De volta e com análise de filmes:
- "Resurrecting the champ/O Renascer do Campeão" é um filme de 2007 que não tinha visto! Uma interpretação magistral do enorme Samuel L. Jackson, aqui acompanhado por um seguro Josh Hartnett. A história de um campeão, ainda que não aquele que as pessoas esperavam...
- "Blue Crush / A onda dos sonhos" é um filme de 2002 que fala de raparigas, praias lindas e surf. O filme não é um espectáculo mas tem belas imagens e sobretudo um bela banda sonora... (aqui fica um cheirinho da música com o trailer)
- "Lovebirds" é um filme portugues de 2008 com um elenco internacional incrível. Um argumento que apresenta pequenas estórias dispersas mas com Lisboa no centro de tudo! Um belo filme...
- "Due Date / A tempo e horas" é uma comédia fresquinha e louca com Robert Downey Jr e Zach Galafinakis. E é este último que empresta os melhores momentos ao filme. Devo confessar que desde "A ressaca" fiquei fã dele.
- "It's Kind of a funny story" é um pequeno filme que ainda não estreou também com Zach Galafinakis! É um filme independente daqueles que nos aquece o coração. Gostei muito deste filme...
Assim vai o mundo...
segunda-feira, fevereiro 14, 2011
sexta-feira, janeiro 21, 2011
O mundo do humor...
Olha, adorei!! ahahah
Carta desesperada de um motociclista ao Motoclube
"Amigos !
Não costumo escrever para o site deste Motoclube, mas necessito de um
conselho vosso..
Explico o caso: desconfio que a minha esposa tem um amante pois
aparece com roupas novas, relógio de marca e está estranha comigo.
Outro dia peguei no Telemóvel dela para ver as horas e ela ficou louca
de raiva, gritou que eu não respeitava a sua privacidade, etc...
Diz sempre que sai com amigas que eu não conheço e chega tarde a casa.
Afirma que vem de táxi mas nunca vi nenhum táxi aqui na porta de casa.
Creio que vem de boleia , salta na esquina e faz o resto do caminho a pé.
Decidi resolver a questão.
Saí com a moto e estacionei na esquina da rua onde teria uma visão
total e poderia ver com quem a minha esposa vem de boleia.
Agachei-me atrás da moto e fiquei à espera.
O tempo passava e notei um vazamento de óleo na tampa da embraiagem.
E aí a grande dúvida: basta apertar os parafusos da tampa ou é melhor
trocar a junta?"
Assim vai o mundo...
Carta desesperada de um motociclista ao Motoclube
"Amigos !
Não costumo escrever para o site deste Motoclube, mas necessito de um
conselho vosso..
Explico o caso: desconfio que a minha esposa tem um amante pois
aparece com roupas novas, relógio de marca e está estranha comigo.
Outro dia peguei no Telemóvel dela para ver as horas e ela ficou louca
de raiva, gritou que eu não respeitava a sua privacidade, etc...
Diz sempre que sai com amigas que eu não conheço e chega tarde a casa.
Afirma que vem de táxi mas nunca vi nenhum táxi aqui na porta de casa.
Creio que vem de boleia , salta na esquina e faz o resto do caminho a pé.
Decidi resolver a questão.
Saí com a moto e estacionei na esquina da rua onde teria uma visão
total e poderia ver com quem a minha esposa vem de boleia.
Agachei-me atrás da moto e fiquei à espera.
O tempo passava e notei um vazamento de óleo na tampa da embraiagem.
E aí a grande dúvida: basta apertar os parafusos da tampa ou é melhor
trocar a junta?"
Assim vai o mundo...
quarta-feira, janeiro 19, 2011
O mundo português...
Por vezes, é preciso que sejam os de fora a dizer certas coisas...
"Artigo do Embaixador da GB ao deixar Portugal: Expresso 18 Dez 2010
Coisas que nunca deverão mudar em Portugal
Portugueses: 2010 tem sido um ano difícil para muitos; incerteza, mudanças, ansiedade sobre o futuro. O espírito do momento e de pessimismo, não de alegria. Mas o ânimo certo para entrar na época natalícia deve ser diferente. Por isso permitam-me, em vésperas da minha partida pela segunda vez deste pequeno jardim, eleger dez coisas que espero bem que nunca mudem em Portugal.
1. A ligação intergeracional. Portugal é um país em que os jovens e os velhos conversam - normalmente dentro do contexto familiar. O estatuto de avô é altíssimo na sociedade portuguesa - e ainda bem. Os portugueses respeitam a primeira e a terceira idade, para o benefício de todos.
2. O lugar central da comida na vida diária. O almoço conta - não uma sandes comida com pressa e mal digerida, mas uma sopa, um prato quente etc, tudo comido à mesa e em companhia. Também aqui se reforça uma ligação com a família.
3. A variedade da paisagem. Não conheço outro pais onde seja possível ver tanta coisa num dia só, desde a imponência do rio Douro até à beleza das planícies do Alentejo, passando pelos planaltos e pela serra da Beira Interior.
4. A tolerância. Nunca vivi num país que aceita tão bem os estrangeiros. Não é por acaso que Portugal é considerado um dos países mais abertos aos emigrantes pelo estudo internacional MIPEX.
5. O café e os cafés. Os lugares são simples, acolhedores e agradáveis; a bebida é um pequeno prazer diário, especialmente quando acompanhado por um pastel de nata quente.
6. A inocência. É difícil descrever esta ideia em poucas palavras sem parecer paternalista; mas vi no meu primeiro fim de semana em Portugal, numa festa popular em Vila Real, adolescentes a dançar danças tradicionais com uma alegria e abertura que têm, na sua raiz, uma certa inocência.
7. Um profundo espírito de independência. Olhando para o mapa ibérico parece estranho que Portugal continue a ser um país independente. Mas é e não é por acaso. No fundo de cada português há um espírito profundamente autónomo e independentista.
8. As mulheres. O Adido de Defesa na Embaixada há quinze anos deu-me um conselho precioso: "Jovem, se quiser uma coisa para ser mesmo bem feita neste país, dê a tarefa a uma mulher". Concordei tanto que me casei com uma portuguesa.
9. A curiosidade sobre, e o conhecimento, do mundo. A influência de "lá" é evidente cá, na comida, nas artes, nos nomes. Portugal é um pais ligado, e que quer continuar ligado, aos outros continentes do mundo.
10. Que o dinheiro não é a coisa mais importante no mundo. As coisas boas de Portugal não são caras. Antes pelo contrário: não há nada melhor do que sair da praia ao fim da tarde e comer um peixe grelhado, acompanhado por um simples copo de vinho.
Então, terminaremos a contemplação do país não com miséria, mas com brindes e abraços. Feliz Natal."
Assim vai o mundo..
"Artigo do Embaixador da GB ao deixar Portugal: Expresso 18 Dez 2010
Coisas que nunca deverão mudar em Portugal
Portugueses: 2010 tem sido um ano difícil para muitos; incerteza, mudanças, ansiedade sobre o futuro. O espírito do momento e de pessimismo, não de alegria. Mas o ânimo certo para entrar na época natalícia deve ser diferente. Por isso permitam-me, em vésperas da minha partida pela segunda vez deste pequeno jardim, eleger dez coisas que espero bem que nunca mudem em Portugal.
1. A ligação intergeracional. Portugal é um país em que os jovens e os velhos conversam - normalmente dentro do contexto familiar. O estatuto de avô é altíssimo na sociedade portuguesa - e ainda bem. Os portugueses respeitam a primeira e a terceira idade, para o benefício de todos.
2. O lugar central da comida na vida diária. O almoço conta - não uma sandes comida com pressa e mal digerida, mas uma sopa, um prato quente etc, tudo comido à mesa e em companhia. Também aqui se reforça uma ligação com a família.
3. A variedade da paisagem. Não conheço outro pais onde seja possível ver tanta coisa num dia só, desde a imponência do rio Douro até à beleza das planícies do Alentejo, passando pelos planaltos e pela serra da Beira Interior.
4. A tolerância. Nunca vivi num país que aceita tão bem os estrangeiros. Não é por acaso que Portugal é considerado um dos países mais abertos aos emigrantes pelo estudo internacional MIPEX.
5. O café e os cafés. Os lugares são simples, acolhedores e agradáveis; a bebida é um pequeno prazer diário, especialmente quando acompanhado por um pastel de nata quente.
6. A inocência. É difícil descrever esta ideia em poucas palavras sem parecer paternalista; mas vi no meu primeiro fim de semana em Portugal, numa festa popular em Vila Real, adolescentes a dançar danças tradicionais com uma alegria e abertura que têm, na sua raiz, uma certa inocência.
7. Um profundo espírito de independência. Olhando para o mapa ibérico parece estranho que Portugal continue a ser um país independente. Mas é e não é por acaso. No fundo de cada português há um espírito profundamente autónomo e independentista.
8. As mulheres. O Adido de Defesa na Embaixada há quinze anos deu-me um conselho precioso: "Jovem, se quiser uma coisa para ser mesmo bem feita neste país, dê a tarefa a uma mulher". Concordei tanto que me casei com uma portuguesa.
9. A curiosidade sobre, e o conhecimento, do mundo. A influência de "lá" é evidente cá, na comida, nas artes, nos nomes. Portugal é um pais ligado, e que quer continuar ligado, aos outros continentes do mundo.
10. Que o dinheiro não é a coisa mais importante no mundo. As coisas boas de Portugal não são caras. Antes pelo contrário: não há nada melhor do que sair da praia ao fim da tarde e comer um peixe grelhado, acompanhado por um simples copo de vinho.
Então, terminaremos a contemplação do país não com miséria, mas com brindes e abraços. Feliz Natal."
Assim vai o mundo..
quinta-feira, janeiro 13, 2011
O mundo do humor...
Porque é preciso rir!!!
Um gajo acorda com a maior de todas as ressacas, vira-se, e ao lado da cama há um copo de água e duas aspirinas. Olha em volta e vê a sua roupa passada e pendurada. O quarto está em perfeita ordem. Há um bilhete da sua mulher:
- Querido, deixei-te café pronto na cozinha. Fui ao supermercado. Beijos.
Ele desce e encontra um grande café à espera por ele. Pergunta ao filho:
- O que aconteceu ontem?
- Bem, pai, tu chegaste às 3 da manhã, completamente bêbado, vomitaste o tapete da sala, partiste móveis e deste cabo do olho ao bater contra a porta do quarto.
- E por que é que está tudo arrumado, café feito, roupa passada, aspirinas para a ressaca e um bilhete amoroso da tua mãe?
- Bem, é que a mãe arrastou-te até a cama, e quando te começou a tirar as calças, tu gritaste:
- Larga-me sua Pu$/(/&%$#, que eu sou casado!!!
Assim vai o mundo...
Um gajo acorda com a maior de todas as ressacas, vira-se, e ao lado da cama há um copo de água e duas aspirinas. Olha em volta e vê a sua roupa passada e pendurada. O quarto está em perfeita ordem. Há um bilhete da sua mulher:
- Querido, deixei-te café pronto na cozinha. Fui ao supermercado. Beijos.
Ele desce e encontra um grande café à espera por ele. Pergunta ao filho:
- O que aconteceu ontem?
- Bem, pai, tu chegaste às 3 da manhã, completamente bêbado, vomitaste o tapete da sala, partiste móveis e deste cabo do olho ao bater contra a porta do quarto.
- E por que é que está tudo arrumado, café feito, roupa passada, aspirinas para a ressaca e um bilhete amoroso da tua mãe?
- Bem, é que a mãe arrastou-te até a cama, e quando te começou a tirar as calças, tu gritaste:
- Larga-me sua Pu$/(/&%$#, que eu sou casado!!!
Assim vai o mundo...
sábado, janeiro 08, 2011
O mundo social...
Não está em causa se eu gostava ou não de Carlos Castro! Mas obviamente que é um choque para mim saber que foi encontrado ontem morto, mutilado, humilhado em Nova York. O principal suspeito é um modelo de 20 anos com quem teria uma relação. Já nada poderá ser feito por Carlos Castro, mas acho que isto é um aviso para certos modelos que se deixam enreder em certas coisas como droga, prostituição, etc. O modelo foi encontrado no hospital com cortes nos pulsos por suposta tentativa de suicídio. São muitos pormenores chocantes de uma história que é história pelos piores motivos! Como disse antes, enquanto profissional Carlos Castro não me dizia nada, mas é sempre um choque que alguém morra assim...
Assim vai o mundo...
Assim vai o mundo...
sexta-feira, janeiro 07, 2011
O mundo dos filmes...
O novo filme de Woody Allen é louco mas divertido de se ver! Mais uma vez, uma constelação de estrelas (desde Anthony Hopkins a Naomi Watts) passeiam-se num argumento pontilhado de humor como Allen nos habituou. O fim podia ser mais pungente mas pronto, ele é assim...
Assim vai o mundo...
Assim vai o mundo...
quinta-feira, janeiro 06, 2011
O mundo dos livros...
Já tinha saudade de acabar um livro! Não por causa do livro mas por causa da falta de tempo, o livro que andava na minha mesinha de cabeceira há meses era "Estorvo", primeiro romance de Chico Buarque. O Chico não escreve fácil. Ou melhor, escreve fácil, mas os livros não são fáceis. Já tinha lido o "Budapeste" e tinha gostado muito da construção do livro, mas em "Estorvo" ficamos por vezes tão perdidos como o personagem do livro. Tem de ser lido num folego, senão perdemo-nos irremediavelmente. Voltarei ao Chico um dia destes para ler o seu "Leite Derramado", grande romance brasileiro de 2010.
Assim vai o mundo...
Assim vai o mundo...
quarta-feira, janeiro 05, 2011
O mundo das artes...

Hoje o meu sorriso empalideceu quando soube da morte de Malangatana! Nas Correntes D'Escritas do ano passado, ele espalhou o seu sorriso e simpatia. Homem das artes, mostrou que a Arte está dentro do Homem e tem muitas formas de se exprimir. Pintor, poeta, contador de estórias, ele foi mais que uma vida...
Assim vai o mundo...
segunda-feira, janeiro 03, 2011
O mundo das séries...
De uma assentada vi a última série de Dexter! Fantástica temporada, com um desempenho fabuloso de Michael C. Hall (candidato a ganhar novamente o Globo de Ouro). O argumento de toda a temporada foi bem construído, não dando para parar de ver. Uma surpresa ver a aparição de Julia Stiles como co-protagonista desta temporada. Aqui fica um teaser...
Assim vai o mundo...
Assim vai o mundo...
quarta-feira, dezembro 29, 2010
O mundo da universidade...
A notícia do dia é que a Universidade do Minho se tornou a primeira universidade portuguesa a anular um doutoramento por este ter sido plagiado. Algumas considerações sobre o facto:
- Uma coisa é estudo de outras teses, outra é plagiar a escrita da nossa tese. Isso revela falta de capacidade e tentativa de fraude.
- É pena que só se tenha descoberto por causa de denúncia anónimas (que normalmente repudio) e não pelos mecanismos de controlo da própria universidade.
- Os professores que orientaram a tese devem ser ouvidos, e se forem encontradas razões, devem ser responsabilizados (ou por incúria ou por cumplicidade).
- Fica uma impressão amarga e doce da Universidade pois apesar de ter acontecido nesta instituição, acho que emendar a mão foi um passo positivo e inovador.
- Como alguém que reingressou este ano na Universidade e deseja obter o doutoramento, fica uma sensação estranha de que nem todos os Doutores tenham o mesmo mérito.
Assim vai o mundo...
- Uma coisa é estudo de outras teses, outra é plagiar a escrita da nossa tese. Isso revela falta de capacidade e tentativa de fraude.
- É pena que só se tenha descoberto por causa de denúncia anónimas (que normalmente repudio) e não pelos mecanismos de controlo da própria universidade.
- Os professores que orientaram a tese devem ser ouvidos, e se forem encontradas razões, devem ser responsabilizados (ou por incúria ou por cumplicidade).
- Fica uma impressão amarga e doce da Universidade pois apesar de ter acontecido nesta instituição, acho que emendar a mão foi um passo positivo e inovador.
- Como alguém que reingressou este ano na Universidade e deseja obter o doutoramento, fica uma sensação estranha de que nem todos os Doutores tenham o mesmo mérito.
Assim vai o mundo...
segunda-feira, dezembro 27, 2010
O mundo do cinema...
Gostei deste "A cidade"! Um filme de assaltos, de assaltantes, de polícias... Ben Affleck está bem, sendo bem secundado por um leque de actores consistentes (destaco Jeremy Renner). Um filme a ver...
Assim vai o mundo...
Assim vai o mundo...
quinta-feira, dezembro 23, 2010
O mundo dos filmes...
Não é o melhor filme que Clooney participou mas é um bom filme... Um filme melancólico, com momentos quase de plano e música. Passado numa pequena vila italiana, tem uma luz deliciosa! O argumento cumpre os requisitos mínimos...
Assim vai o mundo...
Assim vai o mundo...
terça-feira, dezembro 21, 2010
O mundo dos filmes...
Sempre confessei que gosto de filmes baseados em factos reais. E é claro que este episódio teria que dar filme! Um comboio com substâncias químicas descontrolado. Dois homens comuns que podem ser heróis. Denzel Washington e Chris Pine...
Assim vai o mundo...
Assim vai o mundo...
quinta-feira, dezembro 16, 2010
O mundo das artes...

A vida é feita de referências humanas e Carlos Pinto Coelho era a referência máxima em Portugal da divulgação de cultura. Durante anos o Acontece era uma pedrada no charco, no deserto a que Portugal normalmente atira os seus artistas. Multifacetado, inovador, foi alguém que marcou a vida de muita gente com a sua inteligência, cultura e até forma de falar. Morreu hoje e será sempre lembrado como uma grande referência...
Assim vai o mundo...
sexta-feira, dezembro 10, 2010
O mundo das crónicas...
Já tinha pensado escrever um texto sobre Sá Carneiro (até porque há alguns pormenores importantes que se relacionam com a minha vida privada), mas para já abro alas a um cronista que venero: José Manuel dos Santos.
Sá Carneiro era um político. Agia com ímpeto, surpresa, desafio, ambição, pathos. Usou os meios, os símbolos, as palavras da política. Afirmou e negou. Atacou e foi atacado. Desconfiou e desconfiaram dele. Olhá-lo é olhar uma vida política acabada antes do fim. Nesse tempo, a política era também a escrita dela. O jornal que tornava as minhas palavras dos outros não era, em política, o que eu era - nem o que sou, pois sou o que era. Os seus leitores gostavam mais desse homem do que da liberdade com que eu o atingia. Gostavam até mais dele do que deles próprios. Por isso, sempre que, vindas de mim, surgiam, sobre ele, objeções, ironias ou reparos, recebia uma multidão de cartas escritas com a letra desmedida da injúria ou da ameaça. Tinha, assim, uma medida infalível da sua força: a que me era dada não por ele mas pelo vigor exaltado dos que o defendiam e idolatravam.
Um dia, estava no ateliê do Mário Cesariny, na Calçada do Monte, ao qual se chegava por um pátio-labirinto, e bateram à porta. Eram os dois: ele, pequeno, pontual e cortês; ela, loura, fria e etérea. Sá Carneiro e Snu queriam comprar um quadro (a Maria João Avillez contou isto, há muitos anos, num livro agora reeditado). Entraram e sentaram-se naqueles sofás que se desfaziam. Falámos de literatura, de música, de pintura, enquanto bebíamos whisky em copos manchados de pó. Ao despedir-se, Sá Carneiro deu razão a uma crítica que lhe fizera. Tive assim uma prova de que os deuses são mais lúcidos do que os seus fiéis...
Outras vezes, estive com ele quando ele estava com a Natália Correia. O que neste homem mais se ia dando a ver era a mudança que o tornava mais sereno, mais sóbrio e mais seguro. O amor da bela editora dinamarquesa revelava-o a si mesmo. A vida deste 'burguês do Porto', irrequieto e com assomos camilianos, foi, no corpo e no espírito, a fuga à fixidez de um meio e das ideias dele. Das origens familiares à ala liberal, dos cursos de cristandade à vida com Snu, deu-se uma abertura de olhar, de gosto, de imaginário, embora a atitude psicológica permanecesse. Existia ali um paradoxo escondido: os seus mais ferozes apoiantes queriam que ele fosse cada vez mais aquilo que ele era cada vez menos. O Portugal que amava Sá Carneiro não era o Portugal que Sá Carneiro amava. Ele não desconhecia este equívoco: era-lhe interior, existencial. Num livro severo, "Os Meninos de Ouro", diz Agustina: "Todos queremos ser o que não somos." Às vezes, para sermos o que queremos ser, acrescento eu por ela.
Em Portugal, os mortos são sempre melhores do que os vivos. Sá Carneiro era um político. Agia com ímpeto, surpresa, desafio, ambição, pathos. Usou os meios, os símbolos, as palavras da política. Afirmou e negou. Atacou e foi atacado. Desconfiou e desconfiaram dele. Olhá-lo é olhar uma vida política acabada antes do fim, que teve acertos e erros, vitórias e derrotas. Torná-lo herói ou vítima é desconhecê-lo.
Quem era, afinal, Sá Carneiro? Um homem que quis a liberdade e um político que desejou o poder - e ambos alcançou. Foi primeiro-ministro durante poucos meses e o que sobretudo fez foi preparar a eleição próxima. O tempo deu-lhe tempo para ser um político eficaz e voluntarioso; não lhe deu tempo para ser um reformador ou um homem de Estado.
Ele aprendeu que a história é uma ficção controlada. Agia como quem desperta para fugir de um pesadelo: em sobressalto. Para ele, a política fazia-se de pulsão e atrito. De conflito, corrosão, contenda, colisão. O risco, a rutura, a recusa e o rasgo eram as maçãs de ouro do seu jardim das Hespérides. O seu exército foi o da coragem, mesmo quando a sua coragem não era serena e se confundia com a impaciência ou a vertigem. A coragem não é a mais alta, nem a mais bela, nem a mais rara das virtudes humanas. Mas é a mais necessária e a mais útil: aquela sem a qual todas as outras virtudes se enfraquecem, desfazem ou anulam. Arquimedes dele próprio, Sá Carneiro encontrou em si o ponto onde aplicou a alavanca com que ergueu o seu mundo. Agustina fala de narcisismo. Mas é disso que os mitos modernos se fazem.
Naquela noite, eu jantava num restaurante ao Bairro Alto. Alguém gritou: "O avião do Sá Carneiro caiu! Morreram todos." Era verdade. Telefonei a Mário Soares e ele queria saber mais e mais. O que se soube, foi-se sabendo - nessa noite, nos dias seguintes, nos meses seguintes, nos anos seguintes. E houve coisas que nunca se souberam, que nunca se saberão. Aquela queda do avião é um mistério e a persistência dele uma vergonha. Ao desastre ou ao crime somou-se outro desastre ou outro crime. Na noite daquelas mortes, escrevi uma crónica. Falava de Pedro e Inês e esta imagem fácil teve a fortuna de ser usada por outros.
Passam agora 30 anos sobre esse dia noturno. Têm-se publicado muitos livros, mas poucos dizem o que não se sabia antes deles. Sá Carneiro, que teve a experiência frequente da doença, previa a sua vida breve. Viveu-a contra o tempo: com intensidade, destemor, paixão. A sua morte não o desmentiu. Mas desmente aqueles que fazem dele o que ele não foi.
José Manuel dos Santos
colaborador regular do "Atual"
Texto publicado na revista Atual de 4 de dezembro de 2010
Assim vai o mundo...
Sá Carneiro era um político. Agia com ímpeto, surpresa, desafio, ambição, pathos. Usou os meios, os símbolos, as palavras da política. Afirmou e negou. Atacou e foi atacado. Desconfiou e desconfiaram dele. Olhá-lo é olhar uma vida política acabada antes do fim. Nesse tempo, a política era também a escrita dela. O jornal que tornava as minhas palavras dos outros não era, em política, o que eu era - nem o que sou, pois sou o que era. Os seus leitores gostavam mais desse homem do que da liberdade com que eu o atingia. Gostavam até mais dele do que deles próprios. Por isso, sempre que, vindas de mim, surgiam, sobre ele, objeções, ironias ou reparos, recebia uma multidão de cartas escritas com a letra desmedida da injúria ou da ameaça. Tinha, assim, uma medida infalível da sua força: a que me era dada não por ele mas pelo vigor exaltado dos que o defendiam e idolatravam.
Um dia, estava no ateliê do Mário Cesariny, na Calçada do Monte, ao qual se chegava por um pátio-labirinto, e bateram à porta. Eram os dois: ele, pequeno, pontual e cortês; ela, loura, fria e etérea. Sá Carneiro e Snu queriam comprar um quadro (a Maria João Avillez contou isto, há muitos anos, num livro agora reeditado). Entraram e sentaram-se naqueles sofás que se desfaziam. Falámos de literatura, de música, de pintura, enquanto bebíamos whisky em copos manchados de pó. Ao despedir-se, Sá Carneiro deu razão a uma crítica que lhe fizera. Tive assim uma prova de que os deuses são mais lúcidos do que os seus fiéis...
Outras vezes, estive com ele quando ele estava com a Natália Correia. O que neste homem mais se ia dando a ver era a mudança que o tornava mais sereno, mais sóbrio e mais seguro. O amor da bela editora dinamarquesa revelava-o a si mesmo. A vida deste 'burguês do Porto', irrequieto e com assomos camilianos, foi, no corpo e no espírito, a fuga à fixidez de um meio e das ideias dele. Das origens familiares à ala liberal, dos cursos de cristandade à vida com Snu, deu-se uma abertura de olhar, de gosto, de imaginário, embora a atitude psicológica permanecesse. Existia ali um paradoxo escondido: os seus mais ferozes apoiantes queriam que ele fosse cada vez mais aquilo que ele era cada vez menos. O Portugal que amava Sá Carneiro não era o Portugal que Sá Carneiro amava. Ele não desconhecia este equívoco: era-lhe interior, existencial. Num livro severo, "Os Meninos de Ouro", diz Agustina: "Todos queremos ser o que não somos." Às vezes, para sermos o que queremos ser, acrescento eu por ela.
Em Portugal, os mortos são sempre melhores do que os vivos. Sá Carneiro era um político. Agia com ímpeto, surpresa, desafio, ambição, pathos. Usou os meios, os símbolos, as palavras da política. Afirmou e negou. Atacou e foi atacado. Desconfiou e desconfiaram dele. Olhá-lo é olhar uma vida política acabada antes do fim, que teve acertos e erros, vitórias e derrotas. Torná-lo herói ou vítima é desconhecê-lo.
Quem era, afinal, Sá Carneiro? Um homem que quis a liberdade e um político que desejou o poder - e ambos alcançou. Foi primeiro-ministro durante poucos meses e o que sobretudo fez foi preparar a eleição próxima. O tempo deu-lhe tempo para ser um político eficaz e voluntarioso; não lhe deu tempo para ser um reformador ou um homem de Estado.
Ele aprendeu que a história é uma ficção controlada. Agia como quem desperta para fugir de um pesadelo: em sobressalto. Para ele, a política fazia-se de pulsão e atrito. De conflito, corrosão, contenda, colisão. O risco, a rutura, a recusa e o rasgo eram as maçãs de ouro do seu jardim das Hespérides. O seu exército foi o da coragem, mesmo quando a sua coragem não era serena e se confundia com a impaciência ou a vertigem. A coragem não é a mais alta, nem a mais bela, nem a mais rara das virtudes humanas. Mas é a mais necessária e a mais útil: aquela sem a qual todas as outras virtudes se enfraquecem, desfazem ou anulam. Arquimedes dele próprio, Sá Carneiro encontrou em si o ponto onde aplicou a alavanca com que ergueu o seu mundo. Agustina fala de narcisismo. Mas é disso que os mitos modernos se fazem.
Naquela noite, eu jantava num restaurante ao Bairro Alto. Alguém gritou: "O avião do Sá Carneiro caiu! Morreram todos." Era verdade. Telefonei a Mário Soares e ele queria saber mais e mais. O que se soube, foi-se sabendo - nessa noite, nos dias seguintes, nos meses seguintes, nos anos seguintes. E houve coisas que nunca se souberam, que nunca se saberão. Aquela queda do avião é um mistério e a persistência dele uma vergonha. Ao desastre ou ao crime somou-se outro desastre ou outro crime. Na noite daquelas mortes, escrevi uma crónica. Falava de Pedro e Inês e esta imagem fácil teve a fortuna de ser usada por outros.
Passam agora 30 anos sobre esse dia noturno. Têm-se publicado muitos livros, mas poucos dizem o que não se sabia antes deles. Sá Carneiro, que teve a experiência frequente da doença, previa a sua vida breve. Viveu-a contra o tempo: com intensidade, destemor, paixão. A sua morte não o desmentiu. Mas desmente aqueles que fazem dele o que ele não foi.
José Manuel dos Santos
colaborador regular do "Atual"
Texto publicado na revista Atual de 4 de dezembro de 2010
Assim vai o mundo...
quinta-feira, dezembro 09, 2010
O mundo da música..
Ainda estou a perceber se gosto desta versão dos Black eyed Peas...
Assim vai o mundo...
Assim vai o mundo...
quarta-feira, dezembro 08, 2010
O mundo da comida...
Acabo de ver o No reservations do Anthony Bourdain nos Açores e dá-me duas vontades: primeira, voltar aos Açores; segunda, comer muito...
Assim vai o mundo...
Assim vai o mundo...
segunda-feira, dezembro 06, 2010
O mundo do humor...
Herman José está de volta á boa forma.. Esta personagem é deliciosa!
Assim vai o mundo...
Assim vai o mundo...
sexta-feira, dezembro 03, 2010
O mundo do cinema...
quarta-feira, dezembro 01, 2010
O mundo dos filmes..
Costumo torcer e apoiar os filmes portugueses, mas não gostei de "Lobos"! Achei acima de tudo um argumento preguiçoso...
Assim vai o mundo...
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