e gosto de o ouvir! Agostinho da Silva, para que nunca deixe de se ouvir a sua voz...
Com Alice Cruz
Com Herman José
Com Adelino Gomes
Com Isabel Barreno
Assim vai o mundo...
Com Alice Cruz
Com Herman José
Com Adelino Gomes
Com Isabel Barreno
Assim vai o mundo...
O mundo das revistas...
LER II
Engraçada a ideia da LER de pôr pessoas várias a fazer listas de livros. Nesta edição de Julho cabe ao professor Nuno Crato, à investigadora Helena Matos e ao músico Zé Pedro. Diversificado...
LER III
O meu compay Jorge tem uma crónica na LER chamada O Bem e o Mal. Este mês sobre as feiras, dos livros e das outras. Apresenta argumentos dos dois lados mas eu sei que ele é uma pessoa de Bem.
Assim vai o mundo...
Engraçada a ideia da LER de pôr pessoas várias a fazer listas de livros. Nesta edição de Julho cabe ao professor Nuno Crato, à investigadora Helena Matos e ao músico Zé Pedro. Diversificado...
LER III
O meu compay Jorge tem uma crónica na LER chamada O Bem e o Mal. Este mês sobre as feiras, dos livros e das outras. Apresenta argumentos dos dois lados mas eu sei que ele é uma pessoa de Bem.
Assim vai o mundo...
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